Os cuidados com o coração para uma boa qualidade de vida

Dr. Jeferson Wollmeister responde perguntas sobre a saúde do coração

Os cuidados com o sistema cardiovascular e a importância para o bom funcionamento do organismo muitas vezes passa despercebido pela população, no entanto, o coração é determinante para a saúde, ele estando bem muitas outras funções também seguem bem. Com a Covid-19, o estresse, a hipertensão e o número de infartos aumentaram, trazendo um alerta para a importância do acompanhamento médico. Para responder algumas questões relacionadas ao tema, o cardiologista, Dr. Jeferson Wollmeister, explicou alguns questões em entrevista a Rádio Cidade e ao Jornal O Alto Jacuí, acompanhe: 

OAJ Entrevista: Como o vírus da Covid-19 afeta o coração? 

Dr. Jeferson: Ele pode causar uma inflamação no músculo do coração, chama-se miocardite, que pode passar despercebida, ou com uma dor no peito, e algumas pessoas, minorias, desenvolvem uma doença onde o coração começa a ficar fraco, insuficiência cardíaca e arritmia, outra complicação é o próprio infarto, como ele forma coágulos muito fácil, ele é fácil a formação de coágulos nas coronárias. 

OAJ Entrevista: O coração também sofre com os efeitos pós-covid? 

Dr. Jeferson: A síndrome pós covid é muito alta essa prevalência, a gente sabe que 70% das pessoas após seis meses tem pelo menos um sintoma do covid, seja cansaço, dor de cabeça, falta de ar, queda de cabelo, pelo menos tem algum sintoma. Muitas vezes é confundido porque tem outras doenças. É importante que quem está na faixa de 40, 50 anos, comece a realizar exames se não tem colesterol elevado, problemas no rim, fígado, diabetes. Basicamente esse são os cuidados, ver se não está iniciando uma hipertensão, que ao longo do tempo vai provocar um enfarte, derrame, insuficiências.

OAJ Entrevista: Como a hipertensão é caracterizada?

Dr. Jeferson:Para manter o fluxo de sangue adequado, o organismo dispõe de diversos mecanismos que mantêm o fluxo no cérebro, intestino, fígado, na medida que vamos que nosso organismo trabalha, esse mecanismo precisa ser adequado. O nosso sistema circulatório manda oxigênio e nutrientes para todos os organismos, tem que ter todo um aparato orgânico para que seja adequado, mas infelizmente por questões genéticas, que vem sendo estudado com o avanço da medicina, a genética faz com que esses mecanismos começam a falhar, a pressão aumenta, pois alguma substância deixa de ser produzida, ou porque tem uma liberação excessiva de cortisol. São diversos detalhes que ao longo do tempo vão falhando e fazem a gente ser hipertenso, perde o controle, quanto mais velho ficamos mais natural isso acontecer, sabemos que acima de 70, 80 anos é prevalente pelo envelhecimento do organismo, mas com o aumento de peso, sedentarismo, alimentação inadequada, faz provocar que os mecanismos envelhecem mais cedo, fazendo os vasos dilatarem, como o sedentarismo. 

OAJ Entrevista: A dormência dos membros é algum sinal de problemas circulatórios?

Dr. Jeferson: Dormência de órgãos, dificilmente é uma alteração orgânica, se acordou de noite tem um formigamento, perdeu força, isso pode ser um AVC. Mas se está só formigado só porque estava encolhido, isso geralmente é só uma alteração por estar comprimido. 

OAJ Entrevista: O estresse influencia nos problemas relacionados ao coração? 

Dr. Jeferson: A Sociedade Brasileira de Cardiologia criou um departamento para estudar o estresse e alterações do dia a dia no coração, o que é definido que pessoas que tem personalidade tipo A, competitiva, teimosas, mais “turronas”, têm mais incidência de doença cardíacas, pessoas que tem mais rancor, mal humor, as que vivem em cidade muito poluída, muito barulho, hoje existem várias incidências reais que existe. E tem a situação reversa, aquelas pessoas que são mais tranquilas, menos infarto ela tem em relação a pessoas normais.  

OAJ Entrevista: O que seria o cateterismo?

Dr. Jeferson: O cateterismo serve para fazer um diagnóstico. Sempre que você tem uma chance de obstrução de coronária, faz um cateterismo para ver se existe uma chance ou não, se existe diz que é 30% ou grave acima de 70%. Depois disso vai ser decidido, se vai colocar uma molinha ou a ponte de safena. Para decidir pela cirurgia a diferença é na quantidade de vasos, se tem mais de três vasos ou mais, em média 70% vai para a cirurgia, se não vai para angioplastia, a colocação da molinha. O cateterismo é o exame para definir qual caminho seguir, a ponte de safena pode fazer três, quatro, cinco, aí você estabelece o fluxo para melhorar o coração e a sobrevida da pessoa. 

OAJ Entrevista: Qual a diferença para o marcapasso? 

Dr. Jeferson: O marcapasso é diferente, existe o simples, quando a pessoa tem um bloqueio cardíaco, o coração não mantém uma frequência adequada, está a menos de 40 batimentos, coloca um marca passo para bater 60, 70 por minuto. Tem o marcapasso para fazer uma ressincronização, quando você tem um tipo de bloqueio diferente, onde na hora de contrair ele contrai errado, um diferente da outra, se colocar um marcapasso para fazer as duas baterem ao mesmo tempo. Outra forma é um aparelho que dá um choque dentro do coração para quem tem arritmia que causa morte súbita, ou tem varias veias trancadas, e o coração é fraco e certas indicação para colocar esse desfibrilador, que quando acontece dá o choque interno. 

OAJ Entrevista: O medicamento para a impotência sexual pode afetar o coração? 

Dr. Jeferson: Existem vários tipos de medicamentos, que agem no mesmo mecanismo, mas as características são diferentes, quem usa medicamento para pressão, diabete, existem alguns detalhes que é importante ser conversado para poder usar. Raramente a gente vai dizer que não pode, eles tem uma segurança muito grande, mas tem detalhes que podem ser importantes. A pressão da pessoa pode cair, pois são vasodilatadores. 

OAJ Entrevista: Os medicamentos para Covid-19 teve diferença na prática?

Dr. Jeferson: Faz diferença, quando você está no começo da doença, começar um tratamento antes, faz diferença no final. As pessoas podem pensar que se um fez e não deu certo, mas é como qualquer doença, muitas vezes dá certo, outras vezes não, toda doença, quanto mais cedo começa a tratar sempre será melhor o resultado. 

Autor: Rádio Cidade Ibirubá

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