Rádio Cidade Ibirubá
Família de Rondônia traz a Ibirubá saberes tradicionais sobre raízes e ervas
Com mais de 90 variedades, grupo permanece na cidade nesta terça e quarta-feira compartilhando conhecimentos transmitidos entre gerações

Uma família vinda de Rondônia está em Ibirubá nesta terça e quarta-feira com mais de 90 variedades de raízes, ervas e produtos naturais. O atendimento ocorre das 8h às 17h, em diagonal ao Posto Santa Terezinha, na entrada da cidade.
Paulo Salles, de 67 anos, conta que vive próximo ao Rio Madeira e que o conhecimento sobre as plantas faz parte da história de sua família. Durante a passagem pelo município, ele está acompanhado de dois filhos.
“Estamos trazendo essa cultura de raiz que é passada para a nossa família. Temos mais de 90 tipos. A pessoa chega, conversa com a gente e nós explicamos a quantidade da raiz, a temperatura da água, como preparar e como fazer o uso.”
Entre os produtos apresentados estão raízes conhecidas popularmente como sumo-roxo e escada-de-macaco. Há ainda preparações tradicionalmente utilizadas para diferentes finalidades. As indicações relatadas pela família fazem parte de conhecimentos populares e tradicionais e não substituem diagnóstico ou tratamento realizado por profissionais de saúde.
A passagem por Ibirubá integra uma viagem que deve durar cerca de um ano pelo Rio Grande do Sul. O grupo permanece normalmente dois ou três dias em cada município e depois segue para a próxima cidade.
“Nós vamos permanecer aqui no Estado durante um ano. Depois eu volto para a minha aldeia, faço outra colheita e seguimos para visitar outro estado. A gente passa por cidade grande e cidade pequena.”
Mais do que a venda dos produtos, Paulo afirma que a intenção é manter vivo um conhecimento que, na sua avaliação, vem se perdendo entre as novas gerações.
“A gente está levando esse conhecimento antigo para o povo ter novamente. Essas crianças e os jovens não sabem o que é uma raiz, não sabem como preparar um chá. Tem gente que tem o remédio em casa e não sabe para que serve.”
Essa relação com as plantas está diretamente ligada, segundo ele, à preservação da floresta. Paulo lamenta as mudanças que acompanhou na região amazônica ao longo dos anos.
“O que tinha de bonito na Amazônia, de mata, foi muito destruído. A mata traz tudo: traz oxigênio, traz água, traz chuva. Por isso a gente fala para não destruir.”
Para Paulo, percorrer cidades compartilhando as raízes é também uma maneira de fazer circular uma herança familiar: “A gente sai não por causa do dinheiro. É para levar o conhecimento antigo para o povo ter novamente.”






