Diego Franzen – A QUESTÃO RELIGIOSA

Um dos fatos históricos que marcou o segundo reinado foi denominado e “Questão Religiosa” e foi decisivo para a proclamação da República anos mais tarde.

Tudo começou em 1864, quando o papa Pio IX enviou uma bula que determinava, entre outras coisas, que todos os católicos envolvidos com a prática da Maçonaria fossem imediatamente excomungados da Igreja.

Valendo-se dos poderes garantidos pelo sistema de padroado, o imperador brasileiro Dom Pedro II, mesmo não sendo maçom, não achou justa a atitude e formulou um decreto em que não reconhecia o valor da ordem dada pela Santa Sé em termos de Estado.

Inicialmente, a ação de D. Pedro II não teve maiores repercussões, tendo em vista que a maioria dos clérigos brasileiros apoiava incondicionalmente o regime monárquico. Entretanto, D. Vital Maria Gonçalves de Oliveira, bispo de Olinda, e D. Antônio de Macedo Costa, bispo do Pará, preferiram acatar a orientação de Pio IX, promovendo a expulsão dos párocos envolvidos com a Maçonaria.

Inconformado com a insubordinação destes bispos, o imperador reagiu com a condenação dos mesmos à reclusão e prestação de trabalhos forçados. Imediatamente, os membros da Igreja passaram a atacar o regime imperial dizendo que D. Pedro II cometera um ato de extremo rigor e autoritarismo, o que não era típico de sua pessoa, que sempre fora conhecida por ser diplomático e apaziguador, entusiasta da cultura e da ciência, sendo amigo pessoal de Victo Hugo, Nietsche, Alexander Graham Bell e Sigmound Freud, entre outros.

Mesmo anulando a decisão posteriormente, o governo imperial perdeu uma fundamental e influente base de apoio político ao regime. E isso fortaleceu o movimento republicano.

Esse fato se somou ainda à desvalorização militar na Guerra do Paraguai (reclamava-se que o Governo dava prioridade à Armada, à Marinha), à perda do apoio da Igreja no que tange à questão religiosa, em 15 de Novembro de 1889, o maçom Deodoro da Fonseca acabou tomando o poder e exilando a Família Real. Dom Pedro II morrera dois anos depois, na Europa, sendo enterrado tendo em seu bolso um saco contendo terra brasileira, como seu último desejo.

Na ocasião Marechal Deodoro montava um cavalo baio e, até hoje, o Exército Brasileiro mantém, em Brasília, um cavalo baio, que é tratado e sempre usado na solenidade de 15 de novembro, em homenagem a este histórico dia de 1889.

Esta questão religiosa é um episódio decisivo na história do Brasil e mostra um dos motivos de que até hoje há divergências entre a Igreja católica e a Maçonaria e o assunto é polêmico, um tabu.

Todavia, a decisão de Pio IX não foi revogada. Aliás, foi ratificada pelo Papa João Paulo II em 1983. Hoje, um clérigo não pode ser maçom e um católico que frequenta a Maçonaria não pode, por lei papal, comungar, pois está em “estado de pecado grave” e só poderia fazê-lo se fosse ao confessionário e posteriormente largasse a vida maçônica. Aliás, a Maçonaria é tema até hoje um número incalculável de lendas urbanas no imaginário popular.

Hoje sabemos que muitos católicos ativos e atuantes são maçons. E ajudam nas ações beneficentes e humanitárias da igreja e os sacerdotes evitam esse tema e até fecham os olhos pra isso. É o começo de uma mudança neste conceito.

Autor: Rádio Cidade Ibirubá

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