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Entrevistas

OAJ entrevista Dayala Marina Ubessi Streit

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A Semana Farroupilha é comemorado com desfiles e eventos em homenagem a Revolução Farroupilha que ocorreu em 20 de setembro de 1835, e foi a mais longa revolução do Brasil, que durou quase dez anos e tinha como ideal liberdade, igualdade e humanidade. A semana farroupilha é uma semana que todos gaúchos vão para as ruas comemorar tomando um chimarrão. Para saber o que significa essa semana para uma prenda, conversamos com Dayala Marina Ubessi Streit, 20 anos, nascida e criada em Ibirubá, Técnica em Agropecuária pelo IFRS – Campus Ibirubá e acadêmica do curso de Agronomia do IFRS – Campus Ibirubá.

A prenda Dayala já foi 

1ª Prenda Mirim do CTG Rancho dos Tropeiros 2009/2010

1ª Prenda Mirim da 9ª Região Tradicionalista 2010/2011

2ª Prenda Mirim do Rio Grande do Sul 2011/2012

1ª Prenda Juvenil do CTG Rancho dos Tropeiros 2014/2015

1ª Prenda Juvenil da 9ª Região Tradicionalista 2015/2016

2ª Prenda Juvenil do Rio Grande do Sul 2016/2017

Prenda do CTG Rancho dos Tropeiros 2018/2019

e atualmente é 1ª Prenda da 9ª Região Tradicionalista 2019/2020

OAJ Desde quando iniciou no CTG?

Iniciei no tradicionalismo em agosto de 2007, aos 8 anos de idade, participando da invernada Artística Pré-Mirim do CTG Rancho dos Tropeiros. Aos 10 anos fui convidada para ser Prenda Mirim da entidade. Com a conquista da primeira faixa veio a ideia de alçar sonhos maiores, que com dedicação realizei todos até o momento. Além de ser Prenda de Faixa, já dancei nas invernadas Mirim, Juvenil e Adulta dentro desta entidade onde dei meus primeiros sarandeios. Desde os 10 anos participo também de Cavalgadas, com meu pai Marino e meu irmão Djônathan. Em 2016 recebi o título de Cavaleira Aspirante da ORCAV (Ordem dos Cavaleiros do RS). Em 2018 comecei a participar também de Rodeios Artísticos na categoria Declamação Feminina, onde neste ano participarei pela 2ª vez de uma Inter-Regional do ENART.

OAJ Qual suas referência dentro do CTG?

Não tenho uma pessoa como referência, mas todas as pessoas que me auxiliaram e me impulsionaram são exemplos para mim e seria injusto citar um nome se várias pessoas são, para mim, inspirações de tradicionalistas.

OAJ: Qual o papel da prenda no CTG e fora dele?

O papel da prenda de faixa é muito mais abrangente do que se imagina. Somos pessoas que lutamos não só pelo culto a tradição gaúcha, mas também, por uma sociedade mais justa e igualitária. Por isso desenvolvemos projetos tanto dentro do CTG, como na sociedade, como visitas às escolas, por exemplo.

OAJ: A importância de cultuar as tradições gaúchas?

A forma de cultuar as tradições gaúchas vai muito além de comer um churrasco, tomar um chimarrão e saber dançar as danças tradicionais gaúchas. O culto a tradição gaúcha tem um papel social, de preservar os núcleos culturais, com valores morais. Hoje, os CTG´s são as únicas entidades onde todas as gerações convivem em perfeita harmonia.

OAJ: Qual a importância dos CTGs para manter viva a cultura gaúcha?

O tradicionalismo e as primeiras entidades tradicionalistas têm pouco mais de 50 anos de história, e a cultura gaúcha, cerca de 300 anos, algo novo ao analisar o tempo do mundo. Os CTG´s servem-se da cultura gaúcha, através das suas manifestações artísticas, literárias, esportivas e recreativas que enaltecem a figura do gaúcho para reforçarem um núcleo cultural. Através da experiência adquirida ao participar de uma entidade tradicionalista, o gaúcho sente orgulho em colocar uma pilcha que conta um pouco da nossa história, além de preservar valores importantes para nossa sociedade, como a honra a palavra empenhada, o respeito entre as pessoas, os valores morais e éticos, que por vezes estão caindo em esquecimento pela sociedade. E deve ser lembrado sempre, que através da manutenção da cultura gaúcha conseguimos aproximar as mais diversas gerações e grupos sociais com um único objetivo, assim fortalecendo não só a cultura gaúcha, mas a sociedade.

OAJ: Como vê o tradicionalismo hoje e como vê no futuro?

O tradicionalismo organizado tem diversos documentos que norteiam as ações dos tradicionalistas e das entidades, porém vejo que infelizmente parte desses documentos não são colocados completamente em prática. Acredito que isso ocorra porque ainda temos um longo caminho de quebra de paradigmas e de inserção de valores que foram perdidos com o tempo em nossa sociedade. Somos meros voluntários que doamos nosso tempo e nossa disposição para trabalhar para essa causa, mas mesmo sendo tradicionalistas, não somos perfeitos, porém trilhamos um caminho de fortalecimento da sociedade. Por isso, espero que esse trabalho “de formiguinha” que os tradicionalistas realizam seja mais valorizado pela comunidade, que o poder público e privado invista no ingresso e permanência principalmente de crianças e jovens, pois o meio tradicionalista constitui uma família, que presta apoio e ensina valores fundamentais para a vida em sociedade.

OAJ: Quais suas referências da cultura gaúcha?

Como a cultura é algo social, todas as pessoas que deixaram um legado são referências para as futuras gerações. Existem escritores, pesquisadores e folcloristas que deixam registrada essa cultura, e servem de referência para nós, tradicionalistas. Barbosa Lessa e Paixão Côrtes, por exemplo, nos legaram a pesquisa de todas as danças tradicionais gaúchas que temos hoje. Além do legado do próprio tradicionalismo iniciado pelos jovens em 1947.

OAJ: O que significa a Semana Farroupilha para uma prenda?

A Semana Farroupilha é o momento onde a sociedade se volta ao culto às tradições gaúchas, por isso é importantíssima e serve como um veículo de projeção do trabalho realizado pelos tradicionalistas durante todo o ano. Talvez também sirva como um momento de reflexão sobre toda a história que ocorreu em solo gaúcho que serviu para a formação do gaúcho como ele é hoje. A semana farroupilha é muito associada a Revolução Farroupilha (1835-1845) por ter tido seus “heróis”, mas é necessário a lembrança de todos que fizeram com que essa revolta fosse tão importante para a construção da nossa identidade como povo gaúcho.

OAJ Deixe uma mensagem do seu sentimento em relação às nossas tradições gaúchas

Cyro Dutra Ferreira, um dos pioneiros do tradicionalismo disse algo que retrata o tradicionalista: “Mais cedo ou mais tarde, sempre chegará o dia em que teremos certeza de que não foi em vão, termos feito, sempre que possível, um pouquinho além daquilo que era nosso estrito dever.”

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OAJ ENTREVISTA: Projeto do IFRS -Campus Ibirubá contempla pacientes asmáticos

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O OAJ ENTREVISTA desta semana traz uma conversa com o professor do IFRS- Campus Ibirubá, Edimar Manica, ele é Doutor em Ciência da Computação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), coordenador de Desenvolvimento Institucional no IFRS – Campus Ibirubá. Ele coordena um projeto que visa ajudar os pacientes que sofrem de asma, em parceria com um empresa o projeto de pesquisa pode ajudar a monitorar e classificar a gravidade da doença. O IFRS fornece a infraestrutura para a execução do projeto (laboratórios de informática e internet), horas dos professores do curso de Ciência da Computação para atuar no projeto e bolsas de pesquisa para os estudantes. O projeto conta com uma bolsa disponibilizada pelo IFRS, uma bolsa fornecida pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Ciêntífico e Tecnológico) e uma bolsa fornecida pela Clínica CIEMP.

Visita técnica Clínica do Pulmão Passo Fundo/RS



OAJ O que é o projeto de monitoramento de pacientes asmáticos?

O projeto denominado Desenvolvimento de um Sistema Especialista para Classifica- ção de Pacientes Asmáticos tem como objetivo criar um software Web que classifi- que os pacientes com relação a gravidade de sua asma e, a partir dessa classificação, forneça recomendações personalizadas para esses pacientes que os auxiliem na autogestão de sua doença. Informalmente, poderíamos dizer que estamos criando um site que irá fazer perguntas para os pacientes asmáticos e a partir das respostas obtidas serão fornecidas dicas de boas práticas que auxiliarão no controle de crises e, consequentemente, na melhora da qualidade de vida.

OAJ Em que fase está?

O projeto está no segundo ano de execução. Atualmente, estamos na fase de disponi- bilização da primeira versão do software para a Clínica CIEMP, que é parceira nesse projeto. O software aplica três questionários aos pacientes e a partir das respostas classifica os pacientes quanto a gravidade da asma. Os três questionários e a perio- dicidade em que os pacientes precisam respondê-los foram definidos por médicos especialistas em pneumologia da Clínica do Pulmão de Passo Fundo/RS. O software também permite que especialistas adicionem recomendações de boas práticas para a autogestão da asma e configurem para qual perfil de paciente cada recomenda- ção deve ser apresentada. Antes da Clínica CIEMP disponibilizar o software para os pacientes, é necessária a criação dessas recomendações, que podem ser imagens, vídeos, textos ou uma combinação desses.

OAJ Como vai funcionar esse monitoramento?

O paciente asmático terá um cadastro no sistema desenvolvido. Nesse software, ele irá responder questionários periodicamente. Um questionário deve ser respondido mensalmente e os outros dois trimestralmente. Após responder ao questionário, o sistema realiza a classificação desse paciente e começa a fornecer recomendações personalizadas de boas práticas que podem auxiliar na diminuição de crises de asma. Quando o paciente responde novamente os questionários, o software reclas- sifica esse paciente e fornece novas recomendações a partir do novo perfil identifi- cado. Além disso, o software também considera o período do ano para apresentar as recomendações, uma vez que algumas boas práticas são específicas para deter- minada estação do ano (por exemplo, o inverno). Também, já estamos trabalhando em uma segunda versão do software que irá considerar a previsão do tempo para definir qual recomendação será exibida.

OAJ Qual a importância desse projeto para os pacientes?

A asma é uma doença crônica que afeta cerca de 300 milhões de pessoas ao redor do mundo, dentre seus principais sintomas destacam-se a dificuldade na respiração e as chamadas crises asmáticas. Essa doença pode se agravar dependendo de alguns fatores, como o acúmulo de pó no ambiente, o nível de poluição, e a umidade relativa do ar, dentre outros. Para minimizar os sintomas da asma, existem alguns tratamen- tos médicos. Outro fator relevante na melhora da qualidade de vida dos pacientes asmáticos é a autogestão da asma, ou seja, o paciente precisa conhecer e adotar de- terminadas práticas. De acordo com um estudo publicado recentemente na revista portuguesa de imunoalergologia os pacientes asmáticos precisam estar capacitados “para reconhecer precocemente os sinais de agudização e para desenvolver competências para melhor gerirem a sua doença e travar a sua deterioração”. Nesse contexto, o projeto visa desenvolver um sistema que auxilia o paciente na autogestão da asma por meio de recomendações personalizadas, ou seja, específicas para o perfil de cada paciente. Para a identificação desse perfil, além de analisar o histórico de crises, o sistema também avalia o grau de ansiedade e depressão do paciente.

OAJ Qual o papel da Ciência da Computação nesse projeto?

O papel do Curso de Ciência da Computação do IFRS – Campus Ibirubá nesse projeto é capacitar os alunos para realizar as seguintes ações: 1) Identificar os requisitos necessários. Os alunos aprendem no curso técnicas de Engenharia de Software, como entrevista, observação e análise de documentos; 2) Documentar os requisitos. O curso aborda formas de documentar os requisitos que são utilizadas internacionalmente, tais como diagramas de Casos de Uso e de Classes; 3) Definir as tecnologias mais apropriadas para solucionar o problema em questão. No curso, os alunos se apropriam de tecnologias que contribuem para um desenvolvimento ágil, como, por exemplo, a ferramenta GIT que propicia o controle de versões; 4) Implementar o software usando uma Linguagem de Programação, um Sistema de Gerenciamento de Banco de Dados e frameworks. A matriz curricular do curso de Ciência da Computação do IFRS – Campus Ibirubá contempla diferentes paradigmas de programação e de armazenamento de dados. Além disso, são ofertadas oficinas sobre os frameworks mais utilizados no mundo do trabalho; 5) Avaliar o software desenvolvido em termos de eficácia e usabilidade. Os alunos do curso são capacitados para realizar testes no software que analisem tanto as funcionalidades quanto a interface de modo que o software produzido forneça os resultados esperados e também propicie uma boa experiência de uso; 6)Implantar o software. O curso também aborda questões relacionadas a Sistemas Operacionais, Redes de Computadores e Segurança da Informação, as quais são necessárias para a disponibilização de um software na Web.

OAJ Existe uma parceria com alguma empresa da área da saúde?

O projeto está sendo desenvolvido em parceria com a Clínica CIEMP (Clínica Integrada de Especialidades Médicas e Psicológicas), situada na Rua Dumoncel Filho, 1006, sala 101, centro – Ibirubá/RS. A CIEMP realiza o pagamento de uma bolsa para um aluno do Curso de Ciência da Computação e também disponibiliza horas do Dr. Enrique Pokulat para colaborar com o projeto. Além disso, fizemos uma visita na Clínica do Pulmão em Passo Fundo por intermédio da Clínica CIEMP. Nessa visita, conversamos com dois especialistas em pneumologia que nos orientaram sobre quais questionários aplicar e a periodicidade de aplicação. Destaca-se que esse é um sistema para apoiar os médicos, não para substituir, uma vez que todas as recomendações serão definidas e configuradas por médicos. Além disso, o sistema não indicará nenhum tratamento, apenas auxiliará o paciente a seguir o tratamento indicado pelo médico de forma adequada.

OAJ O contingenciamento deste ano afetou o projeto?

O contingenciamento deste ano não afetou diretamente este projeto por dois motivos principais. Primeiro, o IFRS fez um esforço para manter as bolsas de pesquisa durante todo o período. Segundo, o projeto não necessitava de aquisições de equipamentos ou materiais para seu andamento. No entanto, outros projetos de pesquisa do Campus foram impactados porque demandavam a aquisição de materiais e essa aquisição atrasou vários meses em função do contingenciamento. Por exemplo, um projeto de pesquisa que demandava um reagente para realizar análises de solos.

OAJ Quem são os membros?

Os membros do projeto, em ordem alfabética, são: Andressa Lovatto Soares – aluna do Curso de Ciência da Computação do IFRS – Campus Ibirubá e bolsista de pesquisa responsável por implementar as recomendações a partir da previsão do tempo, que será extraída da Web. Edimar Manica – docente do Curso de Ciência da Computação do IFRS – Campus Ibirubá e coordenador do projeto. Enrique Pokulat – médico da Clínica CIEMP, responsável por fornecer as informações técnicas da área médica. Lisiane Reips – aluna do Curso de Ciência da Computação do IFRS – Campus Ibirubá e bolsista responsável por implementar os cadastros e relatórios do sistema. Rafael Muller Gruhn – aluno do Curso de Ciência da Computação do IFRS – Campus Ibirubá e bolsista de pesquisa responsável por implementar a aplicação dos questionários, a classificação dos pacientes e a definição das recomendações.

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OAJ ENTREVISTA | PROFESSORA ELIANE DA ESCOLA RINCÃO SECO

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A semana foi marcada por uma data muito especial, no dia 15 de Outubro se comemorou o Dia do Professor, e para fazer uma justa homenagem, a equipe do OAJ, traz uma entrevista super bacana com a Professora Eliane.

Confira, Eliane Gonçalves Bairros Alves, é professora e atua na: Escola Municipal de Ensino Fundamental Rincão Seco.

Professora e seus alunos da Escola Municipal Rincão Seco

OAJ: Quanto tempo está na carreira? 

Sou formada há 17 anos. Destes, 4 anos sou professora municipal concursada. Porém sempre estive em contato com as crianças, como professora substituta e catequista. 

OAJ: Porque você decidiu seguir a carreira de professora?

Primeiramente porque há sentimentos envolvidos. Amor e respeito. O amor de meus pais e seus ensinamentos, eles foram meus primeiros professores. O incentivo que me deram por a profissão que escolhi ter e ser. Segundo pela admiração, amor, carinho, ensino que tive ao longo de meus estudos pelos professores que participaram desse caminho. Terceiro, por todo carinho, amor, troca de conhecimentos quando estagiária. Tudo só me fez ter mais certeza da profissão maravilhosa que escolhi para minha vida. Amo ser professora, ensinar e aprender com meus alunos.

Quais os principais desafios da profissão?

Creio que um dos desafios seja a internet/tecnologias. Em tempos digitais, de google, de youtube, onde o  saber algo está nas pontas dos dedos ou em clics, planejar aulas interessantes, prazerosas, divertidas e que ao mesmo tempo mantenha a atenção dos alunos seja algo bem desafiador. Outros fatores são os diferentes níveis de aprendizagens na turma identificar-compreender-auxiliar. Imaturidade-emoções, visto que cada aluno tem o seu tempo e realidade de desenvolvimento. Comprometimento e responsabilidades de alguns Pais em relação aos filhos, participação, acompanhamento e a parceria  entre família e escola.

OAJ: O que te motiva a continuar?

O amor por meus alunos e minha profissão.  Acreditar que a vida de cada aluno vale o meu tempo: tempo de planejamentos em que procuro, pesquiso algo novo, diferente, prazeroso para Eles. O tempo que dedico na escola para ajudá-los a pensar, buscar respostas, brincar… O tempo que enquanto mãe/esposa em minha casa ou até nos momentos de lazer, Eles estão sempre em meus pensamentos, porque Eles são também um pouco meus filhos (tenho esse sentimento e preocupação como mãe, avó e até mesmo pai, como já fui chamada!). Acredito em minha profissão e na grande importância que tem na sociedade, “somos os únicos que formam todas as outras profissões” embora não seja respeitada e valorizada como deveria. Enfim, são os pequenos gestos de carinhos vindos dos alunos diariamente é o que me motiva continuar e dizer com maior orgulho que sou professora sim!

OAJ: Qual a realidade da Escola Municipal Rincão Seco?

A Escola Rincão Seco se caracteriza por ser uma Escola do Campo que tem em média 90 alunos, sendo da própria localidade e localidades vizinhas, além de alunos que se deslocam diariamente da cidade para a Escola.

A Escola tem se consolidado pela metodologia de projetos que busca o protagonismo e autonomia dos alunos e o professor ganha um novo papel: torna-se um mediador das relações de aprendizagem, e orientador que procura ajudar o aluno a encontrar sentido naquilo que está aprendendo.

OAJ: Como funciona o projeto Fala Professor e qual a motivação de participar?

O Prêmio Fala Professor 2019, é direcionado a professores de escola pública municipal, que tenha executado em 2018 ou esteja executando em 2019 um projeto que potencializa a aprendizagem, criatividade, cooperação dos alunos e engajamento local. O prêmio é dividido em categorias: educação infantil, anos iniciais, anos finais e música na escola. Primeiramente o participante precisa produzir um vídeo de no máximo 3 minutos para apresentar o projeto (cada um usa sua criatividade para produzir). Em seguida deverá publicar em modo público no seu canal pessoal do Youtube, seguindo as exigências, para só então no ato da inscrição inserir o link gerado do vídeo no canal.

Qual a motivação de participar?

Através de um dos assessoramentos do Projeto União Faz a Vida, a professora Carolina, orientadora pedagógica de nossa escola, comentou com a assessora Rita Vargas(PUFV)de meu interesse em apresentar e participar de prêmios e/ou  menções através de projetos que realizei na escola. A Rita falou então deste prêmio e na mesma noite acessei a página e tratei de preparar tudo para a inscrição.

OAJ: Que projeto está cadastrado no Fala Professor?

O projeto “CONHECENDO MAIS SOBRE A ÁRVORE DOS DESEJOS”, desenvolvido dentro da metodologia do Programa a União Faz a Vida, que nasceu de uma expedição investigativa na Praça da Lagoa, no município de Lagoa dos Três Cantos, com os alunos da educação infantil e dos anos iniciais da escola, é que está cadastrado.

OAJ: Qual a premiação? Como a comunidade pode ajudar para divulgação?

A comissão avaliadora formada por especialistas na área da educação, selecionará 3 (três) projetos em cada categoria e na data de 22 de novembro de 2019, divulgará na página do Prêmio, os selecionados. Apenas em 12 de dezembro de 2019 no evento de premiação, serão divulgados os projetos e professores destaques em cada categoria, recebendo a premiação com valor líquido de R$ 5 mil reais o professor destaque e suas respectivas escolas o valor de R$ 10 mil reais.

O prêmio não visa uma competição de divulgação, nem likes, curtidas, compartilhamentos. Os processos de avaliações são confidenciais e nenhum projeto terá revelado nota ou parecer, segundo o regulamento do Prêmio. Porém, penso que uma vez assistido o vídeo e deixado o seu like, talvez possa ajudar no ato da avalição pelos especialistas.

Mensagem final

Agradeço aos meus alunos por ter escolhido este tema. O empenho, ajuda e participação de cada um deles no decorrer desses seis meses foi fundamental para alcançarmos os objetivos propostos. Obrigada à Direção pela ajuda, pelo apoio. Obrigada aos alunos e professoras do turno da tarde, juntamente com suas famílias por colaborarem no momento de encerramento e compartilhar o aprendizado adquirido. Sou grata a cada troca de saberes, a cada gesto de carinho, a cada reconhecimento.  Independente de o Projeto ser ou não premiado, todos os envolvidos saem ganhando com novas aprendizagens, troca de saberes e experiências vividas.

Departamento de Jornalismo Rádio Cidade/O Alto Jacuí

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Entrevistas

O que é, na verdade, uma cidade inteligente

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Por: Jocelito André Salvador, Founder e CEO da Conducere Inteligência Corporativa. Mentor e assessor de Smart Business. Professor universitário, com ênfase em controladoria, educação corporativa, gestão do conhecimento e inovação. Coautor do livro Inovação e Cidades Inteligentes: desafios e oportunidades para as cidades do século XXI.

Participação especial: Drª. Giovana Goretti Feijó de Almeida, pós-doutoranda em cidade digital estratégica pela PUCPR, doutora em desenvolvimento regional e especialista em branding e place branding. E-mail: goretti.giovana@gmail.com

Iniciamos aqui uma série de postagens, que procuram trazer à tona três assuntos, que vamos aprofundar gradativamente: inovação, empresas e cidades inteligentes.

De uma forma ou de outra, estes três assuntos estão ou vão logo estar na sua mente e nos seus planos estratégicos. Sejam estes de ordem pessoal ou profissional.

Para auxiliar no aprofundamento destes assuntos, convidamos para estar com a gente nesta série de postagens a Profa. Dra. Giovana Goretti Feijó de Almeida.

A Dra. Giovana, inclusive, foi uma das organizadoras da obra Inovação e Cidades Inteligentes: desafios e oportunidades para as cidades do século XXI. Obra da qual a Valeska Schwanke Fontana Salvador e eu participamos, juntamente com autores de outras partes do Brasil, assim como Argentina e Portugal.

Pois bem, vamos começar a falar sobre o que são as ditas cidades inteligentes.

Perguntamos à Dra. Giovana: qual é a sua visão de uma cidade inteligente?

[Dra.. Giovana]: A cidade inteligente vai além da mera aplicação de recursos tecnológicos no contexto urbano ou da proposta de soluções sustentáveis ambientalmente. A cidade inteligente do futuro envolve tecnologia, sustentabilidade, mas também criatividade e a articulação estratégica de todos esses fatores entre si e com o meio urbano. É muito mais complexo e há muitas críticas quanto ao uso do adjetivo inteligente nesse contexto.

As cidades contemporâneas já são complexas por natureza e vir a se tornar uma cidade inteligente nessa situação é ser uma cidade inteligentemente sustentável, criativa e estratégica no uso dos recursos de que dispõe. Muitas vezes, as cidades não têm recursos financeiros para implantar alta tecnologia, mas possuem criatividade para propor mudanças positivas com os recursos que já possui.

Nesse sentido, não se fala em cidades inteligentes, mas em cidades inteligentemente sustentáveis e criativas que conseguem se articular estrategicamente local e em múltiplas escalas. Além disso, fala-se em outros tipos de cidades, como as digitais e as cidades digitais estratégicas. Todas possuem conceitos e metodologias diferentes em suas implantações. 

Vejam que relevantes considerações estão aqui tratadas. Vale considerar, em especial, que mesmo que a cidade (o município) não tenha grandes recursos para aplicar em tecnologias de ponta, vale muito investir na articulação local e regional para desenvolver as criatividade das pessoas. Isto para que tais cidades tornem-se inteligentemente sustentáveis e criativas.

Inclusive, numa cidade que pode ser assim considerada há características muito claras, dentre elas:

  1. Incentivo à inovação, especialmente para as empresas que já estão lá instaladas.
  2. Incentivo ao empreendedorismo seja dos jovens, seja das pessoas mais maduras, as quais desejam mudar de carreira ou desejam investir em outra área de negócio.
  3. Foco no desenvolvimento empresas inteligentes. Assunto este que vamos tratar com mais ênfase na próxima edição.

Aliás, o mais importante aqui é saber que estas soluções são para a sua cidade (o seu município). Especialmente quando falamos na rica região do Alto Jacuí.

Até a próxima!

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Prestes a fechar as portas o IFRS Campus Ibirubá clama por apoio dos vereadores para garantir a manutenção da Instituição

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O campus hoje conta com 67 professores, 53 técnicos administrativos, 22 trabalhadores terceirizados e 1025 alunos, sendo que 40% desses alunos moram em Ibirubá.

Na noite de segunda-feira, 09, ocorreu a 19ª Sessão Ordinária da Câmara de Vereadores de Ibirubá, em que foi aprovada por unanimidade a moção de apoio ao IFRS-Campus Ibirubá. O Diretor de Desenvolvimento Institucional Prof. Dr. Edimar Mânica e dois alunos tiveram oportunidade de explanar a necessidade de permanência do Instituto em Ibirubá. 

A moção de apoio visa demonstrar nossa imensa preocupação com a situação atual e esperamos apoio de todos os Deputados Federais e Senadores para que o IFRS continue sendo uma Instituição inclusiva, pública, gratuita e de qualidade.

‘’É de muita importância que o IFRS- Campus Ibirubá tenha apoio e articulação com deputados e senadores e também possa abrir um debate público no Campus sobre o programa Future-se’’, destacou o Diretor Edimar. A cobrança para que os políticos tenham iniciativas com pautas relativas à educação, além da participação dos eventos promovidos pelo IFRS, também foi levantada. 

Previsões Orçamentárias
O histórico dos orçamentos do IFRS- campus Ibirubá vem decrescendo ano a ano e em contrapartida o número de alunos só cresce. No ano de 2013 a previsão orçamentária do IFRS era de R$ 2,371 milhões e em 2019 o orçamento previsto estava em R$ 2,801 milhões. É percebido que o orçamento permanece quase igual (conforme gráfico), mas o número de estudantes passou de 375 em 2013 para 1025 em 2018. Segundo o Diretor Edimar ao longo desse período, com o orçamento praticamente o mesmo, foram implementados no campus uma série de cortes, sendo necessário reduzir postos de trabalho, implicando na necessidade de reorganização no funcionamento da Instituição, redução no fornecimento de almoços para os alunos do ensino médio integrado, no qual deixaram de receber almoço subsidiado nas quartas e sextas-feiras, dias reservados para reforço escolar e desenvolvimento de projetos.

Fonte: Apresentação IFRS


Cristiane Brauner, Diretora de Administração e Planejamento do Campus, traça o panorama atual do Campus que tinha um orçamento previsto para 2019 de R$ 2.801.830 reais, destes 62,5% foram liberados os outros 37,5% estão contingenciados e não há previsão para a sua liberação. Segundo a diretora Cristiane se o contingenciamento se mantiver todos os contratos serão suspensos no final de outubro, exceto de energia que se mantém até novembro. As bolsas de ensino, pesquisa e extensão estarão comprometidas já que possuem aporte orçamentário até outubro.  Não havendo reversão do bloqueio o Campus deixará de receber mais de 1 milhão de reais, que irá afetar serviços de vigilância, imprescindível para garantia dos 101 hectares do Instituto, serviços de limpeza, fornecimento das refeições dos alunos, internet, viagens técnicas, manutenção predial, aquisições de materiais para aulas práticas, aquisição de equipamentos para laboratórios, materiais para pesquisa e extensão, o que torna inviável o seu funcionamento. Com o ano de 2019 comprometido, a expectativa é pela liberação do orçamento contingenciado para regularizar os serviços nos próximos meses.

Além disso, pela primeira vez, o IFRS não conseguirá pagar o auxílio estudantil em sua integralidade neste mês de setembro. Como não obteve a liberação total do orçamento para o período, a instituição precisou redimensionar os recursos de auxílio-moradia e auxílio-permanência. 

Semana de negociações em Brasília pela liberação do orçamento
Para tentar reverter o bloqueio de recursos das instituições de ensino federais, a primeira semana de setembro de 2019 foi marcada por reuniões de dirigentes da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica em Brasília. Na terça-feira, 3 de setembro, reitores de institutos e universidades federais, entre eles o reitor do IFRS, Júlio Xandro Heck, se encontraram com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. 

Ministro sinaliza possibilidade de descontingenciamento
Na quarta-feira, 4 de setembro, foi a vez de a diretoria executiva do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif) participar de reunião com o ministro da Educação, Abraham Weintraub. Conforme o Conif, o ministro sinalizou a possibilidade de descontingenciamento de até 80% do quantitativo dos recursos orçamentários bloqueados em 2019. Conforme texto do Conif, o ministro se comprometeu a buscar recursos no Ministério da Economia e afirmou não ver impedimentos para a liberação de 80% dos recursos bloqueados ainda neste mês. 

Trecho da Moção de Apoio  

‘’Diante da importância do Instituto Federal para o desenvolvimento dos Municípios integrantes da ASCAMAJA, vimos através deste demonstrar nossa imensa preocupação com a situação atual e esperamos apoio de todos os Deputados Federais e Senadores para que o IFRS continue sendo uma Instituição inclusiva, pública, gratuita e de qualidade.” 

fotos Comunicação IFRS-Campus Ibirubá

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[OAJ Entrevista] Setembro Amarelo, com Maria Eduarda Facco

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Esse semana no OAJ ENTREVISTA, o tema abordado é o Setembro Amarelo, e para quem ainda não conhece o assunto, nossa equipe conversou com a Maria Eduarda Rossato Facco que é Psicóloga e explica um pouco mais sobre depressão, suicídio, já que o mês de setembro visa alertar as pessoas sobre isso. E o porquê da escolha do mês de setembro e sua cor amarela? Bom, essa é uma campanha brasileira de prevenção ao suicídio, iniciada em 2015. E tem uma iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). O mês de setembro foi escolhido para a campanha porque, desde 2003, o dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.A ideia é promover eventos que abram espaço para debates sobre suicídio e divulgar o tema alertando a população sobre a importância de sua discussão. No Brasil, o suicídio é considerado um problema de saúde pública e sua ocorrência tem aumentado muito entre jovens. De acordo com números oficiais, 32 brasileiros se matam por dia em média, sendo essa uma taxa maior do que a de vítimas de AIDS e da maioria dos tipos de câncer. De acordo com um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2014, o Brasil está em oitavo dentre os países com maior número de suicídios, atrás de Índia, China, Estados Unidos, Rússia, Japão, Coreia do Sul e Paquistão. O Rio Grande do Sul tem a maior taxa, com 10,2 suicídios por cem mil habitantes, seguido de Roraima, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, conforme levantamento do Ministério da Saúde abarcando o período de 2006 a 2010. No mundo, o suicídio é a terceira causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos e a sétima causa de morte de crianças entre 10 e 14 anos de idade. A OMS também afirma que o suicídio tem prevenção em 90 porcento dos casos. Entretanto, um estudo brasileiro de Bertolote et al (2002) afirma que 96,8% dos casos de suicídio estão relacionados a transtornos mentais, diagnosticados ou não, tratados incorretamente ou não tratados de maneira alguma. Origem da cor amarela: Segundo a Associação Catarinense de Psiquiatria, a cor da campanha foi adotada por causa da história que a inspirou: Em 1994, um jovem americano de apenas 17 anos, chamado Mike Emme, tirou a própria vida dirigindo seu carro amarelo. Seus amigos e familiares distribuíram no funeral cartões com fitas amarelas e mensagens de apoio para pessoas que estivessem enfrentando o mesmo desespero de Mike, e a mensagem foi se espalhando mundo afora. O carro era um Mustang 68, restaurado e pintado pelo próprio Mike. Os pais de Mike, Dale Emme e Darlene Emme, iniciaram a campanha do programa de prevenção do suicídio “fita amarela”, ou “yellow ribbon”, em inglês. A seguir uma entrevista que vai esclarecer ainda mais sobre este assunto:

1) Como podemos caracterizar um quadro depressivo? É necessário em todos os casos a medicação?

O Transtorno Depressivo Maior trata-se de um adoecimento psíquico que tem, por sua essência, uma série de sintomas físicos e psicológicos invalidantes para o indivíduo que os apresenta. Pode ser caracterizado pela manifestação de sintomas que ocorrem, na maior parte do tempo, durante um período de pelo menos duas semanas. Este tipo de depressão pode se manifestar em um caso único (chamado EPISÓDIO ou QUADRO), em que algum trauma desencadeia o desenvolvimento da depressão maior. Entretanto, há também outra especificidade no que diz respeito à demonstração da doença: ela pode ser intermitente, ou seja, os sintomas apresentam-se em alguns períodos da vida (caracterizando o Transtorno). Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, dentre os seguintes sintomas da depressão, o paciente deve apresentar cinco, por pelo menos duas semanas, para ser qualificado dentro do tipo de depressão grave: sentir-se deprimido na maior parte do tempo e quase todos os dias; Prazer diminuído em atividades que antes eram interessantes para ele; Perda ou ganho de peso não intencional; Falta de sono ou excesso de sonolência; Problemas psicomotores, sendo estes agitação ou lentidão nos movimentos; Fadiga anormal e frequente; Falta de concentração; Sentimento de culpa e inutilidade frequentes; Pensamentos de suicídio ou morte.

É importante ressaltar que nem todos os sintomas, de forma isolada, caracterizam um episódio depressivo. Além disso, nem todos os graus de depressão precisam, necessariamente, de intervenção medicamentosa, embora seja imprescindível o acompanhamento de um psiquiatra que decida a primordialidade ou não do medicamento. Concomitante a isso, é fundamental a supervisão de um psicólogo que acompanhe o grau de danos psíquicos que o sujeito apresenta. Para um resultado mais eficaz e com maior chance de uma possível cura, o mais indicado seria o acompanhamento de ambos os profissionais.

2) Como a psicoterapia auxilia nesses quadros?  

A Depressão, em níveis orgânicos, está ligada a um distúrbio de neurotransmissores, como a serotonina e a noradrenalina (compostos químicos produzidos pelo corpo humano que desempenham funções importantes, como a regulação do sono, da dor, das emoções e do humor). Uma vez que estejam em desequilíbrio, o uso de antidepressivos irá restabelecer os níveis normais no cérebro e, desta forma, propiciar ao paciente uma sensação de bem estar físico. Já a psicoterapia pode auxiliar ao indivíduo a entender a origem desta desorganização, ou seja, ajudá-lo a adentrar em sua história de vida a fim de descobrir as raízes de seu sofrimento, que está manifestando-se em forma de sintomas. Geralmente, estes processos ocorrem a partir de traumas, perdas, angústias, mudanças e estão estritamente ligadas à história do sujeito em questão – questões estas, que só serão possíveis através da psicoterapia.

3) Como se caracterizam as ideações suicidas?

A ideação suicida nada mais é do que a tentativa ou intenção que o sujeito tem de tirar a própria vida. Diferentemente do que é difundido, a ideação suicida não é “falta de vontade de viver”, mas sim uma urgência de que a dor psíquica deixe de existir a qualquer custo.

4) Em que casos há risco de suicídio? Temos como identificar quando uma pessoa está precisando de ajuda?

Grande parte das tentativas de suicídio são comunicadas. É preciso ficar atento aos sinais verbalizados e, principalmente, aos não-verbais como colocar-se em situações de risco, automutilações, desenhos, entre outros. Existe um senso comum de que “quem vai se matar não avisa”, que precisa ser desmistificado. Não necessariamente quem avisa vai tirar a própria vida, mas definitivamente, quem tira a sua vida, tentou avisar de alguma forma ou de outra. 

5) Como podemos prevenir quadros depressivos?

Através de acompanhamento psicológico. Não existe forma de prevenir futuros traumas ou danos que o sujeito pode vir a passar, mas o autoconhecimento que é adquirido através da psicoterapia pode ser de grande auxílio no modo como o sujeito enfrenta suas frustrações, perdas, lutos e desprazeres.

6) Em que momentos a psicoterapia é indicada?

Em todos. A psicoterapia, principalmente nos dias de hoje em que a tecnologia nos dificulta os encontros “olho no olho”, surge para auxiliar no processo de autoconhecimento, contribuindo nos recursos de identificar, reconhecer e aceitar certas dores que o ato de existir traz. Não é indicado apenas para o sujeito que está em Depressão, pois a psicoterapia é um facilitador para que o sujeito vivencie de forma adequada sua história, em busca de um bem-estar psíquico, físico e mental.

7) Em casos extremos, como a pessoa pode pedir ajuda?

Embora, por vezes, a tecnologia nos afaste da realidade, paradoxalmente a mesma vem com o intuito de ajudar muitos pacientes em potencial. Hoje existem muitas comunidades online que buscam uma maior compreensão através do compartilhamento de suas vivências e histórias. Além disso, o Centro de Valorização à Vida (CVV) busca suprir as demandas emocionais de sujeitos dentro desses contextos. Em caso de sentimento de solidão, desamparo, culpa, dor, é possível discar o número 188 e falar com um dos atendentes do centro. A ligação ocorre com pessoas do Brasil todo, então não há risco de acabar falando com algum “conhecido” – um dos grandes medos que surgem através dentro desse meio. Também é importante a comunicação com as pessoas de seu convívio. Sempre há alguém disposto a ajudar!

8) Na nossa região há altos casos de suicídios, tem alguma explicação cultural para isso?

Pode ser que sim. As culturas germânicas, italianas e polonesas descendentes, em maior parte da nossa região, trazem heranças europeias e são carregadas por histórias difíceis de muita luta, dor, guerras e sofrimento. Este fato traz uma ideia de que nossos ancestrais não sofriam e de que conseguiam superar suas angústias de forma indolor, o que não é verdade. A verdade é que todos nós sentimos dor: a da perda, de traumas, frustrações, aflições e solidão. A grande diferença era que, antigamente, falar que estava se sentindo dessa forma era considerado sinal de fraqueza. Ideia errônea, já que é através do conhecimento e compartilhamento da dor que a mesma é aliviada. 

9) Qual a importância das campanhas de conscientização sobre depressão e prevenção do suicídio?

Principalmente para que o sujeito perceba que TODA VIDA IMPORTA! Precisamos desmistificar a ideia de que sofrer é errado! De que a dor é algo que só acontece com o indivíduo que a sente. Ao passo que as campanhas ocorrem, é possível conscientizar-se de que o suicídio pode ser evitado, de que a vida vale a pena e de que não estamos sozinhos!

10) Algo que não foi complementado e gostaria de ampliar?

Apenas gostaria de salientar que depressão NÃO É frescura. E fazer um pedido para que observemos os nossos entes, conversemos mais um com o outro, no intuito de que seja compreendido que cada um vivencia suas dores de uma forma, de que colocar-se no lugar do outro nunca sai de moda, e pode prevenir tragédias, sejam elas anunciadas ou não.

Maria Eduarda Rossato Facco

Psicóloga (CRP 07/25102)

Especialista em Criança e Adolescente (UNISINOS)

Atende em Ibirubá (quartas-feiras) e Passo Fundo.

F.: (55) 99131-6036

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Entrevistas

OAJ ENTREVISTA, CARDIOLOGISTA JEFERSON WOLLMEISTER FALA SOBRE SAÚDE DO CORAÇÃO

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1) Quais principais cuidados essenciais que precisamos ter para proteger o coração?

O coração é uma máquina poderosa que tem como principal função promover a circulação de sangue pelo nosso corpo, mas ao mesmo tempo, ele também precisa deste mesmo sangue como combustível do seu funcionamento. Entender isso é compreender que toda e qualquer alteração no sangue e neste sistema circulatório atinge diretamente o coração. 

Realizar exercícios físicos regulares é um fator importante para a saúde circulatória, pois são produzidos hormônios que dilatam as artérias, melhorando o fluxo de sangue, a oxigenação e a distribuição de nutrientes, assim como retira com mais facilidade as substâncias tóxicas ao organismo.

A alimentação é outro fator importantíssimo, pois praticamente todas as substâncias ingeridas irão para o sistema circulatório. Gorduras, açúcares, sal, carne vermelha, principalmente quando defumada/processada, promovem importantes alterações nos vasos sanguíneos. 

Além dessas “condições naturais”, temos intoxicações auto-impostas, com o uso de energéticos, cigarro, bebidas alcoólicas, maconha, cocaína, crack, anfetaminas e tantas outras substâncias que definitivamente alteram o nosso organismo aguda e cronicamente, a ponto de prejudicar a qualidade e curtar o tempo de vida.

E, finalmente, há um fator que muitas vezes depende de condições fora do nosso alcance para o seu controle, e outras tantas vezes, podemos apenas minimizar. Este é o Estresse, decorrente do dia-a-dia, das condições sociais, familiares e econômicas.

Basicamente os quatro grandes fatores acima agravarão tendências genéticas e também se refletirão em doenças como a pressão alta, a diabetes, a dislipidemia, a obesidade,  o que promove a aterosclerose e as suas manifestações conhecidas popularmente como infarto e derrame.

2) A partir de que idade as pessoas entram em situação de risco?

No geral, considera-se iniciar a avaliação de risco cardiovascular após os 40 anos em homens e mulheres.  Abaixo dessa idade a indicação decorre de fatores como a presença de familiares próximos com colesterol e/ou triglicerídeos, infarto do miocárdio, derrame ou morte súbita antes dos 55 anos em homens e 65 anos em mulheres; ter diabetes; pressão alta; problema nos rins; doenças reumáticas como Lupus, Psoríase e Artrite reumatoide; HIV ; ou mulheres que tiveram pré-eclâmpsia.

3) Qual a relação do colesterol com o risco cardíaco? 

Simplificadamente, existem dois tipos de colesterol; o HDL, chamado de colesterol bom, que ajuda a proteger o coração; e o LDL, chamado de colesterol ruim, que pode provocar a obstrução da circulação no coração.

Quando o LDL aumenta muito, células do nosso organismo tentam retirar ele da circulação. Elas fazem isso “engolindo” o LDL e então entram na parede do vaso sanguíneo e ficam ali depositadas. Quando isso acontece de uma forma intensa e repetitiva, formação a famosa placa de gordura, que aumenta gradativamente até trancar a circulação.

O HDL ajuda a remover o LDL da circulação sem que aconteça esse processo descrito acima pelas células, mas a eficiência  dele é menor do que se acreditava antigamente.

4) A alimentação é predominante nas alterações de colesterol?

A alimentação ajuda bastante nas alterações do colesterol, mas não é predominante.

Apenas 30% do colesterol decorre da alimentação, 70% é produzido pelo nosso corpo, pois ele é útil para a produção de células e hormônios. Apesar disso, sempre que há uma dislipidemia, a dieta alimentar é muito importante para reduzir o colesterol, evitando assim as medicações ou pelo menos diminuir a dose necessária.

O triglicerídeo é uma gordura que funciona de forma diferente, pois 90% dele é derivado da alimentação, então diminuir açucares e massas controla-o em quase todos os casos.

5) O que significa colesterol bom e ruim? Qual a medida ideal ?

O colesterol bom, que é o HDL ajuda a retirar o colesterol ruim da circulação. O ideal é termos valores acima de 40 mg/dl em mulheres e acima de 50 mg/dl em homens.

O LDL é o colesterol ruim, que é um importante responsável pela obstrução da circulação. O nível ideal no sangue vai depender da existência de outros fatores, por exemplo, pessoas com baixo risco deve ter valores abaixo de 130 mg/dL, mas pessoas que já tiveram infarto do miocárdio ou derrame cerebral precisam ter valores menores que 50 mg/dl.

6) De quanto em quanto tempo é necessário fazer exames? Que tipo de exames são necessários?

Os exames para avaliação do risco cardiovascular devem ser anuais em pessoas acima de 40 anos, e entre os 20-39 anos podem ser a cada 5 anos, mas esse período pode mudar a medida que forem identificadas doenças como as listadas na questão 02.

Inicialmente precisamos avaliar a idade, a existência de sintomas gerais ou específicos, fazer o exame físico, medir a pressão arterial, solicitar os exames de colesterol total, HDL, LDL, triglicerídeos, exames de função renal, ácido úrico, hemograma, e outros que o médico julgar necessário. À medida que há sintomas de alguma doença no organismo, que o exame físico e/ou laboratorial for alterando haverá a necessidade de outras avaliações, como exames laboratoriais mais específicos, teste ergométrico, ecodoppler de carótidas, ecocardiograma, tomografia coronariana, etc.

7) Um jovem na faixa etária dos 20 poucos anos corre o risco de sofrer infarto? 

Corre o risco sim, mas esse risco é muito baixo e depende de condições especiais.

O infarto do miocárdio clássico, que é a obstrução coronariana por placa de gordura, ocorrerá nessa faixa etária apenas se houver dislipidemia hereditária intensa, com valores de colesterol muito altos desde a infância, ou alguma doença renal que provoque hipertensão não controlada ou uma diabetes iniciada na infância sem controle adequado.

Em jovens na faixa etária dos 20 anos, a maioria dos infartos ocorre por espasmo ou rompimento interno das coronárias pelo uso de substâncias como energéticos, cocaína, crack e anfetaminas como o ecstasy.

8) Quais as dicas que você passaria para as pessoas cuidarem de seu sistema circulatório?

Alimentem-se corretamente, diminuindo a carne vermelha, as gorduras e carbohidratos, eliminando praticamente todos os açucares e alimentos processados prontos. Aumente  a ingesta de peixes, carnes brancas, frutas secas como nozes, castanha, amendoim, vegetais e frutas de todos os tipos.

Exercitem-se regularmente. O ideal é mais de 150 minutos por semana de caminhadas entre 4-6 km/h ou 75 minutos por semana de caminhadas acima de 6 km/h. MAS qualquer atividade física ajuda na prevenção cardiovascular, independente do tempo e do tipo, academia, pilates, esportes, atividades de lazer, qualquer coisa. Faça algo que movimente o corpo e a circulação. O ser humano não foi criado para ficar parado.

Não usem drogas, não envenenem seus corpos com o tabaco, álcool, maconha e outras substâncias. Sempre haverá um prejuízo e haverá um preço, mais cedo ou mais tarde, e este preço sempre é alto. 

Tenham bons pensamentos; evitem a raiva e a inveja; procurem entender os familiares; não agonizem pelos problemas de outras pessoas, pois cada um é responsável por si; façam amizades; descansem quando podem e acreditem que o mundo não vai acabar se algo não for feito imediatamente ou se você for sair de férias. Ninguém é o centro do mundo, infalível ou insubstituível.

Vivam com paz no coração.

Essas são as dicas que eu e todos os cardiologistas estão difundindo pelo mundo. Não são fáceis, o mundo é um lugar complicado, mas não é impossível realizá-las com paciência, dedicação e compreensão.

Dr. Jeferson Wollmeister, Cardiologista, CRM/RS 24764

Especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia

Especialista em Ecocardiografia pelo Departamente de Imagem Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

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Entrevistas

Mercado Chinês é o principal importador do Agronegócio brasileiro, diz presidente da Farsul

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Em entrevista coletiva na última sexta-feira, 19 de julho, no Restaurante Capital 922, o presidente da Farsul (Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul) Gedeão Pereira e o presidente do Sindicato Rural de Ibirubá Elemar Konrad comentaram sobre os rumos políticos e econômicos do agronegócio para 2019. Segundo Gedeão Pereira, a expectativa com o novo governo é ter um Brasil mais privatizado e aberto à iniciativa privada. Na visão do presidente a função do Estado não deve ser mais do que saúde, educação, segurança e infraestrutura. “As privatizações estão acontecendo e as concessões, já que não há dinheiro para manter, estão se tornando necessárias.” comentou o Gedeão.
No setor do agronegócio a preocupação do presidente Gedeão é o mercado, como os produtos irão chegar e ser disponibilizados. No mercado internacional o Brasil produz para mais de 180 países e isso tem um significado muito forte para o setor. Ele complementa que apesar do Brasil ainda estar em crise, o agronegócio vem crescendo a cada ano. “Se identifica um crescimento contínuo e constante.” Gedeão comenta que “os mercados estão sendo trabalhados para serem abertos lá fora, principalmente os mercados asiáticos. O grande cliente é a China, com mais de 1 bilhão de pessoas e dentro dele a população está em crescimento anual de 7% ao ano. Os únicos países que podem garantir a segurança alimentar da China são os do cone sul, principalmente o Brasil.”
Outra questão levantada sobre o mercado chinês é o crescimento da classe média naquele país. O presidente da Farsul explica que quando isso ocorre, a seletividade nutricional aumenta, as pessoas dão preferência à proteína em sua alimentação e com isso aumenta o consumo de milho e soja. A expectativa do presidente da Farsul é aumentar a exportação para o mercado chinês, pois na criação de animais se torna necessário o uso de grãos para alimentação. Ao comentar sobre a indústria química e os agrotóxicos, o presidente da Federação enxerga com bons olhos, pois a partir da tecnologia a humanidade nunca teve tanta comida disponível. Gedeão explica que “na história as pessoas passavam fome, foi graças a indústria química que a agricultura evoluiu ao que temos agora e hoje a perspectiva das pessoas é para mais de 70 anos, o número de obesos no Brasil já ultrapassa o número de magros. E isso significa que estamos satisfeitos com a quantidade de alimentos oferecidos e a disposição da humanidade, e tudo isso graças ao produtos químicos. O agricultor usa produtos químicos para salvar a lavoura e se não usasse teria miséria. O que faríamos com a ferrugem asiática, por exemplo? Insetos? Se perde a lavoura? Perder lavoura significa fome.”
Ao finalizar a entrevista o presidente Gedeão comenta sobre a estratégia da Farsul de descentralizar suas atividades e fazer trabalhos diretamente com os sindicatos rurais, os eventos Farsul em campo, por exemplo, visam fortalecer as regionais na defesa dos produtores rurais.

Mesmo com queda nos custos de produção, produtores rurais perderam rentabilidade

A guerra comercial entre EUA e China e a peste suína no país oriental influenciaram diretamente nos preços da soja e suínos. O resultado foi uma alta de 6,8% no Índice de Inflação dos Preços Recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR) no mês de junho. Esta é a maior valorização do indicador nos últimos três anos. Já a queda de 3,3% na taxa de câmbio foi responsável por uma retração de 0,17% nos custos de produção no mesmo período, conforme o Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP). O resultado vem após três meses consecutivos de alta e é a primeira vez que fica abaixo do IPCA nos últimos 12 meses. Apesar do resultado do último mês, o saldo final é uma queda na rentabilidade dos produtores rurais. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (30/7) pelo Sistema Farsul.
A economista do Sistema Farsul, Danielle Guimarães, explica que o resultado é a soma de dois cenários. “Temos o custo abaixo da inflação, mas os preços também estão abaixo do que nas gôndolas dos supermercados, bem diferente do ano passado. Isso é o que gera a redução de rentabilidade”, comentar. No primeiro semestre de 2019, o IICP teve uma queda de 1,05%, enquanto o IPCA aumentou 2,23%. Já o IIPR até junho acumulou alta de 0,23% contra 2,89% do IPCA Alimentos.
No acumulado de 12 meses, o IICP registrou crescimento de 2,80% e o IPCA, 3.37%. No mesmo período, o IIPR ficou em 2,77%, abaixo do IPCA Alimentos 3,99%. Os diferentes movimentos mostram não haver uma relação direta entre os custos de produção e os preços em geral. Também há distanciamento na velocidade com que os preços são corrigidos nas prateleiras e no campo.

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Entrevistas

Confira a entrevista de Rafaella Meinen, sócia proprietária da Clínica Clinn

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E como destaque, as páginas do OAJ, trazem uma entrevista com uma jovem empresária, que se destacou no ramo da beleza e estética, empreendendo e dominando seu espaço. Confira a entrevista de Rafaella Meinen, sócia proprietária da Clínica Clinn Espaço de Saúde.

OAJ: Por que você decidiu ser uma empreendedora?

Quando finalizei meus estudos na área da estética eu e minha irmã, nutricionista, projetamos com total apoio de nossos pais, abrirmos uma clínica de saúde. Para oferecer algo inovador à Ibirubá, pensamos logo em uma equipe multidisciplinar, onde o paciente pudesse encontrar em apenas só lugar suprir suas necessidades. Com muito esforço, dedicação diária além do reconhecimento de nossos pacientes conseguimos aumentar nosso quadro de profissionais atendendo hoje em nosso espaço.


OAJ: Sendo você uma jovem empreendedora, existe mais dificuldade em mostrar seu potencial ?

Ninguém nasce com o nome consagrado. Aos poucos, com paciência, e prestando um serviço com excelência, os frutos aparecem. Clientes novos sempre aparecem, e uma vez que conhecem nosso serviço, criamos fidelidade. Assim, vamos mantendo uma boa base de clientes, que reconhecem e valorizam nosso trabalho.


OAJ: E quando você decidiu ter seu próprio negócio, teve medo de quem está a mais tempo no mercado?

Não tive medo pois o mercado é muito grande, a concorrência faz bem, nos incentiva sempre a melhorar, estimula o crescimento. Cada profissional com dedicação e credibilidade consegue conquistar seus clientes.


OAJ: Como foi a reação da sua família em saber que você se tornaria uma empresária ?

Em um primeiro momento, ficam preocupados, pois sabem da dificuldade em empreender no Brasil. Quando escolhemos empreender, escolhemos viver por nossa conta e risco. Como dito antes, você não tem um salário garantido no final do mês: somos nós quem vamos atrás da nossa recompensa. Você recebe proporcionalmente a quanto está disposto a se entregar, se dedicar, trabalhar. Isso preocupa nossa família. Não significa que não acreditam em você ou no seu potencial. Eles têm a nobre intenção de te proteger. Preferem que você siga linha de montagem tradicional: escola, faculdade e arranjar um emprego seguro. Apesar disso, tenho um pai que também é empresário e vive na pele há muitos anos todas essas dificuldades, mas vem vencendo os obstáculos durantes esses anos. Talvez por isso, apesar de todas as intempéries e riscos, aceitaram de coração leve. Tanto ele quanto minha mãe me ajudaram no começo e me apoiam sempre que eu preciso.


OAJ: E onde você imagina o seu negócio daqui a 5 anos?

Tenho muitos projetos para o futuro, acredito que é isso que nos move cada dia. Estou cursando faculdade de administração para agregar na gestão da clínica. Realizo também cursos na área da estética, pois essa está sempre em constante mudança. Gosto de traçar metas para nunca cair na zona de conforto, sempre buscando oportunidades para que meu empreendimento seja reconhecido e seja ponto de referência para Ibirubá e região.

OAJ: Que dica você daria para quem quer ser um empreendedor (a)?

Reflita muito antes de tomar essa decisão. Isso significa abdicar de seu tempo e comodidade. Se você quer empreender para ter mais tempo, lembre-se: você não terá horário fixo, e muita vezes terá de resolver problemas em horários inoportunos. Se você não quer ser incomodado enquanto almoça, não empreenda. Se você quer empreender para não ter chefe, lembre-se que terá um novo chefe muito mais exigente: o cliente. Você deve estar disposto a trabalhar muito duro até seu negócio decolar, e só então você poderá descansar. Monte seu plano de negócios, coloque no papel tudo que possa ser previsto dentro das proporções. Problemas sempre aparecerão, mas você deve ter muito resiliência: não desista! Seja humilde para aprender com os mais experientes e, principalmente, sempre procure pensar fora da caixa para resolver seus problemas.


Rafaella Meinen, 26 anos, Graduada em Estética e Cosmética pela Unicruz e sócia proprietária da Clínica Clinn Espaço de Saúde.

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Entrevistas

Agricultura Sustentável é possível?

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Agricultura Sustentável: Na semana do meio ambiente, a equipe do OAJ foi em busca de uma pauta que abordasse o meio rural e a sustentabilidade, e para esclarecer essas dúvidas a equipe da Bioma Engenharia e Consultoria Ambiental nos concedeu uma entrevista bem esclarecedora.

OAJ: Quais os maiores impactos ambientais da agricultura? OAJ: Existe a possibilidade de se incorporar uma agricultura sustentável?

Sim, pois a agricultura sustentável tem como foco a produção de alimentos aliada a preservação dos recursos naturais para as gerações futuras, ou seja, busca um modo de cultivo com menor degradação do recurso natural utilizado, visando assim um menor impacto (agricultura de baixo carbono) ou mínimo (agricultura orgânica). Cabe destacar que muitos agricultores já estão revendo a sua relação com o meio ambiente e essa conscientização faz com que utilizem melhores práticas aplicadas no seu dia a dia, afinal os recursos naturais são imprescindíveis para que obtenham mais produtividade nas suas lavouras e no cultivo dos mais diversos alimentos.

OAJ: De que forma os agricultores podem incorporar práticas sustentáveis e quais os desafios?

A agricultura orgânica, é a prática sustentável mais conhecida, a qual concentra a produção de alimentos livres de químicos (mais saudáveis) e com menor pegada ambiental, tendo como principal desafio a reprodução em grande escala (custo x benefício econômico).
Porém, existem outras práticas sustentáveis que podem ser aplicadas à agricultura convencional/industrializada para torná-la de baixo carbono. Destacam-se algumas ações: a diminuição de adubos químicos com a utilização de fertilizantes orgânicos (cama aviária, dejetos líquidos bovinos/suínos desde que compostados), o uso de captações de águas das chuvas para irrigação, o uso de biocombustíveis (biodiesel, biogás, biomassa) como fontes de energia, a implantação de novas tecnologias – agricultura de precisão e mecanização, o sistema de plantio direto (proteção do solo e manutenção da matéria orgânica), o manejo correto dos agroquímicos respeitando as indicações de uso (dosagens) e descartando corretamente as embalagens (logística reversa) e a implantação de sistemas agrossilvipastoris (lavoura + pecuária + floresta), sendo o principal desafio custo x benefício econômico.

OAJ: Que leis ambientais os agricultores precisam estar atentos?
A legislação ambiental é bem ampla e está em constante atualização, todas as leis partem das diretrizes nacionais, como a Política Nacional do Meio Ambiente (Lei nº 6.938/81), Código Florestal Brasileiro (Lei 12.727/2012), Lei das Águas (9.433/97), Política Nacional dos Resíduos Sólidos (Lei º 12.305/10), Agrotóxicos (Lei Federal nº 9.974/00) e das diretrizes estaduais, como a Resolução CONSEMA nº 372/2018 e alterações (empreendimentos passíveis de licenciamento).
A particularidade de cada atividade agrícola está relacionada à exigências legais específicas, por este motivo procure informações com técnicos capacitados os quais lhe orientarão como proceder para cumprir com as exigências legais e preservar o meio ambiente.

OAJ: Vocês enquanto empresa e funcionários, teriam algum recado em especial para a população, sobre este assunto?

Como profissionais ligados ao meio ambiente, o desejo é que possamos viver em uma comunidade na qual todos os utilizadores de recursos naturais, sejam eles empreendedores rurais ou urbanos, percebam a importância da conservação do meio ambiente como um valor agregado ao seu negócio, produto e/ou serviço.

OAJ: E para concluir, quem é a Bioma Engenharia e Consultoria Ambiental, quais serviços oferecem?

Somos uma empresa aqui de Ibirubá que busca oferecer serviços tais como, projetos para Licenciamento Ambiental e Florestal; Gerenciamento de Resíduos Sólidos; Cadastro no SIOUT e Outorga de uso da água; CAR; Projetos de irrigação; Projeto de Recuperação de Área Degradada (PRAD); Serviços de saneamento; Consultoria técnica ambiental especializada.

Para quem necessitar de nossos serviços ou buscar conhecer melhor nosso trabalho pode nos procurar, ficamos contente em recebê los. Nossa equipe é composta por Eduardo Rafael Prass é Engenheiro Florestal e Jéssica Formentini Both é Engenheira Sanitarista e Ambiental. Ambos são responsáveis técnicos pela Bioma Engenharia & Consultoria Ambiental, empresa localizada na Rua Castanhal, 21 – Bairro São Jacob Ibirubá/RS E-mail: bioma.atendimento@gmail.com Telefone: (54) 3199-0789

Departamento de Jornalismo O Alto Jacuí/Rádio Cidade

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[OAJ Entrevista] Ansiedade: O mal do século, causas, consequências, sintomas, tratamentos

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Sabendo da importância em se falar desse assunto, a equipe do OAJ, foi em buscar de algumas respostas com a Psicóloga Carolina Soares. Confira:

OAJ: O que é o transtorno de ansiedade e quais as causas?

Carolina Soares: A ansiedade é um afeto processado no ego, que gera intensa carga de sofrimento, podendo ser que a pessoa identifique uma relação causal com algo que viveu, pensou ou sentiu, com a expectativa por um acontecimento vindouro, e também pode aparecer desconectado de qualquer sentido ou causa aparente. Em ambos casos traz profundo sofrimento, a ponto de causar prejuízos nas diversas esferas da vida do sujeito. As causas podem ser inconscientes e não identificáveis em um primeiro momento ao paciente, ou ativada por fatores externos ao sujeito (situações traumáticas, crises vitais, perdas importantes, ou outros momentos estressores).
Relatório da Organização Mundial da Saúde aponta que o Brasil é o país latino com maior índice de doenças relacionadas à ansiedade, afetando aproximadamente 9,3% da população nacional. Pode acometer qualquer pessoa, independente de gênero, idade ou condição social.

OAJ: Quais os principais sintomas do transtorno de ansiedade?

Carolina Soares: Entre os sintomas mais comuns podemos citar o medo de morrer ou de enlouquecer, sensação de perda de controle sobre os pensamentos ou sobre si mesmo; sintomas físicos como taquicardia (que leva o paciente a pensar que está sofrendo um ataque cardíaco), alterações na respiração (falta de ar, respiração ofegante etc.), pressentimentos ou sensações de que algo trágico vai acontecer.

O psicanalista David Zimermann apontou que existem vários níveis de manifestação de ansiedade, e é normal que em algum momento de nossas vidas nos sintamos assim. Começa a tornar-se patológico de acordo com a intensidade e a recorrência dos sintomas, isto é, conforme a força da ansiedade, a ponto de dominar a pessoa, e a frequência com que os episódios acontecem. Conforme Zimermann a pior forma de ansiedade é semelhante ao que os bebês e crianças pequenas sentem, que é o desamparo ou desalento, um terrível sentimento de estar completamente só, sem ninguém que o ampare, proteja ou acolha em suas necessidades. Um outro estágio é a chamada angústia de aniquilamento, sensação muito primitiva que é comum aos bebês e que pode seguir pela vida, em que a pessoa sente um risco real e iminente de morte, quando sofre o ataque dos afetos hostis e agressivos (pulsão de morte), e pode realmente ter a sensação de estar desfazendo-se em pedaços. Este tipo de angústia é bem caracterizado nos casos futuros de psicose, em anos posteriores, com a fragmentação do psiquismo e muitos delírios ou alucinações de fragmentação da imagem corporal ou do corpo em si. A angústia de engolfamento acontece nas relações simbióticas, caracterizadas por mães que não conseguem desgrudar-se dos filhos, literalmente engolfando-os em suas carências e desejos, projetando na criança suas fantasias e frustrações. Neste tipo de relação a mãe não consegue reconhecer o filho como um ser em separado, de personalidade e necessidades próprias, mas enxerga-o como uma extensão sua. Este tipo de angústia pode resultar mais tarde nos sintomas fóbicos, que levam à evitação de determinadas situações e de situações de intimidade ou aprofundamento de relações. A ansiedade de separação tem origem no período ainda inicial da vida em que o amor materno e paterno não foi consistente de forma a assegurar sua manutenção. Mas é natural por volta dos 8 meses do bebê, momento em que começa a “estranhar” a aproximação com pessoas que não pertençam ao seu convívio diário. Inseguranças neste estágio podem se cristalizar como ansiedades decorrentes na vida toda, manifestas por exemplo nas pessoas que tem dificuldade de confiar nos parceiros, nas relações de extrema insegurança e dependência. Qualquer separação lhe remete às primeiras separações dos pais, acarretando em uma vivência traumática.

A angústia depressiva aparece quando a pessoa entra em contato com porções suas que lhe parecem desagradáveis ou reprováveis, assumindo as responsabilidades sobre eles. Encarregar-se das imperfeições, dos problemas e dos erros pode levar o sujeito a angustiar-se e também a entrar em um estado depressivo.
A ansiedade decorrente do medo da perda do amor acomete crianças pequenas ou adultos, quando não desenvolveram um nível de confiança básica nas figuras parentais ou cuidadores, seja pela displicência ou pela rigidez nas punições. Já a angústia de castração decorre do período edípico, em que a rivalidade com a figura parental do sexo oposto, mesclada com o amor e admiração, geram fantasias de punição que envolvem retaliação, perda de espaço junto aos pais e reprovação pelo aparecimento das pulsões tanto amorosas quanto hostis. Já a ansiedade persecutória é resultado das projeções que o sujeito faz, ou seja, da forma como lida com seus afetos considerados reprováveis, jogando-os nas outras pessoas, o que volta-se contra si de modo ameaçador e persecutório; a pessoa imagina-se rodeada de perseguidores. A recorrência das crises de ansiedade, se não tratada, pode gerar doenças físicas, devido ao excesso de carga emocional descarregadas no corpo. Doença mental ou emocional não é frescura e nem coisa de gente fraca, mas características da condição humana, como formas de expressão do sofrimento, e precisam ser tratadas com o devido respeito.

OAJ: Que outros distúrbios estão ligados à ansiedade?

Carolina Soares: A ansiedade pode manifestar-se em diversas tipologias de distúrbios psicológicos, além de acompanhar os diagnósticos de doenças orgânicas. Mas comumente está associada a quadros depressivos, bipolaridade, pânico, fobias, ansiedade generalizada, transtorno obsessivo-compulsivo, transtornos alimentares, toxicomanias, luto patológico, transtorno de estresse pós-traumático, entre outros.

OAJ: Alguns dos fatores que podem aumentar o risco da doença:

Carolina Soares: Hábitos de vida desregrados, sedentarismo, falta de controle das emoções, ambiente insalubre, contexto sócio-econômico-cultural deficitário em atender às necessidades básicas do sujeito são fatores que contribuem para a instalação de um quadro patológico de ansiedade. A colocação de ideais muito altos, nível de auto exigência e dificuldade em admitir erros também deixam a pessoa em constante estado de alerta e vigilância sobre seus atos. Além do histórico familiar, o que sinaliza uma maior predisposição a desenvolver o transtorno. Abuso de substâncias (drogas lícitas e ilícitas) também pode exacerbar os sintomas, e a existência de comorbidades psicológicas contribuem para o aparecimento da ansiedade.

OAJ: Quais as melhores formas de tratamento da ansiedade?

Carolina Soares: Recomenda-se tratamento multiprofissional, com acompanhamento psiquiátrico e psicológico. Existe a possibilidade de a ansiedade não ser o transtorno em si, mas a manifestação de outra desordem mais complexa, o que exige avaliação criteriosa. Somente a medicação pode não alcançar o cerne do problema, que exige uma mudança nos comportamentos e padrões de pensamento. A psicoterapia entra como o meio de ajudar o paciente a encarregar-se de suas decisões, responsabilizando-se por suas escolhas e assumindo assim a possibilidade de modificar os aspectos de sua vida que estão em desacordo com suas expectativas. Modifica-se também padrões tóxicos de relacionamento. Praticamente todas as técnicas de tratamento psicológico podem ser utilizadas, incluindo a psicanálise, que permite o acesso ao conteúdo inconsciente, fonte das repetições do padrão de sofrimento, possibilitando uma mudança no registro psíquico e reordenamento dos afetos, dando-lhes novo destino e ampliando a plasticidade do aparelho psíquico, ou seja, aumentando os recursos emocionais para a pessoa enfrentar as situações de crise com maior tranquilidade.

OAJ: A correria do dia a dia, a incansável busca pelo fazer perfeito, pode ser um fator que contribuí para ter ansiedade ou até mesmo para o agravante da ansiedade?

Carolina Soares: O excesso de preocupações e pressões da vida atual, a crescente demanda da sociedade e do mercado. Neste mundo competitivo em que estamos vivendo há uma pressão constante sobre o desempenho em todos os setores da vida, seja profissional, sentimental, sobre o corpo e a saúde. O discurso de prosperidade que está em alta por vezes intensifica os medos e angústias, à medida que não se consegue alcançar o esperado. Há uma pressa por viver e alcançar metas, incrementada pela crise econômica(este um dos grandes fatores geradores de ansiedade).

Carolina Camara Soares, psicóloga formada pela Universidade de Passo Fundo (UPF). Pós graduada em Gestão de Recursos Humanos e em Avaliação Psicológica. Psicanalista membro efetivo da Sigmund Freud Associação Psicanalítica. Tem experiência em docência, atuando com clínica psicanalítica para todas as idades, Orientação Profissional e de carreira, desenvolvimento de pessoas e grupos de estudo em psicanálise.

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