Rádio Cidade Ibirubá
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Quinze de Novembro celebrou 38 anos de história

O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Quinze de Novembro celebrou, na quarta-feira, 10 de setembro, seus 38 anos de fundação. A programação ocorreu ao longo do dia na sede da entidade e reuniu associados, lideranças e parceiros em momentos de confraternização, com coquetel, sorteio de brindes e atividades de integração. A data também abriu espaço para recordar uma trajetória construída junto às famílias rurais desde os primeiros anos de emancipação do município.
Fundado em 1988, um ano depois da emancipação de Quinze de Novembro, o Sindicato nasceu da mobilização dos próprios agricultores, que buscavam uma representação mais próxima. Até então, muitos eram vinculados ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ibirubá. Segundo a atual presidente, Eduarda Klein, relatos dos pioneiros mostram que a criação da entidade foi construída praticamente de casa em casa. “Eles pegavam trator, iam conversar com as pessoas, convidavam os agricultores para participar, se associar e ir à assembleia. Foi assim, nesse movimento de visitar a vizinhança, que se fundou o nosso sindicato”, relatou.
O primeiro presidente foi Zélio Rauch (in memoriam), uma das lideranças que participaram da organização da entidade em seus primeiros anos. Depois dele, o Sindicato foi comandado por Lucindo Goelzer e Manfred Tiemann. Na sequência, Sirlei Fassbinder tornou-se a primeira mulher a assumir a presidência e permaneceu durante 16 anos à frente da entidade. Atualmente, a presidência é exercida por Eduarda Klein, representante de uma nova geração de lideranças ligadas à agricultura familiar.
Ao longo dessas quase quatro décadas, o papel do Sindicato acompanhou as transformações vividas no campo. Se inicialmente questões previdenciárias, trabalhistas e de acesso à saúde estavam entre as principais demandas, a atuação passou a incorporar a defesa do crédito rural, do Pronaf, da renegociação de dívidas, do seguro agrícola e de políticas voltadas à permanência das famílias na atividade. “Independente do governo federal, estadual ou municipal que é eleito, o sindicato sempre vai estar lá cobrando. É o nosso papel”, afirmou Eduarda.
A participação das mulheres também atravessou essa história. Eduarda lembrou que, durante muitos anos, elas apareciam nos registros apenas como dependentes dos maridos, apesar da presença efetiva nas propriedades e nas mobilizações do meio rural. A conquista de direitos previdenciários e o reconhecimento das trabalhadoras rurais foram algumas das grandes bandeiras defendidas pelo movimento sindical.
A entidade também se tornou parte do desenvolvimento de Quinze de Novembro. Reuniões de base, participação em consultas públicas e apresentação de reivindicações ao Executivo e ao Legislativo fizeram parte dessa caminhada. A característica essencialmente agrícola do município fez com que o Sindicato estivesse presente em diferentes discussões relacionadas ao desenvolvimento rural e às políticas destinadas às famílias do campo.
Os desafios, porém, mudaram com o passar dos anos. Atualmente, a crise financeira enfrentada pela agricultura, as perdas provocadas por eventos climáticos, o endividamento das propriedades e a necessidade de mecanismos mais eficientes de proteção estão entre as preocupações da entidade.
Outro ponto considerado estratégico é a sucessão familiar. Em agosto, um seminário regional reuniu cerca de 80 jovens para discutir o futuro das propriedades e as condições necessárias para que uma nova geração permaneça no campo. Segurança diante das perdas climáticas, previdência e, principalmente, diálogo entre pais, filhos e avós apareceram entre os temas apontados pelos participantes.






