A saúde da mulher foi afetada durante a pandemia?

Dra. Juliana Mariotti esclareceu algumas dúvidas em relação a saúde da mulher 

A mulher é considerada o esteio de uma família, é ela muitas vezes a responsável por preparar as refeições, realizar a limpeza, cuidar dos filhos, do marido e ainda trabalhar. Essa dupla, ou até tripla jornada, que as mulheres precisam enfrentar desde muito tempo, foi ainda mais evidenciada com a Pandemia da Covid-19. Se em tempos normais as mulheres eram sobrecarregadas, imagina em uma época onde além de tudo, ainda há a preocupação com a saúde, os cuidados com o vírus, os cuidados com os familiares. E em meio a tudo isso, as mulheres se esquecem de algo essencial, cuidar de si próprias, principalmente da saúde. Em entrevista à Rádio Cidade e ao Jornal O Alto Jacuí, a ginecologista e obstetra Dra. Juliana Mariotti, falou sobre como anda a saúde das mulheres em tempos de pandemia. Entenda mais: 

OAJ Entrevista? As mulheres ficaram mais estressadas com a pandemia? 

Dra. Juliana Mariotti: Sem dúvida, existe o hormônio Cortisol que produzimos, que conforme o nível de estresse aumenta esse hormônio. Esse pico do cortiço, sem dúvida, prejudica, pois o que calamos emocionalmente acaba se transformando em uma doença física. Estamos com uma síndrome pós covid, que é um fato, seja pelo cortisol ou pela própria doença. Essa síndrome traz cansaço, problemas psiquiátricos e cardíacos.

OAJ Entrevista: A fertilidade feminina foi afetada?

Dra. Juliana Mariotti:As pessoas me perguntam se é recomendável engravidar ou esperar a pandemia. Não tenho muito acesso ao SUS, mas o volume de obstetrícia continuou igual, ao meu ver não afetou tanto a fertilidade, mesmo que as pessoas digam que estão esperando a pandemia. Mas acontece, as pessoas estão mais em casa e o número de gravidez continua.  Eu sou uma das profissionais que é a favor do protocolo precoce, eu tratei minhas gestantes com esses medicamentos. Muitas passaram e ficaram bem, assim como os bebês. Ainda não temos concreto se os bebês nascem com anticorpos ou não. O que o Ministério da Saúde orientou foi a vacinação para as gestantes, sabemos que está liberada mas cada um pensa se quer ou não vacinar. 

OAJ Entrevista: Como funciona a reposição hormonal em mulheres: 

Dra. Juliana Mariotti: Não é um tratamento caro, eu por exemplo trabalho com hormônios bioidênticos, que possuem menos efeitos colaterais, não causam câncer e depende da dose, do tipo. Eu trabalho há seis anos, existe em farmácias de manipulação e normais, que realizam. Existem vários tipos e quando falamos em para de usar, não existe uma idade limite, uma coisa é usar um hormônio igual ao meu, outra é usar de uma outra molécula, que daí pode aumentar o risco de trombose, enxaqueca, aumento da pressão, cada caso deve ser avaliado, o risco a gente faz conforme o histórico familiar.

OAJ Entrevista: Quais os métodos contraceptivos mais indicados? 

Dra. Juliana Mariotti:Sou uma defensora do DIu, a gente sabe que existem muitos metodos contraceptivos, metodos convencionais, métodos como o anticoncepcional, o DIU é mais eficaz que a pílula, mas também tem suas falhas, a laqueadura e vasectomia também tem suas falhas. É muito raro esse fato de um bebe nascer com o DIU, quando acontece gravidez existe um risco de aborto, de nascimento prematuro, não existe relato de má formação, mas pode falhar, de cada 100 mulheres 0.8 podem engravidar com o DIU. O anticoncepcional é em torno de 0.5 a 3% de falhas, depende do medicamento e a forma de usar. Quem coloca o DIU é importante fazer um controle anual, colocar e ver que em 30 dias  se está no mesmo lugar. 

OAJ Entrevista: Quais as características da fase do climatério? 

Dra. Juliana Mariotti:Quando as mulheres têm 30 a 45 anos, começa a sentir uma irritabilidade, ter ciclos menstruais diferentes, cansaço físico e aumento de peso, são sintomas que os hormônios já começaram a diminuir. É importante que as mulheres percebam esses sintomas e já iniciem uma reposição hormonal. Já quem não apresenta segue normal, mas vale lembrar que o antienvelhecimento é um banco de três pernas, a atividade física, uma dieta balanceada e os hormônios. 

OAJ Entrevista: O que seriam os ovários policísticos? 

Dra. Juliana Mariotti:A síndrome dos ovários policísticos é uma alteração hormonal, que faz com que as mulheres tenham mais hormônios masculinos, ou seja, as mulheres não ovulam além de ter no útero inúmeros micropolicistos, aumento do hormônio insulina, geralmente um tratamento para isso não é feito só com anticoncepcional, mas também aumento de peso, de pêlos, essas mulheres precisam de um tratamento multidisciplinar, fazendo dietas para normalizar os sintomas? 

OAJ Entrevista? Com que idade é ideal levar as meninas a ginecologista?

Dra. Juliana Mariotti:Na verdade não tem uma idade ideal, mas recomenda que quando menstruam na primeira vez seja levada, porque elas ficam com muitas dúvidas,não sabem para que serve, o que vai acontecer, geralmente é uma consulta de orientação.

OAJ Entrevista: Como é identificada a endometriose?

Dra. Juliana Mariotti:A endometriose é uma doença inflamatório, quando o endométrio vai para outros locais, fazendo focos que pode ficar no intestino, ovário, e quando a mulher menstrua ela tem sangramento nesses pontos, com dores fortes, cólicas, dores na relação, dores fora do período menstrual. Muitas vezes precisa até de cirurgia, mas agora tem tomografias, ultrassom, que pode ter mais certeza do resultado. 

OAJ Entrevista: Quais as causas da Candidíase? 

Dra. Juliana Mariotti:A candidíase, é um tema bem complexo, a candida é um tipo de fungo que mora em nosso intestino, não é algo que adquire, quando aumenta é o desequilíbrio da flora vaginal, além também do uso de antibióticos, estresse, aumento de insulina. As vezes ela pode ser crônica e todos os meses a pessoa ter, o que vai acabar exigindo uma mudança de hábitos. 

OAJ Entrevista: A ferida no colo do útero pode ser benigna?
Dra. Juliana Mariotti:Sim, a ferida às vezes pode ser benigna, que não precisa cauterizar, e se é HPV, é um vírus que não tem cura, se ela teve HPV pode voltar, porque tem uma lesão viral, então precisa de um tratamento, acompanhamento, mas pode voltar em alguma frequência. 

Autor: Rádio Cidade Ibirubá

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