Quando um sim muda tudo

Milton André de Almeida completa 17 anos de transplante de fígado neste domingo (10)

Sim, uma monossílaba de apenas três letras que é capaz de mudar um destino. Em agosto de 2002 Milton André de Almeida começou a sentir que algo não ia bem. Amarelão, urina com coloração escura e  inchaço nos pés. Preocupado, Milton e sua família buscaram recursos na cidade vizinha de Passo Fundo, onde foram realizados diversos exames de imagens. O primeiro diagnóstico não trazia clareza sobre o que poderia ser, então Milton continuou a saga em busca de respostas. No início de 2003, veio o resultado: “Meu fígado estava comprometido 75% devido a uma cirrose e essa veio do que? Uma vida totalmente desregrada, uma pessoa obesa, bastante gordura no fígado e também devido a bebida, que mesmo consumida socialmente, influenciou. Além disso tudo, houve uma hepatite muito severa!”, explica Milton. “No dia 07 de janeiro de 2003 chegamos até as mãos do Dr Paulo Roberto Reichert, responsável pelos transplantes no Hospital São Vicente em Passo Fundo. No dia da consulta, o médico ignorou todos os exames e me disse: “vamos internar imediatamente!” Após a biópsia veio o resultado, do lado direito, meu  fígado estava 75% totalmente seco. Com esse resultado, o Dr. Paulo foi bem claro afirmando que o caminho seria longo, sugerindo então que já era hora de começar a  amadurecer a ideia para um transplante, porém afirmou que antes tentaria o impossível para recuperar o meu fígado.” comenta  Milton. 

Segundo Milton, entre as idas e vindas ao hospital com o sonho de recuperar os danos no fígado, de março a junho daquele ano, foram feitas todas as tentativas possíveis. Então, em 14 de julho iniciava a batalha na lista de espera por um transplante. Milton relembra como foi aquele ano – “2003 foi um ano muito difícil, olha se eu for lhe contar tudo é tempo. Foram duas encefalopatias, sendo uma com coma, quatro, cinco dias em coma, uma hemorragia nasal, uma úlcera. O que tinha que dar, deu. Foi uma bomba em cima da outra.” 

Na fila de espera havia 23 pessoas na frente de Milton e era necessário aguardar ansiosamente pelo chamado. O grande dia do SIM chegou e foi dia 10 de outubro de 2004. Neste dia a esperança na família Almeida se renovou. Todas as dificuldades passadas no último ano devido ao diagnóstico, haviam ficado para trás. A recuperação se deu de forma positiva e até hoje Milton agradece a família da doadora. “A doação de órgãos não é um assunto abordado no ambiente familiar. Ninguém quer conversar. Nossa família mesmo não falava disso. Você passa a se importar quando o assunto bate na sua porta. Você começa a conversar sobre o assunto, a educação da doação de órgãos deve ser falada nas escolas, pois o público jovem deve estar ciente disso. Basta um sim para que outra pessoa possa ter a chance de viver!” 

Perder um ente querido é uma situação onde ninguém deseja estar, mas é nesse momento onde a solidariedade deve falar mais alto. O doador deve informar a família sobre o seu desejo, pois somente ela tem autonomia para decidir pela doação após a morte do paciente.

Agradeço imensamente ao meu médico Dr. Paulo que foi indispensável em todo processo e também toda sua equipe do Hospital São Vicente de Passo Fundo. E sem falar é claro, na minha família. Minha esposa Verônica esteve comigo em todos os momentos, idas e vindas, nos momentos onde a gente acaba descontando todo o nervosismo, minha filha que também sempre esteve conosco nos dando força. Meu desejo é divulgar ainda mais a doação de órgãos e mostrar a sua importância. Eu tive outra chance e desejo que outras pessoas possam também ter!” finaliza Milton.

Autor: Rádio Cidade Ibirubá

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