Ibirubá, 22 de Outubro de 2026
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Aloys Zeno Rohr e as casas que contam histórias

O ibirubense Aloys Zeno Rohr, hoje com 87 anos, é uma testemunha viva da história e do desenvolvimento do distrito de Alfredo Brenner, no interior de Ibirubá, Rio Grande do Sul.

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REVISTA ENFOQUE

Aloys Zeno Rohr e as casas que contam histórias

O ibirubense Aloys Zeno Rohr, hoje com 87 anos, é uma testemunha viva da história e do desenvolvimento do distrito de Alfredo Brenner, no interior de Ibirubá, Rio Grande do Sul. Na época em que sua trajetória na região começou, o local ainda pertencia ao município de Cruz Alta, muito antes de Ibirubá conquistar sua emancipação política.

A jornada de sua família naquelas terras teve início no ano de 1929, quando seus pais, Francisco e Ana Maria, decidiram deixar o município de Arroio do Meio em busca de novas oportunidades. A viagem de mudança foi uma verdadeira odisseia para os padrões da época: foram sete dias de estrada enfrentando as dificuldades do caminho a bordo de uma carroça.

A busca por terras produtivas e as origens da família

O motivo que trouxe os pais de Seu Zeno (que prefere ser chamado pelo segundo nome) para a região foi a busca por terras mais propícias para a agricultura. De forte herança e descendência alemã, a família buscava um relevo mais plano e áreas que exigiam menos esforço de desmatamento para abrir as lavouras, já que a terra natal em Arroio do Meio, embora produtiva, tinha um relevo muito acidentado que dificultava o cultivo.

Na mudança, Francisco e Ana Maria alimentavam grandes expectativas, que se concretizaram ao longo dos anos. Trouxeram consigo apenas o filho mais velho, Antônio Almiro, conhecido como Miro, então com pouco mais de um ano de idade. Na nova propriedade nasceram os demais filhos do casal: Cunegunda, José Eugênio, Marta, Zeno e a caçula, Herta. Ao todo, a família era composta por seis irmãos. Os quatro mais velhos já faleceram, restando atualmente apenas Seu Zeno e sua irmã mais nova, Herta.

A nova geração e a permanência na propriedade

Foi nessa mesma propriedade que Seu Zeno constituiu sua própria família ao se casar, em 1973, com Anita Schneider, uma jovem oriunda da vizinha localidade de Vila Seca. Juntos, construíram uma vida marcada pelo companheirismo e pela dedicação mútua, compartilhando décadas de convivência até o falecimento de Dona Anita, em março de 2023.

Dessa união nasceram três filhos: Vera, a primogênita, que atualmente reside em Nova Petrópolis; Volnei, estabelecido em Ibirubá; e Vânia, que permaneceu na propriedade rural da família. Ela vive ao lado do pai, com o esposo, Juraci, e os filhos, Caroline e Gabriel, dedicando-se diariamente aos cuidados de Seu Zeno.

Preciosidades arquitetônicas e a evolução das moradias

A propriedade da família, que soma um total de 38,6 hectares, guarda duas preciosidades arquitetônicas que contam a evolução da moradia rural na região. A primeira delas é a casa pioneira, construída em estilo enxaimel pelo pai de Seu Zeno no ano de 1933. Originalmente, a estrutura ficava em outro ponto do terreno, mas foi transferida para o local atual em 1949. Foi nessa casa simples, que originalmente possuía uma cozinha conectada aos quartos por um corredor, que Seu Zeno nasceu e passou sua infância. Hoje, a construção serve para guardar ferramentas e móveis antigos.

No mesmo ano da mudança da antiga casa, em 1949, a família ergueu a atual residência principal. Trata-se de uma construção ampla e imponente para a época, contando com quatro quartos, duas salas, cozinha, banheiro, duas áreas de lazer e um grande porão. O processo de construção foi artesanal e envolveu o trabalho de um vizinho contratado como carpinteiro. Toda a madeira utilizada foi extraída dos pinheirais nativos da própria região, a tradicional araucária, e serrada manualmente. A qualidade do material e o capricho da execução impressionam até hoje: as linhas e caibros do telhado possuem entre 8 e 8,5 metros de comprimento e foram colocados inteiros, sem nenhuma emenda.

As transformações econômicas e a tradição no consumo

A atividade econômica na propriedade também passou por grandes transformações ao longo das gerações. Seu Zeno recorda com saudade dos tempos de sua juventude, quando a criação de animais era a principal e mais rentável fonte de renda da colônia. Ele menciona um ditado popular daquela época que ilustra bem a realidade do passado: "com um lote de porcos se comprava um hectare de terra".

Hoje, o cenário mudou completamente. Os valores de mercado se transformaram, e a criação desses animais na propriedade serve apenas para o sustento da própria casa. Atualmente, a subsistência e a principal renda da família vêm do plantio de soja e milho e da pecuária leiteira, com o leite entregue regularmente à Cooperativa Central CCGL, além da criação de ovelhas e galinhas.

Essa ligação com a terra e o cultivo das tradições antigas também se reflete nos hábitos alimentares da família, que mantém o costume de produzir o próprio vinho para consumo doméstico e assar pães artesanais no forno a lenha, preservando o sabor e a essência da vida no campo.

Valores preservados e a sabedoria da longeva idade

Católico fervoroso, Seu Zeno mantém dentro de seu lar não apenas a fé, mas também a memória material de seus antepassados. A residência preserva quadros familiares e relíquias que atravessaram gerações, muitas delas feitas de forma artesanal, já que o mobiliário original foi todo fabricado pelo próprio pai de Seu Zeno.

Um grande exemplo dessa habilidade é a mesa utilizada na época de sua primeira comunhão, que já tem mais de 70 anos de história. Além dela, o lar guarda um relógio de parede antigo com mais de 50 anos que ainda dita o ritmo dos dias com suas badaladas.

Quando questionado sobre qual seria o segredo ou a filosofia de vida para chegar aos 87 anos com tanta lucidez e saúde, ele não hesita em apontar para os pilares que sustentaram toda a sua jornada: o valor do trabalho braçal e honesto, o respeito mútuo e o amor dedicado à família.

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