Paulo Cervieri relembra a trajetória do Frigorífico IBI e o legado de uma indústria
Durante mais de quatro décadas, o Frigorífico IBI foi um dos principais motores da economia de Ibirubá

Empresário recorda a expansão do frigorífico, a geração de centenas de empregos, a força da suinocultura regional e as mudanças de mercado que transformaram um dos maiores símbolos da economia ibirubense.
Ao revisitar a trajetória do Frigorífico IBI, Paulo Cervieri recordou um período em que Ibirubá vivia impulsionada pela produção de suínos e pela força da indústria local. Segundo ele, seu pai, Fiorindo Cervieri, adquiriu o frigorífico em meados da década de 1960, ampliando uma estrutura já existente e transformando-a em uma das maiores empregadoras do município.
No auge das atividades, o complexo chegou a reunir aproximadamente 400 trabalhadores entre frigorífico e cortume. A produção alcançava cerca de 400 suínos abatidos diariamente, com cortes destinados principalmente aos mercados de São Paulo e Rio de Janeiro. Além das carnes, a empresa fabricava embutidos para o consumo regional, como mortadelas e salames, produtos que ainda permanecem na memória dos moradores.
Cervieri destacou que praticamente toda a produção de suínos da região abastecia a indústria, fortalecendo a economia local e criando uma relação direta entre produtores rurais, transportadores, comerciantes e trabalhadores. "Naquela época, praticamente todo colono criava porcos. O frigorífico cresceu porque havia matéria-prima e mercado", relembrou.
Ele também atribuiu o encerramento das atividades às profundas transformações do setor. A chegada dos grandes frigoríficos nacionais, com produção integrada e maior capacidade tecnológica, alterou o mercado e reduziu a competitividade das empresas independentes. Paralelamente, muitos produtores migraram para outras atividades agrícolas, diminuindo a oferta de animais para abate.
Mesmo após a demolição das antigas instalações, em julho de 2023, Paulo afirma que o legado permanece vivo na memória da comunidade. Entre as lembranças mais marcantes está o tradicional apito da fábrica, que durante décadas marcou o início da jornada de trabalho e passou a integrar a identidade de Ibirubá. "Foram amizades, aprendizado e uma história que continua fazendo parte da minha vida", resumiu.
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