
Poucas pessoas imaginam que a mulher que hoje conduz colheitadeiras, auxilia na manutenção de máquinas agrícolas e participa de todas as decisões da propriedade rural é formada em Direito. A trajetória de Bárbara Campos Nogueira Thiesen, de 32 anos, mostra que a vida pode mudar completamente de direção quando paixão, oportunidade e propósito se encontram. Ao lado do esposo, o agricultor Rafael Thiesen, ela transformou o conhecimento adquirido na universidade em uma ferramenta para fortalecer o trabalho no campo, sem deixar para trás a profissão que escolheu na juventude.
Nascida em Cruz Alta, Bárbara cresceu dividindo a infância entre aquela cidade e Ibirubá. Neta e filha de agricultores, sempre conviveu com a realidade do meio rural, embora seu caminho profissional tenha seguido inicialmente por outra direção. "Meu primeiro vestibular foi para Agronomia, depois fiz Jornalismo e, por fim, escolhi o Direito. Na época, o mercado no agro ainda era mais restrito para mulheres e o Direito oferecia mais oportunidades de atuação", relembra. Durante a graduação na Unicruz, encontrou um curso reconhecido na região, marcado pela forte formação prática. "Tínhamos excelentes professores e muito contato com a prática da advocacia, atendendo pessoas no Núcleo de Prática Jurídica e acompanhando audiências. Foi um período muito importante para minha formação."
A aproximação definitiva com o agronegócio aconteceu alguns anos depois. Após concluir a faculdade e iniciar uma pós-graduação em Gestão do Agronegócio e Administração Rural, Bárbara conheceu Rafael. O casamento mudou também sua rotina profissional. "Quando fomos morar no interior, tudo aconteceu naturalmente. Aprendi a operar colheitadeira, trator, dirigir caminhão e participar das atividades da propriedade. Não foi uma decisão planejada, simplesmente passei a viver essa realidade." O desejo constante de aprender fez com que ela voltasse novamente para a universidade, desta vez para cursar Agronomia. Segundo Bárbara, a experiência prática do marido foi fundamental nesse processo. "O Rafael sempre trabalhou na agricultura, então muito do que estudávamos ele já conhecia. Acabamos unindo o conhecimento técnico que ele possui com aquilo que eu aprendo na universidade."
Mesmo distante dos escritórios, a formação jurídica continua presente no cotidiano da propriedade. "O Direito ainda me ajuda muito. Faço análise de contratos, documentos e negociações. São conhecimentos que continuam sendo úteis e complementam o trabalho no agro." Hoje, o casal divide praticamente todas as tarefas da fazenda. Conforme a época do ano, Bárbara assume diferentes funções, mas existe uma atividade pela qual tem preferência. "Na colheita, geralmente quem opera a máquina sou eu. Enquanto isso, o Rafael acompanha as demais operações da lavoura. Gostamos de trabalhar juntos e um acaba complementando o trabalho do outro."
Ela destaca que operar uma colheitadeira exige muito mais do que habilidade para conduzir a máquina. "A rotina começa cedo, com abastecimento, limpeza e revisão dos equipamentos. Também aprendi pequenas manutenções, como troca de filtros. Com o tempo, a gente passa a conhecer a máquina e percebe quando algum barulho muda ou quando alguma coisa precisa de atenção."
Além da lavoura, outra paixão faz parte do dia a dia. "Também gosto muito de cuidar das ovelhas. É uma atividade completamente diferente, mas que me traz muita satisfação."
Para ela, um dos maiores desafios foi conciliar a rotina intensa da propriedade com os cuidados da casa. "As pessoas muitas vezes não enxergam essa parte. O trabalho no campo começa cedo, termina tarde e nem sempre existe uma rotina definida. Aprender a organizar tudo isso foi um grande desafio." Questionada sobre o espaço das mulheres no agronegócio, ela acredita que a presença feminina cresce a cada ano, embora ainda existam alguns preconceitos. "Eu nunca dei importância para isso. Acho que a mulher pode trabalhar onde ela quiser, desde que seja feliz fazendo o que escolheu. Existem limitações físicas naturais, mas isso nunca pode impedir alguém de buscar seus objetivos."
Ao olhar para a própria trajetória, não faz distinção entre as profissões que escolheu ao longo da vida. "O Direito faz parte da minha história e continua sendo importante. A Agronomia amplia meu conhecimento técnico. Mas hoje me considero, acima de tudo, produtora rural." Se pudesse recomeçar, garante que faria exatamente as mesmas escolhas.
"Eu nunca dei importância para isso. Acho que a mulher pode trabalhar onde ela quiser, desde que seja feliz fazendo o que escolheu. Existem limitações físicas naturais, mas isso nunca pode impedir alguém de buscar seus objetivos."
"O Direito faz parte da minha história e continua sendo importante. A Agronomia amplia meu conhecimento técnico. Mas hoje me considero, acima de tudo, produtora rural. Se pudesse recomeçar, garante que faria exatamente as mesmas escolhas'', conclui Bárbara
























