Coluna Diego Franzen – Augusto dos Anjos, nosso Edgar Allan Poe

Quando eu estava na 7ª Série, o saudoso professor Antônio Licht me apresentou, em uma aula de literatura, um dos meus escritores favoritos. Augusto dos Anjos. E realmente foi algo que me encantou. Sua maneira sombria e quase ébria de descrever os fatos e sentimentos me fazem, de imediato, a fazer uma comparação com Edgar Allan Poe, outro autor que adoro.

Nosso poeta nasceu em 20 de abril de 1884, no Engenho Pau D’Arco, Vila do Espírito Santo, atual município de Sapé, na Paraíba. Filho de antigos senhores de engenho, o poeta vivenciou, desde a infância, a lenta decadência de sua família. O pai, bacharel em Direito, ensinou-lhe as primeiras letras até seu ingresso no Liceu Paraibano para cursar o ensino secundário.

 Em 1903, matriculou-se na Faculdade de Direito de Recife. Nesse período, começou a publicar alguns poemas no jornal paraibano O Comércio. Os versos chamaram a atenção dos leitores, principalmente de maneira negativa: o poeta foi tido como histérico, desequilibrado, neurastênico, qualidades que lhe seriam atribuídas ao longo da vida. Na Paraíba, foi apelidado de “Doutor Tristeza”.

Formado em 1907, Augusto dos Anjos nunca exerceu a profissão de advogado ou magistrado. Foi de Recife para a capital paraibana, onde passou a lecionar Língua Portuguesa e Literatura Brasileira. 

Augusto dos Anjos morreu aos 30 anos. É um dos exemplos de um fenômeno literário conhecido como “Mal do Século”, onde grandes talentos de nossa literatura morreram muito jovens, em um espaço de poucos anos. Augusto dos Anjos é provavelmente o mais original dos poetas brasileiros.

Para encerrar, cito uma de suas maravilhosas poesias, intitulada “Psicologia de um Vencido”

“Eu, filho do carbono e do amoníaco,

Monstro de escuridão e rutilância,

Sofro, desde a epigênese da infância,

A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,

Este ambiente me causa repugnância…

Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia

Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme — este operário das ruínas —

Que o sangue podre das carnificinas

Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,

E há-de deixar-me apenas os cabelos,

Na frialdade inorgânica da terra!”

Autor: Rádio Cidade Ibirubá

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