
Competição reúne 11 instituições de ensino em seis modalidades; para Zico Caponi, retomada pode estimular uma nova geração de atletas no município
Depois de anos sem uma programação reunindo diferentes modalidades em uma mesma competição, as Olimpíadas Escolares voltaram a movimentar estudantes de Ibirubá. A edição reúne 11 instituições das redes municipal, estadual, particular e federal e contempla atletismo, futsal, handebol, voleibol, basquetebol e tênis de mesa. Para o coordenador do Departamento Municipal de Desporto (DMD), Zico Caponi, mais do que disputar medalhas, a retomada cria um estímulo para que crianças e adolescentes voltem a incorporar o esporte à rotina escolar.
A decisão de abrir a competição para todas as instituições do município foi tomada em conjunto pela Administração Municipal e Secretaria de Educação. Segundo Caponi, a proposta desde o início foi promover uma Olimpíada que representasse Ibirubá como um todo. “A gente decidiu por unanimidade convidar todos, tanto município, Estado, particular, federal, Instituto. Vamos abraçar Ibirubá. Esse é sempre o nosso lema”, afirmou. A resposta foi positiva, com adesão das instituições convidadas.
A competição começou pelo handebol, enquanto a abertura oficial ocorreu no Módulo Esportivo, junto às provas de atletismo. É justamente o retorno do atletismo que aparece entre as principais novidades. Caponi estima que havia pelo menos oito anos que uma competição municipal dessa modalidade não era realizada neste formato. Os estudantes estão divididos nas categorias mirim, infantil e juvenil, com a intenção de futuramente desenvolver atividades também para crianças menores.
Para o coordenador, recuperar as Olimpíadas significa também devolver às novas gerações uma experiência que marcou a trajetória escolar de muitos moradores. Ele relata ter recebido manifestações de pais que passaram a acompanhar os filhos nos treinamentos e comentários de pessoas recordando as antigas competições. “A gente vê que resgatou uma coisa muito importante para as pessoas e para a juventude também”, destacou.
Esse envolvimento antes mesmo das provas é considerado um dos principais resultados da iniciativa. Caponi lembra que, em outras épocas, saber que haveria uma Olimpíada fazia com que estudantes e professores se preparassem durante meses. Na avaliação dele, a continuidade da competição pode recuperar essa cultura dentro das escolas. “Eles vão ficar: ‘ano que vem vai ter Olimpíada Escolar, então eu vou ter que me preparar’. Eu acho que vai ser uma coisa bem legal”, afirmou. A expectativa é que os próprios alunos passem a procurar professores e escolas em busca de espaços e oportunidades para treinar.
Atletismo abre espaço para diferentes talentos
A programação do atletismo foi ampliada justamente para permitir que estudantes com características diferentes encontrem uma prova adequada. Há disputas de revezamento, provas de velocidade e resistência, salto em altura, salto em distância, arremesso de peso, disco e dardo, entre outras.
“Tem para todos. Aquele que diz ‘não sou muito da corrida, mas tenho força’, pode praticar o arremesso de peso, dardo ou disco. Tem explosão, vai para os 100 metros; tem preparo, vai para as provas maiores”, explicou Caponi.
A estrutura do Módulo Esportivo também recebeu avaliação positiva. Apesar de apontar melhorias que poderão ser realizadas, o coordenador considera que a pista e os espaços destinados às provas oferecem boas condições. Nesta edição, a estimativa é de quase 200 inscritos no atletismo, número que, segundo ele, poderá dobrar caso a competição se consolide nos próximos anos.
Os primeiros resultados já despertaram atenção para o potencial dos estudantes. Caponi acompanhou as provas e identificou desempenhos que considera promissores. “No arremesso eu vi dois piazinhos que estão arremessando mais do que a gente arremessava na minha época. Nos 100 metros rasos, vi dois, três corredores muito bons”, relatou.
Para ele, a Olimpíada pode funcionar como uma primeira vitrine para esses jovens. Os campeões que tiverem interesse em avançar para outras competições poderão seguir o caminho por meio das próprias instituições de ensino. “Nós vamos fazer a nossa parte, nossas Olimpíadas Escolares aqui. Mas vai ter bons atletas”, avaliou.
Diversidade de modalidades amplia participação
O princípio de oferecer diferentes oportunidades aparece também nas demais modalidades. O handebol, por exemplo, teve grande número de equipes e revelou estudantes que Caponi ainda não havia visto se destacarem no futsal ou no voleibol.
“Muitos jogadores se destacaram que eu nunca tinha visto jogar nem futsal e nem vôlei. Quando vê, ele se destacou no handebol. Tem que ter as modalidades para eles poderem também se destacar. A gente tem que abrir as portas para eles irem se adequando conforme gostam”, afirmou.
No voleibol, a avaliação é de crescimento da modalidade no município, inclusive com perspectiva de aumento no número de equipes no campeonato municipal. Para Caponi, diversificar é fundamental para evitar que toda a estrutura esportiva fique concentrada no futebol e no futsal. “Tem que ter outras modalidades, porque nós temos que agregar todos”, ressaltou.
O tênis de mesa também deverá ter participação expressiva. A competição será individual e a expectativa é de uma manhã inteira de disputas. Por ser uma modalidade presente no cotidiano das próprias escolas, Caponi acredita que há condições para revelar bons competidores.
Já o futsal exigiu uma organização específica diante da quantidade de equipes. As categorias foram distribuídas para permitir que os jogos sejam realizados dentro do período disponível, com partidas masculinas e femininas intercaladas. A programação esportiva foi organizada em parceria com o Sesc de Cruz Alta, responsável pela parte administrativa das competições e pela arbitragem, enquanto o Município disponibiliza a estrutura física.
Uma competição para criar memória
Ao falar das Olimpíadas, Caponi também recorre às próprias lembranças. Recorda das disputas entre escolas, dos ginásios cheios e da preparação para competir no atletismo e no handebol. São memórias que, décadas depois, permanecem presentes — e que ajudam a explicar por que considera importante oferecer novamente essa experiência aos estudantes.
“Essas coisas a gente não esquece”, afirmou ao recordar uma final escolar de handebol e suas próprias participações no atletismo. Para ele, histórias assim acabam sendo transmitidas para filhos e outras crianças e podem funcionar como incentivo para uma nova geração.
A expectativa é justamente que a Olimpíada deixe de ser apenas um evento isolado e passe a produzir reflexos durante todo o ano letivo. Com uma competição prevista no calendário, estudantes ganham uma meta para buscar espaço nas equipes, enquanto as escolas passam a ter um motivo adicional para desenvolver treinamentos.
“Isso vai dar um ânimo para essa gurizada”, resumiu Caponi. “Eu acho que vai ser muito bom para o município, para a escola e, principalmente, para os alunos.”
A premiação também terá um formato diferente. Em vez da entrega das medalhas imediatamente após cada disputa, os vencedores serão homenageados durante a programação da Feira do Livro, na praça. A intenção é ampliar a visibilidade das conquistas dos estudantes e integrar esporte, educação e cultura em um mesmo espaço.
Para Caponi, a retomada pode ser apenas o primeiro passo. Se o interesse continuar crescendo, o atletismo, por exemplo, poderá ganhar futuramente uma competição municipal própria. “Daqui dois, três anos, se a gente continuar, talvez faça até um Municipal de Atletismo”, projetou.
A perspectiva resume o objetivo maior das Olimpíadas: fazer com que a competição não termine com a última medalha. Ao colocar novamente estudantes de diferentes escolas lado a lado nas quadras, pistas e demais espaços esportivos, a iniciativa busca recuperar uma tradição e, ao mesmo tempo, criar condições para que novos talentos apareçam. “Eu vivo o esporte. É um prazer o que eu faço”, definiu Caponi. “E cada vez a gente tenta evoluir, mas aprender com as pessoas também.”





















