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Eternos namorados [Letícia Vargas]

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Em 1965, 5 anos antes do casamento de Waldir Delmar Klein e Erminda Sand, ocorriam encontros de corrida a cavalo em Quinze de Novembro. A hípica, onde ocorriam as corridas, era um local onde os jovens da época se encontravam. A pequena cidade de Quinze de Novembro já era um local onde todos se conheciam, e assim todos costumavam frequentar os mesmo locais para se divertir. O primeiro olhar foi lançado em uma dessas corridas, o legítimo “amor a primeira vista”. Era a primeira vez que Waldir via Erminda. Ele só conhecia os irmãos dela e ficou encantado com tanta beleza. No outro dia Waldir não conseguia tirar ela da cabeça, o sorriso daquela moça encantadora tinha-o pegado de surpresa.

O próximo final de semana era aguardado ansiosamente. O menino estava com esperança de encontrar a linda moça novamente. Dito e feito. No final de semana, Erminda acompanhada pelo seu falecido irmão Erno Sand, entrou no salão de festa localizado no centro da cidade. Como costume, todas as moças sentavam em um banco e esperavam os meninos tirá-las para dançar. Waldir era envergonhado, mas não poderia perder a oportunidade de tentar conquistar o amor de sua vida. Colocou a vergonha de lado, tirou-a para dançar e no final pagou uma guaraná de garrafa de vidro para a moça beber. Desta vez não seria apenas Waldir que passaria os próximos dias pensando no encontro.

Já haviam passado vários finais de semana de encontros, dançavam em bailes, iam à sorveteria da cidade, se encontravam na praça e assim foram se conhecendo. Os encontros começaram a ficar sérios, os dois já estavam apaixonados um pelo outro. Era a hora de se apresentar para o pai da moça. Bertoldo Sand era um homem severo, assim como todo pai é com sua garotinha. No início ele não gostava muito do relacionamento da filha, pois o moço era de outra religião. Quando Waldir foi até sua casa para oficializar a relação e pedir a mão da Erminda em namoro, Bertoldo percebeu que Waldir era um menino bom e vinha de uma família boa. Finalmente os dois apaixonados estavam namorando.

Domingo de manhã a moça já se colocava na sacada de sua casa esperando seu amor. Waldir pedalava 7 quilômetros para encontrar Erminda. Waldir morava na Esquina Hetzel e Erminda onde hoje é localizado o Embutidos XV (propriedade da família). No começo ele ia de manhã e voltava durante a noite, mas como o caminho era longo, ele começou a ir nos sábados e voltar nos domingos. Com o tempo, Waldir já era mais do que da família, ajudava seu Bertoldo a trabalhar e ainda sobrava um tempo para namorar.
“Beijo engravida” era o que Erica Sand, mãe de Erminda, falava para sua filha e ela, inocentemente acreditava. Depois de 3 anos de namoro saiu o primeiro beijo, um símbolo de amor verdadeiro e foi ai que as coisas foram ficando mais sérias. Waldir demorava um pouco mais para ir embora, chegava um pouco antes da hora combinada. Até que um dia resolveram se casar. Precisavam comprar suas coisas para morar juntos. Foram economizando até conseguirem ter um pouco de dinheiro.

Waldir já tinha o dinheiro para conseguir comprar uma cama, mas exatamente naquela semana surgiu a oportunidade de ele e sua namorada olhar o jogo do time do coração dos dois, o Grêmio. O jogo aconteceria em Carazinho, com as despesas de viagem e ingresso, sobraria pouco dinheiro para o colchão. O casal não deu atenção e preferiram ir olhar o jogo do Grêmio. Erminda acabou passando mal durante a viagem. A coisa ficou séria. Erminda desmaiou várias vezes. Infelizmente nenhum do dois conseguiu olhar o jogo. Não havia mais dinheiro para o colhão e também não tinham aproveitado o jogo. Waldir não dava bola para o acontecido, na volta para casa, só agradecia por Erminda ter ficado melhor.
Um dia antes do casamento, a casa do casal tinha algumas cadeiras, uma cozinha americana e um fogão a gás. Os namorados não podiam dormir no chão em sua primeira noite de casados. Erminda, com a ajuda das irmãs de Waldir, fizeram um colchão utilizando as palhas encontradas no galpão da casa dos pais do namorado. O casamento ocorreu e foi um dia de muita alegria e festa.

Atualmente, Erminda e Waldir estão a 49 anos casados, possuem 3 filhos e 8 netos. O amor dos dois é perceptível há quilômetros de distância. Um não vive sem o outro. O primeiro olhar na corrida de cavalos é a mesma de hoje. Esse amor cresceu e aconteceu em Quinze de Novembro, assim como outros.

Qual é a sua história de amor?

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Resultados versus objetivos: estratégias para uma empresa inteligente, Valeska Schwanke

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Como equilibrar resultados versus objetivos estratégicos? Esta, sem dúvidas, é uma das questões que estão na mente dos líderes empresariais, independentemente do porte da sua empresa ou sua área de atuação.

Executar estratégias em uma Learning Organization, ou seja, aquela organização que aprende e que pode ser denominada como uma empresa inteligente, deve ser uma ação coordenada e muito bem planejada.

Por quê?

Ao possibilitar à organização um espaço privilegiado que viabilize do desenvolvimento das 05 disciplinas determinadas por Peter Senge como essenciais para ter uma organização que aprende, quais sejam: domínio pessoal, modelos mentais, objetivos comuns, aprendizado em grupo e pensamento sistêmico, qualquer desenho e execução de estratégia necessitam ser coerentes e gerar valor para todo o ecossistema empresarial.

Compartilho isso com você, pois tomei ciência de um artigo escrito por Simon Horan e Michael Connerty e pubicado pela Harvard Business Review, sob o título: “A boa execução de estratégia exige o equilíbrio de 4 tensões“.

Assim, vamos tratar, brevemente, sobre a relação entre as estratégias da sua empresa e os objetivos estratégicos definidos para ela.

A inteligência de equilibrar resultados versus objetivos

No artigo que citei, publicado na Harvard Business Review, os autores identificam quatro tensões que podem prejudicar a execução de uma boa estratégia.

Recomendo que, se possível, você possa ler o artigo. Nele, além das explicações das tensões, há um case explicativo. que enriquece bastante o entendimento.

De qualquer maneira, para poder fazer a relação desejada neste momento, transcreverei parte do que os autores trabalham com exaustão.

Tensão: um resultado final inspirador versus um objetivo inspirador

Conforme os autores, há a necessidade em equilibrar a motivação pelos resultados com o entendimento dos objetivos.

Perceba que, quando o aprendiz é um adulto, necessariamente ele deve entender o “porquê” está fazendo tal ação e desejar ardentemente fazer isso. Do contrário, sua performance estará comprometida.

Caso isso não ocorra, é normal que ocorram frustrações. Estas frustrações são recorrentes no processo de aprendizagem dos adultos. Especialmente, quando há o desequilíbrio em quatro pilares fundamentais da aprendizagem de adultos, que chamamos de ARCS:

Attencion (atenção);

Relevance (relevância);

Confidence (confiança); e,

Satisfaction (satisfação).

Quando estas estratégias de aprendizagem são “esquecidas” ou até menosprezadas pela equipe da Gestão Estratégica de Pessoas, todos os planejamentos para a melhoria na performance dos times dificilmente atingirão os resultados desejados.

Por isto mesmo, deve-se focar justamente no equilíbrio, na conciliação entre os resultados a serem alcançados, a partir dos objetivos bem definidos.

Resultados versus objetivos: devemos concilia-los

Por mais que você não seja um designer em educação corporativa, certamente tem a noção de que um dos segredos para engajar sua equipe no processo de mudança é conciliar os objetivos estratégicos com os resultados desejados.

Sabemos das dificuldades que há para os gestores de equipes e demais líderes no desenvolvimento de times, para fazer com que as pessoas possam compreender claramente os objetivos e atingir os resultados desejados. Especialmente, quando isso exige novos aprendizados, ou seja, necessitam ser criados novos conhecimentos, que hoje não estão presentes na cultura da empresa ou mesmo do seu time. 

Porém, o seu foco enquanto líder de um time é analisar, pensar e construir experiências para proporcionar um ambiente criativo, inovador e colaborativo na sua empresa.

Isto acontece quando você consegue conciliar bem os objetivos que você necessita que o time alcance, com os devidos resultados aguardados.

Para tanto não esqueça de considerar os pilares ARCS – Attencion (atenção); Relevance (relevância); Confidence (confiança); e, Satisfaction (satisfação) – em todos os seus processos de gestão de pessoas, especialmente na educação corporativa.

Ah, não esqueça também que quando estamos tratando da aprendizagem de adultos, há a necessidade de conciliar teoria e prática, com a utilização de tecnologias assertivas e inovadoras.

De qualquer forma, desde já, analise, faça suas considerações e avalie o que pode ser mudado na sua empresa, no seu time para que sejam atingidos os resultados desejados e que haja ganho para todas as partes envolvidas.

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O papel da família na Educação Infantil, por Luana Polon

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Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, em seu artigo primeiro “a educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais”.
Isso significa que os processos educativos e de aprendizagem não são exclusividade dos ambientes formativos oficiais, como as escolas, mas estão permeados por uma complexa gama de agentes, e um deles é a família.
O papel da família é importante em todos os momentos da vida de um indivíduo, porém, se faz ainda mais essencial nos primeiros momentos do desenvolvimento de um ser humano, caracterizados pela infância.
O momento escolar da Educação Infantil é o contato da criança com novos e instigantes conhecimentos, mas é também um dos primeiros confrontos com a diversidade, com os limites impostos pela sociedade, com as noções do que é moralmente correto segundo os padrões sociais.
E se a família não for uma aliada da escola neste momento, podem surgir alguns problemas, como a falta de respeito com os professores e colegas, o não reconhecimento dos limites e das regras do ambiente escolar, bem como a resistência diante do que é novo para a criança.
O artigo segundo da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (1996) estabelece que “a educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.
Desta forma, tendo como base a legislação brasileira, é possível perceber que as instituições formais de educação devem trabalhar de forma inter-relacionada com as famílias, de modo que os indivíduos possam alcançar a plenitude de seu desenvolvimento.
A Educação Infantil é o primeiro momento da Educação Básica, e abrange a formação das crianças de zero a três anos na creche e de quatro e cinco anos na pré-escola. Este momento formativo é essencial para que seja alcançado o princípio do desenvolvimento pleno do sujeito, e abarca os aspectos físicos, psicológicos, intelectuais e sociais.
Através disso, pode-se perceber que diante da complexidade da formação plena do indivíduo, a escola, enquanto instituição formal, não tem as condições necessárias para integralizar de forma concreta todos os aspectos deste processo formativo. Por isso, a presença e atuação da família são fundamentais neste momento da vida escolar.
O papel de cada uma destas instituições – escola e família – por vezes parece estar distorcido na sociedade brasileira, de modo que se exige das escolas funções que não lhe cabem diante da legislação que embasa a educação no país.
Por isso, é necessário que se tenha clareza de que a família é a principal responsável pela educação das crianças, pois é a primeira instituição social a qual os indivíduos são integrados.
A escola é um espaço formal de aprendizagem, onde são socializados os conhecimentos produzidos cientificamente, e onde as crianças vivenciarão com maior intensidade os contatos e conflitos com outro. Por isso, a escola é também um ambiente de constituição da identidade do sujeito.
As famílias não podem delegar apenas às escolas a educação de seus filhos, pois isso seria aceitar que uma instituição coletiva escolhesse totalmente os rumos da formação das crianças.
As famílias precisam trabalhar de forma integrada com as escolas, de modo que os conhecimentos teóricos tenham um significado na vida cotidiana das crianças.
Essa inter-relação entre a escola e as famílias é a base para que a educação alcance o ideal da formação plena do sujeito, e isso ocorre em todo o processo educativo, seja dentro ou fora da escola. Por isso, a presença da família é essencial em todos os momentos da formação, mas é especialmente necessária na Educação Infantil.

Referências
BRASIL. Presidência da República. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 20 de dezembro de 1996. Brasília, DF: Presidência da República. Disponível em: https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1996/lei-9394-20-dezembro-1996-362578-publicacaooriginal-1-pl.html. Acesso em: 05 jun. 2019.

BRASIL. Ministério da Educação-MEC. Educação Integral. Educação Infantil. Disponível em: http://educacaointegral.mec.gov.br/educacao-infantil. Acesso em 05 jun. 2019.
*Texto originalmente publicado no site educacional “Educa Escola”.

Luana Caroline Kunast Polon é Mestra e Licenciada em Geografia, Especialista em Neuropedagogia e Educação Profissional e Tecnológica. E-mail: luanacaroline.geografia@gmail.com.

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A importância do planejamento na agropecuária

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Há muito se fala, da importância do planejamento de atividades, insumos e comercialização na produção agropecuária.

Cada vez mais, passa safra, vem safra, vemos nossas margens, nossa rentabilidade cada vez menores e cada vez mais, se faz necessário atentarmos a esta prática simples, mas que permitirá retornarmos a ter uma lucratividade em nossa propriedade rural. Percebe-se que o endividamento no campo, cresce, devido a alguns fatores importantes, como a baixa rentabilidade que a produção primeira revela, por causa dos altos custos de produção e a venda de seus produtos no seu preço não ideal e a não realização do planejamento de atividades, custos e venda.
Aliás, o assunto endividamento, volta a pauta, pois visualizamos novo período de dificuldades extremas na agropecuária, muito em breve, se não tomarmos atitudes importantes e que determinarão nosso futuro no campo. Mas isso será tema de outra matéria, com base em estudo mais aprofundados.

Identificamos com base em nossa consultoria com os produtores rurais, assistidos pela EPAGRE Projetos e Assistência Técnica Ltda, que hoje atende quase 1500 clientes em mais de 30 municípios gaúchos, a falta do planejamento de sua produção, para a safra atual e futura. Hoje estamos alicerçados e praticamente “presos” a produção de um único produto: a Soja, assim, como antigamente nossos pais e avós, onde a base da produção era o trigo e a suinocultura, onde muitas famílias fizeram fortuna, adquirindo extensões de terras, com os ganhos nestas atividades.

Identificamos a importância extrema em avaliarmos a produção ou a exploração de mais, ou outras atividades. As boas práticas agrícolas, que se aprende nos cursos técnicos ou na graduação, é praticamente extinta em nosso meio. É compreensível, pois o produtor rural atual se prende ao fato que é na escala maior de produção, que terá maior rentabilidade, que não deixa de ser um pensamento de certa forma correto, mas que não traduz o perfeito equilíbrio.
Falando nas atividades exploradas no verão, onde o principal produto é a soja, vemos uma atividade importante, o milho, esquecido. Importante, pois além de ser uma válvula de escape ou outra “veia de produção”, onde bem manejada, possibilita uma entrada de recurso no fluxo de caixa antes que a soja (normalmente em janeiro) e ainda possibilita a implantação de safrinha, que pode ser o próprio milho novamente ou até mesmo o feijão (comida nossa do dia-a-dia) esquecido por muitos.

Identificamos cada vez mais, o desestímulo da produção no inverno, com nossas culturas de trigo, cevada, canola e as aveias (preta e branca). Muitos avaliam somente sua rentabilidade negativa, como principal fator a direcionar o desestímulo do plantio, deixando assim, nossas coxilhas vazias, sem nada a produzir. Lembramos, que nas atividades de inverno, não somente deve-se avaliar a rentabilidade logo após a colheita. Precisa-se avaliar os demais benefícios que as atividades proporcionam, como o manejo da próxima cultura que fica mais facilitado, a sobra de fertilizantes no solo, a palhada que fica em cobertura e até mesmo o controle de ervas daninhas, que se eliminam muito mais facilmente. Deixando novamente de ter uma entrada de recursos em nosso fluxo de caixa, em período onde não se tem receita (novembro e dezembro – NATAL).

Ora, mas por qual razão explorara estas atividades que nos deixam rastros de prejuízo e aumentam nosso endividamento? Será?

Bem planejadas estas atividades, podem sim, ser alvos de rentabilidade ao setor primeiro. Precisamos focar em três situações. Primeiro, é a fixação do custo de produção; Segundo, a garantia da comercialização do produto, através de mecanismos de comercialização que pode ser até mesmo hedging ou opções de venda; Terceira, e a mais importante é limitar outro risco a nossa produção que é o clima, onde neste fator, encontramos no seguro agrícola nosso aporte.
Assim, o produtor fica “blindado” frente as principais intercorrências, como o preço e o clima. Com uso destas ferramentas, minimiza estes riscos, garantindo assim a rentabilidade positiva.

Lembrando que para isso, o planejamento é fundamental. Ainda antes do final da colheita do verão, é necessário avaliar vários e diversos fatores, como mercado de produtos e insumos, clima, a condição da propriedade, localização, política agrícola, etc., para melhor identificar o caminha a seguir naquela safra e a futura, pois quando falamos em planejamento, devemos pensar em curto, médio e longo prazo.

Mas não só de grãos, vive nossa região. Aliás, destaca-se muito em nosso Estado, a produção pecuária, principalmente o leite. Atividade sagrada, que em muitos casos, é o sustento mensal no campo.
O leite traz entradas mensais de recursos financeiros no fluxo de caixa da propriedade, com isso, o produtor paga sua conta de luz, faz o mercado, abastece seus veículos, enfim, faz a roda da economia girar no município. Gerando renda em vários segmentos na cidade, principalmente aos que trabalham com o agronegócio.

Assim como os grãos, o setor leiteiro está com sua rentabilidade afetada, principalmente aos que tecnificaram sua produção para outros sistemas, onde o custo se elevou e a necessidade de maiores investimentos é constante. Por outro lado, aos que produzem de forma mais rústica, conseguem manter a propriedade e ter uma rentabilidade maior.
Para todos os caminhos, seja para custear a produção ou na aquisição de novas tecnologias, máquinas, implementos e equipamentos, podemos contar com o aporte de financiamento junto as instituições financeiras, que assim como os demais fatores, precisam ser avaliados com cautela. Saber qual a linha de financiamento acessar, qual o prazo, juros, mitigadores de riscos, são tão ou mais importantes do que os demais.
Muitos, na ansiedade ou sem orientação profissional fazem negociações que podem ser cruciais, para o andamento de suas atividades na propriedade rural, não só agora, mas com impactos profundos no futuro, principalmente em períodos de dificuldades ou de frustrações de safra.

Muitos outros assuntos relevantes a perpetuidade da propriedade e da produção precisam ser tratados, podemos ainda mencionar o endividamento agrícola e a sucessão familiar. Mas certamente será tema de nosso relato, em outra oportunidade, assim que convidados por este meio de comunicação.

Para tudo que foi tratado neste artigo, o produtor rural pode contar com a equipe de técnicos e gestores da EPAGRE Projetos e Assistência Técnica, que possui mais de 30 anos de experiência no crédito de financiamento e na orientação ao produtor rural, trazendo benefícios, rentabilidade e consequentemente maior qualidade de vida no campo.

Grande abraço e até a próxima.

Marcio André Ücker

Bel. Em Gestão de Empresas Rurais
Sócio proprietário da EPAGRE PROJETOS E ASSISTÊNCIA TÉCNCNICA

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O que é a Escola, qual sua função? [Luana Polon]

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A resposta para a pergunta “o que é a escola?” pode parecer óbvia, mas também pode vir carregada de generalizações, já que é uma questão que as pessoas não costumam fazer cotidianamente, ficando mais retida aos espaços de formação de profissionais da educação. Mas, o que afinal se pode entender como escola? Qual a função prática desta instituição na sociedade? A escola hoje ainda é importante na formação dos sujeitos?

O que é a escola, qual sua função?

Quando é realizado um exercício de pensamento mais profundo sobre a questão educacional e o papel da escola, a pergunta original deste artigo (o que é a escola?) não parece mais tão facilmente elucidável. Ao longo da história, a humanidade juntou uma ampla gama de conhecimentos sobre o mundo, os quais eram extremamente necessários para que as civilizações pudessem continuar existindo (por exemplo: quais plantas eram comestíveis e quais poderiam matar; qual o melhor momento para migrar, para plantar, etc.). Estes conhecimentos eram repassados entre as gerações através de teorias e de práticas, porém, sem que para isso existisse outra instituição além da família e da comunidade. Com isso, a humanidade criou um enorme arcabouço de conhecimentos ao longo de sua evolução, por isso, os seres humanos são chamados de sujeitos históricos, porque fazem parte de todo conhecimento construído ao longo da história. A palavra “escola” deriva do grego “scholé”, que significa “lugar do ócio”. Isso porque as pessoas iam à escola em seu tempo livre para aprender a pensar. O modelo atual de escola surge ainda no século XII na Europa, com professores como detentores do conhecimento e os alunos como aprendizes. Antes disso, já existiam métodos de socialização do conhecimento, porém em modelos informais. As instituições educacionais europeias daquele contexto estavam vinculadas à caridade católica, onde além de aprender a ler, escrever, contar, as crianças ainda tinham lições de catecismo. Esse modelo foi trazido ao Brasil pelos Padres Jesuítas da Companhia de Jesus ainda em 1549. A escola atualmente é fruto dos vários momentos pelos quais passou a educação brasileira, com diversos modelos metodológicos, correntes de pensamento, filosofias e psicologias da Educação. A escola é o espaço próprio da educação formal. As crianças chegam à Educação Básica já com vários conhecimentos formulados, mas é na escola onde serão socializados os conteúdos acumulados ao longo do tempo pelas várias gerações de seres humanos que habitaram o planeta Terra. Estes saberes foram agrupados em áreas do conhecimento, visando seu melhor aprofundamento, bem como uma mais eficaz socialização. No entanto, a escola é também o ambiente da construção de novos conhecimentos. É no ambiente escolar onde os alunos são instigados a pensar sobre os acontecimentos, bem como atribuir a estes suas próprias considerações e significações. Por isso, cada vez mais se busca a construção de uma escola em perfil democrático, onde haja a participação também das famílias e da comunidade em geral. Uma escola onde a pluralidade de ideias e de concepções pedagógicas esteja presente na prática cotidiana, garantindo a formação plena dos sujeitos no processo educativo. A escola é o espaço onde a diversidade se apresenta com maior intensidade, seja ela de modos pelos quais ver o mundo, de concepções religiosas, políticas, de entendimento das questões sociais, bem como em relação ao próprio jeito de ver as limitações e potencialidades do outro. O papel da escola na sociedade é o de permitir que os estudantes tenham acesso ao conhecimento acumulado historicamente. Ainda, que estes desenvolvam a capacidade de pensar criticamente sobre as coisas, posicionando-se sempre que necessário ou desejável. A escola é um ambiente de socialização e consequente modelamento da própria personalidade. As crianças aprendem em todos os lugares e situações, no entanto, é principalmente no ambiente da escola que elas terão a oportunidade de ter acesso a um mundo de conhecimentos, os quais foram constituídos no decorrer de todo processo histórico pelo qual a humanidade passou.

Referências
BRASIL. Presidência da República. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 20 de dezembro de 1996. Brasília, DF: Presidência da República
BRASIL. Ministério Público Federal-MPF. Turminha do MPF. O que é a escola?

*Texto originalmente publicado no site educacional “Educa Escola”.
Luana Caroline Kunast Polon é Mestra e Licenciada em Geografia, Especialista em Neuropedagogia e Educação Profissional e Tecnológica. E-mail: luanacaroline.geografia@gmail.com.

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A vida de um produtor de leite [Letícia Vargas]

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Você sabe de que lugar sai a caixinha de leite que compramos no supermercado? Quinze de Novembro, assim como boa parte da região, é uma cidade pequena e a maior parte da população conhece ou já ouviu falar das vacas leiteiras. Na capital do turismo regional a maior parte de sua terras são rurais, ou seja, grande parte da população se encontra no interior. A agropecuária familiar está muito presente nesses pedaços de terra e junto a elas as atividades leiteiras.

Nos 365 dias do ano, duas vezes por dia, o produtor de leite precisa ir ordenhar as vacas. Independente se tem chuva ou sol, se o clima está quente ou frio, com barro ou não; o produtor precisa ir até estrebaria e começar o seu trabalho. As vacas necessitam de rotinas e por isso os produtores possuem o horário da ordenha e da alimentação. As atividades costumam ser bem trabalhosas, são anos de dedicação para conquistar o resultado.
Na agropecuária familiar, os produtores costumam criar suas próprias vacas. Uma vaca demora em torno de dois anos e meio para estar pronta para a ordenha. São 30 meses de investimento sem gerar lucro nenhum. Além de possuir esses gastos, o produtor necessita produzir o alimento, comprar a ração, ter os gastos com higiene e remédio. O proprietário só recebe o valor gasto depois de um mês de trabalho. O produtor nunca tem certeza do valor que vai receber pelo seu produto. Ele não escolhe pelo valor que compra as mercadorias e muito menos pela qual vende o seu produto final.

Em países da Europa, como a Suíça, o planejamento de arrecadação do leite é feito por um ano inteiro, dando estabilidade para os produtores. No Brasil os pequenos produtores iniciam o ano sem saber qual será seu destino depois de 12 meses. Vários fatores atrapalham a estabilidade financeira dos produtores de leite. As importações, alta exagerada dos insumos, inflações e a lei da oferta e procura, são a itens que dificultam a vida de agropecuaristas.

Por que ser um produtor de leite em frente a tantas dificuldades? Apesar de ser um ramo difícil e bem trabalhoso, é possível definir em três palavras: horário, valor e amor. O produtor consegue fazer seu próprio horário, em caso das agropecuárias familiares, eles são seus próprios donos. Não é necessário ter uma hora exata para iniciar a tarefa, podendo equilibrar com as outras atividades do dia, lembrando sempre em suprir as necessidades das vacas. Diferente do milho, soja, frango e suíno, o leite é uma renda mensal. A cada 30 dias o produtor recebe pelo o que trabalhou, conseguindo manter suas contas e gastos. A última palavra é o amor. Fazer aquilo que gosta. Muitos dos produtores de leites carregam essa profissão de seus pais, produzindo no mesmo terreno que seus bisavôs trabalhavam. Levantar ao amanhecer nem sempre é um sacrifício, mas também um prazer de ver sua terra coberta de geada ou com um sol lindo do verão.

O que mantém muitos dos produtores de leite nesta profissão é a esperança por um futuro melhor. Atualmente o Brasil não possui leis que facilitam a caminhada dos produtores. A importação é um dos fatores que poderiam ser melhorados politicamente para dar mais voz aos produtos produzidos dentro do país. Apesar de possuir varias faltas governamentais, Quinze de Novembro facilita a vida dos produtores de leite. A prefeitura costuma auxiliar e dar apoio para serviços que a mesma tem condição de fazer.

As agropecuárias familiares mantém Quinze de Novembro em movimento. Sem eles não haveria compras mensais e muito menos a circulação de dinheiro na cidade.
Eles, assim como boa parte do país receber pouco apoio para continuar em sua profissão e para que a comunidade continue recebendo alimentos de boa qualidade é necessário apoiá-los e incentivá-los.

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O inverno no Sul do Brasil [por Luana Polon]

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O inverno no Hemisfério Sul começa no dia 21 de junho de 2019, e é o momento em que as temperaturas apresentam significativa queda em algumas regiões do Brasil, especialmente na região Sul do país, que é onde as mudanças trazidas pela estação se fazem mais evidentes. O inverno é a estação que sucede o outono e antecede a primavera, e se encerra no dia 23 de setembro. Todos os anos, essa época gera expectativas sobre como serão as condições no período do inverno, se será seco ou chuvoso, se haverá neve ou granizo, e como estas características afetarão as atividades humanas (agricultura, pecuária, turismo). A ocorrência do inverno está relacionada com a posição da Terra em relação ao Sol, e a consequente radiação solar que atinge cada região do globo.

Nesta época, por conta do eixo terrestre, os raios solares incidem de forma mais inclinada, com isso, os dias são curtos e frios. Quanto mais próxima dos polos terrestres uma região estiver, mais afastada ela ficará do Sol durante o inverno, e isso porque menor intensidade de luz solar ela receberá, e consequentemente mais fria será. Por isso mesmo é que as regiões mais próximas da Linha do Equador possuem temperaturas mais constantes, e estações do ano pouco definidas, muitas vezes caracterizadas por um período seco (inverno) e outro chuvoso (verão). Mas essas condições climáticas são muito variáveis em conformidade com cada local do globo, também com o relevo, o tipo de solos, as massas de ar atuantes, bem como a vegetação que recobre cada local.

O inverno no Sul do Brasil é o mais rigoroso diante das regiões do país, justamente porque quase toda a região (excetuando-se uma parte do Norte do Paraná) fica abaixo do Trópico de Capricórnio. Essa linha imaginária que corta o globo terrestre marca a entrada em uma região climática específica, que é a Zona Climática Temperada do Sul. O clima predominante na região Sul do Brasil é o Subtropical (abaixo do trópico), e é marcado pela presença de um inverno mais rigoroso do que no restante do país, cujas regiões estão sob o domínio da Zona Climática Tropical. O inverno da Região Sul do Brasil acaba sendo um grande atrativo turístico para a região, trazendo anualmente muitas pessoas que querem vivenciar uma experiência diferenciada. Juntamente com o frio, destacam-se as belas paisagens da região, a possibilidade de conhecer as cidades voltadas para o turismo (especialmente da Serra Gaúcha), degustar os vinhos e as comidas típicas regionais (pinhão, café colonial). Destaca-se ainda a possiblidade de neve durante o inverno, que é mais comum de ocorrer na região Sul do Brasil. Quando há neve, o potencial turístico da região se torna ainda maior, porque é uma oportunidade única para muitas pessoas de vivenciar este fenômeno natural. A neve é uma ocorrência meteorológica onde há a precipitação de flocos formados por cristais de gelo, podendo ela ser úmida ou seca. Esse fenômeno ocorre mais comumente nos planaltos serranos do Estado do Rio Grande do Sul e também de Santa Catarina e do Paraná. Mas existem casos isolados de neve no Brasil nos Estados de São Paulo, de Minas Gerais e ainda do Rio de Janeiro.

Na agricultura, as principais culturas de inverno na região Sul do Brasil são o trigo, a cevada, triticale, centeio, canola, aveia e ainda soja-região fria. O inverno da região Sul do Brasil tem muitos atrativos turísticos e coisas interessantes que dinamizam a região. No entanto, é também o período do ano em que a atenção à saúde é potencialmente elevada na região, especialmente diante das doenças que se manifestam com mais frequência nesta época, como gripes e problemas respiratórios (asma, bronquite, pneumonia). Pessoas em situação de rua, idosos, crianças e aqueles que já tem doenças preexistentes são os que mais sofrem nesta época do ano. Os hospitais costumam ficar com os leitos lotados e o atendimento comprometido.

A situação pode ser ainda mais séria quando o inverno é chuvoso, trazendo consigo os riscos da umidade, como quedas com fraturas e acidentes nas estradas. Para o ano de 2019, estima-se que a mudança do outono para o inverno (do dia 19-06 até 21-06, quando começa o inverno) seja marcada pela entrada da última massa de ar polar intensa na região, derrubando as temperaturas, inclusive com potencial risco de geada. Após isso, com a entrada do inverno, as temperaturas naturalmente começam a diminuir ao longo de toda a estação. É hora de cuidar da saúde, mas também de aproveitar o que o inverno do Sul tem de bom para oferecer!

Luana Caroline Kunast Polon é Mestra e Licenciada em Geografia, Especialista em Neuropedagogia e Educação Profissional e Tecnológica. E-mail: luanacaroline.geografia@gmail.com.

imagem Camila Bottega

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Reciclagem: o que é e qual sua importância? [Luana Polon]

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O que é reciclagem?

A definição mais comumente aceita para o conceito de reciclagem é aquela que considera o ato de reciclar como o processo de conversão de desperdício em materiais ou produtos de potencial utilidade. Ou seja, a reciclagem é a ação de transformar os resíduos gerados pelas pessoas em novas coisas, de modo a reduzir os problemas socioambientais gerados pela deposição destes resíduos em locais inadequados. Além disso, promove uma diminuição na exploração dos recursos naturais, usando para isso produtos previamente existentes e reaproveitados. Vários materiais podem ser reciclados, como os papeis, plásticos, vidros, metais.

Qual a importância da reciclagem para o meio ambiente?

A questão do lixo ainda é um sério problema no Brasil. Acredita-se que 53% dos resíduos produzidos (orgânicos e inorgânicos) ainda sejam descartados de maneira inadequada, principalmente em lixões a céu aberto, os quais a Política Nacional de Resíduos Sólidos (2010) previa que fossem extintos até o ano de 2014. Dados mostram que aproximadamente 24% dos domicílios do Brasil ainda não contam com o serviço de coleta de lixo, e que em relação à reciclagem, o índice nacional é de apenas 3,7%. Dentre as regiões brasileiras, o Sul é que o está mais avançado em relação ao descarte de lixo, seguido do Sudeste, Norte e Centro-Oeste, e por último a região Nordeste. Ainda assim, muito pouco mudou desde a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, e o lixo continua sendo depositado de forma inadequada, gerando danos socioambientais no país. A reciclagem é muito importante, pois permite que sejam separados os resíduos que são orgânicos daqueles que são inorgânicos. Com isso, os dejetos que se integram novamente ao meio ambiente, são tratados de uma forma, enquanto aqueles que demoram anos (até séculos!) para se decompor, são tratados de forma mais específica. Assim, evita-se a contaminação do meio ambiente, bem como riscos de saúde à população e aos animais. Ao realizar a reciclagem, há também uma redução do uso de matéria-prima na produção, já que se utiliza novamente um recurso natural que já foi explorado. Por exemplo, quando reciclamos papel, reduzimos a retirada de madeira (da qual são extraídas as fibras de celulose), que seria utilizada na produção de papel novo. Desta forma, são vários os benefícios gerados pela reciclagem, desde a redução da exploração dos recursos naturais até a minimização dos danos causados pelo descarte inadequado do resíduo.

Como surgiu a reciclagem?

O lixo sempre existiu em todas as civilizações ao longo da história, no entanto, a quantidade e a diversidade do lixo aumentaram muito com os processos industriais e o massivo acesso aos bens de consumo pela sociedade. Desta forma, a produção de lixo passava a ser uma importante inquietação da sociedade, tanto para que os resíduos fossem retirados da visão das pessoas (questão estética), quanto pela questão de saúde, como a contaminação dos recursos naturais (água, solos, ar) e intensa exploração do meio ambiente. Com a Revolução Industrial (a partir de 1760), os modos de produção e consumo foram se alterando, e se intensificava a necessidade de pensar em formas de armazenamento ou reutilização dos resíduos produzidos pela população e pelas próprias indústrias. Emergia a preocupação com o descarte do lixo em grandes aterros, já que naquele momento não havia mais apenas o lixo orgânico, mas também grandes quantidades de materiais como papel, plástico, metal, vidro, etc. Com isso, começa a se implantar a ideia da reciclagem, que é basicamente pegar um material já utilizado e transformá-lo novamente em algo que possa ter utilidade.

Para refletir: você já parou para pensar sobre o que é feito com o lixo produzido em sua cidade? Existe coleta seletiva (papéis, plásticos, metais e vidros)? Qual o destino de resíduos como óleo de cozinha, medicamentos vencidos, frascos de veneno, material hospitalar (curativos, agulhas, etc.)? Você faz a separação do lixo orgânico e reciclável em sua casa? Como você armazena materiais cortantes? Você tem feito algo para reduzir a produção de lixo em seu cotidiano?

Adaptação de texto publicado com o mesmo título no site educacional Estudo Kids (https://www.estudokids.com.br/reciclagem/).

Luana Caroline Kunast Polon é Mestra e Licenciada em Geografia, Especialista em Neuropedagogia e Educação Profissional e Tecnológica. E-mail: luanacaroline.geografia@gmail.com.

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Aprendizagem versus treinamento: como equilibrar?, por Valeska Schwanke Fontana Salvador

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Apesar de parecer óbvio, há confusão frequente entre aprendizagem e treinamento.
Aprendizagem sempre será um processo maior, sistêmico e continuado. Já o treinamento, dependendo da estratégia, até pode ser um dos pilares para o desenvolvimento das equipes num processo de aprendizagem.
O que quero dizer é que estes dois vocábulos estão longe de ser sinônimos. Então, ao optar pela aprendizagem, a organização precisa adaptar-se e fomentar um espaço propício a esta estratégia.
Quando pensamos em treinamento, imediatamente vem à tona a era industrial. Afinal, o treinar é fazer com que as pessoas executem determinada tarefa com maior eficiência.
Contudo, em alguns casos, é essencial que as pessoas saibam como manipular com excelência determinada atividade. Pois, como solicitar que se inove e aloque conhecimento, sendo que nem se imagina como fazer para “funcionar” determinado recurso?
Quando tratamos de treinamento é importante que fique claro que ele terá uma visão técnico-operacional. Portanto, caso a necessidade de desenvolvimento de competências seja esta, mesmo sendo um paradigma da era industrial, a estratégia será muito benéfica também na era do conhecimento, ou seja, a nossa.
Aprendizagem versus treinamento: um ou outro?
Apesar de já termos iniciado essa conversa, vale termos um espaço específico para refletirmos.

O que já trouxemos para este artigo é:

a) Aprendizagem é um processo sistêmico e continuado.
b) Treinamento é aplicado para as necessidades técnicas e operacionais.

Então, você imagina que precisamos optar por um caminho ou outro ou que possamos conciliá-los?
Dica: qualquer ação que envolva o desenvolvimento de pessoas deve ser planejada e ligada aos objetivos estratégicos da organização. O segredo é saber utilizá-la como insumo e tecnologia, trazendo o aprendiz para o centro de todo planejamento estratégico.
Então quer dizer que devemos treinar as equipes e gerar aprendizagem nos líderes?
De forma alguma. Dificilmente um líder será submetido a um treinamento, propriamente dito. Porém, em virtude do pensamento sistêmico, exigido para uma learning organization (organização que aprende), pode ser que haja tal ação educacional. Todavia, seria uma exceção à regra.
De outro lado, privar as equipes de terem a possibilidade de um processo de lifelong learning (educação continuada) é tolher o que Peter Drucker chama de trabalhadores do conhecimento. Citando suas palavras:

[…] profissionais que sabem como alocar conhecimentos para uso produtivo. Pessoas capazes de incrementar a produtividade e gerar inovação. Esse é um trabalhador que aprende mais, melhor e muito mais rápido; para isso uma nova forma de educação deve surgir. (DRUCKER, 1997).

Neste sentido, é essencial entender e aceitar o quão estratégico é desenvolver as pessoas. Precisa-se imediatamente mudar o paradigma industrial onde o investir no capital humano era visto unicamente como um custo.
Aliás, para compreendermos a diferença entre o paradigma industrial e do conhecimento, vale analisar o quadro abaixo.

Entretanto, sabemos que em um cenário tão conturbado e complexo como o que estamos presenciando nos últimos tempos, a aprendizagem e o treinamento não são prioridades nas organizações. Todavia, será que haverá criação e manutenção de diferenciais competitivos, sem que haja investimento em melhorar as competências que são essenciais para o ecossistema empresarial? Fica a indagação para a nossa análise.

 

Valeska Schwanke Fontana Salvador é CPO e CO-Founder da Conducere Inteligência Corporativa. Mentora, professora universitária e Advisor de Smart Business. Possui especialização em Inovação em Tecnologia Educacional e Design Instrucional/Educacional.

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A capital do turismo regional, por Letícia Vargas

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Quinze de Novembro é muito conhecida como a capital do turismo regional. Suas belezas naturais encantam as pessoas que por ali passam. Há muito tempo as pessoas a conhecem como uma cidade turística. Mas o que é turismo? A palavra é oriunda do latim “Tornare” e do grego “tornus”, tendo seu significado como “giro”. O turismo pode ser interpretado como algo que as pessoas fazem para se sentir bem. As atividades realizadas durante viagens, momentos de lazer e a permanência por pouco tempo em lugares distintos de suas casas são características do turismo.
As cidades turísticas são aquelas que estão preparadas para receber pessoas de fora e acolhe-las da melhor forma. O turismo pode ser rural, cultural, religioso, ecológico, entre outros. Na cidade de 224 Km² de área total, 3 distritos e 3.653 habitantes (segundo o IBGE de 2010) agrupa praticamente todos os tipos de turismo. Em Quinze de Novembro, se concentram pelo menos 23 pontos que os viajantes podem visitar, a maioria deles vinda de belezas naturais.

Muitas pessoas que vivem em cidade média ou grande procuram descanso durante os finais de semana. Quinze de Novembro é conhecida como uma cidade calma, e dá o prazer de escutar os bons sons da natureza. Quando as pessoas que moram nas metrópoles, localizadas aos arredores da cidade, descobrem esta paz, procuram construir uma casa ou se hospedar em uma dos hotéis da cidade. Ao passar pelo lago do Passo Real é fácil ver construções ás margens da barragem, a maioria delas são de estrangeiros, pessoas que moram em outras cidades e se locomovem para apreciar as belezas deste local.

Por ter uma grande extensão de lagos e rios, a prática da pesca é muito comum. Viajantes que gostam de pescar marcam com seus amigos um churrasco ao leito da barragem. Não importa se não conseguirem pegar nenhum peixe, muito deles vão apenas se divertir e conversar com os amigos. Outros utilizam a pesca para se sustentar e vender os peixes para aqueles que não têm tempo de pescar.

O turismo existe há muito tempo, mas nem sempre ele foi estudado. Recentemente foram surgindo pesquisas sobre o turismo. Antes ele não tinha muita importância para as cidades, ser “a capital do turismo regional” não era muito comum, pois aquilo era visto com pouca importância. Atualmente, essas atividades são de grande valor, tanto para os turistas, quanto para aqueles que vivem em uma cidade turística.
A atividade turística é uma das mais importantes no setor econômico e de geração de emprego e renda. Quase 8% do PIB nacional vêm do setor de turismo e o mesmo é responsável por gerar 6,59 milhões de empregos. Ser uma cidade turística pode facilitar muito na economia do local e da região.

Quinze de Novembro, uma cidade pequena, possui basicamente cinco fontes de economia: agricultura, pecuária, indústria, comércio e turismo. Sendo que o maior ramo de trabalho é na plantação dos agricultores. O restante das fontes econômicas depende dos moradores rurais, se a safra não for muito boa, toda a população fica prejudicada. O turismo ajuda no financeiro dos comerciantes. Principalmente no verão, a estação que tem seu maior pico de movimentação, costuma facilitar a vida de quem depende de vendas.

Boa parte do crescimento de Quinze de Novembro se dá a partir do turismo. A cidade está utilizando o que tem de melhor em suas terras. A limpeza, organização, carisma e crescimento tornam o município um exemplo para os vizinhos territoriais. Pessoas que moram ao lado da capital do turismo, preferem se deslocar a ficar em suas próprias terras. A visão da região do Alto Jacuí e de boa parte do estado é de um munícipio promissor que ainda tem muito a ser explorado, suas terras são dignas de muito além do que já foi conquistado até os dias atuais. Para continuar crescendo talvez o município necessite de algo a mais. Será que a população precisa ajudar a usufruir todo o potencial, a gestão pública ou todos em união?

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A Festa Junina no contexto da cultura popular brasileira, por Luana Polon

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Eis que chega o mês de Junho, e com ele as famosas festas juninas! A cultura popular brasileira é rica em manifestações, caracterizada pela multiculturalidade, uma mescla da diversidade dos grupos humanos que formam o povo brasileiro. Para Darcy Ribeiro, um dos mais importantes antropólogos que o Brasil já teve, o povo brasileiro é constituído originalmente pela miscigenação entre os grupos indígenas que viviam nas terras que atualmente chamamos de Brasil, os brancos europeus na figura dos colonizadores e os negros africanos trazidos no contexto da escravidão. Soma-se a isso a presença dos demais grupos que vieram posteriormente, todos carregando traços culturais dos seus locais de origem. Com isso, formou-se um ambiente cultural dotado de grande diversidade, seja nas danças, na gastronomia, nas ritualísticas, nas vestimentas e crenças.

Uma das festividades mais conhecidas no Brasil é a Festa Junina. Estas festas são realizadas em vários locais do Brasil, no entanto, não são homogêneas em sua caracterização. Por exemplo: as festas juninas nordestinas não são iguais as festas juninas realizadas na região Sul. Isso porque os grupos populacionais foram inserindo elementos próprios de outras culturas na comemoração junina, inclusive no que diz respeito aos alimentos. Originalmente, a Festa Junina era uma comemoração que foi trazida pelos portugueses e espanhóis para o território brasileiro, e tinha relação com a religião católica, constituindo-se como uma homenagem a santos como São João, Santo Antônio e São Pedro. Em um primeiro momento, estas festas eram chamadas de “festas joaninas” em referência a São João, ou ainda na cultura pagã “Midsummer” (celebração do meio do verão) e tinham relação com o solstício de verão no Hemisfério Norte. No Brasil, como estamos em outro hemisfério terrestre (Sul), estas festas ocorrem no período de transição para o inverno, mais especificamente no mês de Junho, por isso ficaram conhecidas como “festas juninas”.
As festas que seguem a mesma lógica da Festa Junina são desenvolvidas no mundo todo, mas cada lugar possui uma manifestação diferente, segundo a cultura local. No Brasil, a Festa Junina é caracterizada como festividade do “interior” ou ainda “caipira”. As festas brasileiras são baseadas nas festas dos santos populares em Portugal, com uso de instrumentos musicais como sanfonas, cavaquinhos, reco-reco. Ainda, vestimentas no estilo caipira, em uma clara referência aos povos sertanejos que se instalaram na região Nordeste do Brasil. São comuns as comidas típicas como canjica, pamonha, o milho cozido, a pipoca e o bolo de milho, arroz-doce, broa de milho, cocada, a bebida chamada de “quentão”, o vinho quente, pé-de-moleque, a batata-doce, o bolo de amendoim, o pinhão e outros. A Festa Junina mais típica do Brasil é a da região Nordeste, no entanto, essa festividade ocorre em vários outros lugares do Brasil também. Na região Sul do Brasil são incorporadas vestimentas, músicas e danças, bem como a culinária mais apropriada aos aspectos culturais dos povos que colonizaram esta região. Assim, é comum que a roupa nas festas juninas da região Sul do Brasil seja ligada a cultura gaúcha, com as meninas vestidas de prenda e os meninos de peão. As músicas são o vaneirão, o chamamé e o xote gaúcho.

Além disso, há uma maior incorporação de pratos com pinhão, o espetinho de carne, a canjica de leite, doces de origem europeia, chimarrão. Apesar das diferenças na forma da comemoração nas diferentes regiões do país, a Festa Junina tem uma origem comum, tendo sido incorporados os demais elementos culturais posteriormente com o processo de miscigenação do povo brasileiro. A Festa Junina é um momento do ano esperado por muitas pessoas, seja pela alegria que esta festividade representa, pelas comidas típicas tão famosas, pelas músicas, danças e apresentações, ou pela possiblidade de conhecer pessoas e festejar a amizade. A Festa Junina é uma comemoração multicultural, aponta para o solstício de inverno (Hemisfério Sul) e solstício de verão (Hemisfério Norte) e homenageia os santos na crença católica. É uma festa bonita e que já está consolidada na cultura popular brasileira. É tempo de comemorar!

Referências
RIBEIRO, Darcy. O Povo Brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

Luana Caroline Kunast Polon é Mestra e Licenciada em Geografia, Especialista em Neuropedagogia e Educação Profissional e Tecnológica. E-mail: luanacaroline.geografia@gmail.com.

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