Pandemia motiva queda de 47% na procura por mamografia

A queda no número de mamografias realizadas desde que começou a pandemia preocupa médicos e especialistas. O medo de contrair a doença e também o isolamento social estão afastando as mulheres dos exames preventivos contra o câncer de mama. Nesse período, 47% das brasileiras deixaram de ir ao ginecologista ou ao mastologista. Os dados são de um levantamento realizado pela Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec), a pedido da Pfizer. 

O levantamento ouviu 1.400 mulheres a partir dos 20 anos em seis cidades brasileiras, incluindo Porto Alegre, a capital brasileira com maior incidência de câncer de mama. Conforme observa o mastologista e conselheiro do Instituto da Mama do RS (IMAMA-RS), Ademar José Bedin Júnior, a queda importante na procura por exames de rastreamento de câncer, como a mamografia, ocorreu pois a população em geral considerou o risco de infecção pela Covid-19 ao sair de casa para a realização dos testes maior do que a chance de detecção precoce de um câncer, embora em nenhum momento as autoridades de saúde tenham feito esse tipo de recomendação. “A consequência disso, que já está sendo observada em nossos ambulatórios, é um aumento significativo no número de casos de câncer de mama diagnosticados em estágios mais avançados da doença, implicando na necessidade de tratamentos mais agressivos como mastectomias radicais e quimioterapia e em última instância no aumento da mortalidade”, alerta o médico. 

Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), no triênio de 2020/2022, o Rio Grande do Sul terá 4.050 casos novos de câncer de mama, sendo 69,50 a cada 100 mil habitantes. Em Porto Alegre, estimam-se 660 novos casos, sendo 81,82 a cada 100 mil habitantes. Outros impactos da pandemia. Além do menor número de diagnósticos precoces da doença, associados à redução na procura por exames de rastreamento, a pandemia trouxe mudanças de hábitos como o aumento do sedentarismo e consequentemente, a população ficou mais obesa. “A obesidade é um dos principais fatores de risco associados ao desenvolvimento de tumores malignos de mama”, lembra Ademar. 

Outro fator de risco também importante é a ingestão de bebidas alcoólicas em excesso, que também teve um aumento nesse período. “ É muito importante lembrar que a atenção aos fatores de risco modificáveis como obesidade e alcoolismo trata-se de prevenção primária do câncer de mama”, ressalta o médico. É sempre importante lembrar que identificar o câncer de mama nas fases iniciais é o maior aliado para o sucesso no tratamento, além de aumentar a chance de cura e a qualidade de vida. De acordo com o Instituto Oncoguia, 95% dos casos de câncer de mama diagnosticados no início têm possibilidade de cura. “A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda que todas as mulheres realizem o exame de mamografia anualmente a partir dos 40 anos de idade. É aconselhado também que elas tenham suas mamas examinadas através da palpação por um médico anualmente, na consulta de rotina”, orienta Ademar. 

O autoexame também é um aliado na prevenção ao câncer de mama. A orientação é que as mulheres observem e apalpem suas mamas durante o banho, na troca de roupas ou em outra situação que se sinta confortável. Segundo o Inca, não há  necessidade de aprender uma técnica de autoexame ou de seguir uma periodicidade regular e fixa, valorizando a descoberta casual de pequenas alterações mamárias suspeitas. Vale lembrar que apenas tumores com mais de dois centímetros costumam ser identificados no toque. E sempre que perceber qualquer alteração suspeita em sua mama, a mulher deve imediatamente buscar orientação médica.

Autor: Rádio Cidade Ibirubá

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *