Conecte-se Conosco
some text

Colunistas

A Festa Junina no contexto da cultura popular brasileira, por Luana Polon

Postado

em

Eis que chega o mês de Junho, e com ele as famosas festas juninas! A cultura popular brasileira é rica em manifestações, caracterizada pela multiculturalidade, uma mescla da diversidade dos grupos humanos que formam o povo brasileiro. Para Darcy Ribeiro, um dos mais importantes antropólogos que o Brasil já teve, o povo brasileiro é constituído originalmente pela miscigenação entre os grupos indígenas que viviam nas terras que atualmente chamamos de Brasil, os brancos europeus na figura dos colonizadores e os negros africanos trazidos no contexto da escravidão. Soma-se a isso a presença dos demais grupos que vieram posteriormente, todos carregando traços culturais dos seus locais de origem. Com isso, formou-se um ambiente cultural dotado de grande diversidade, seja nas danças, na gastronomia, nas ritualísticas, nas vestimentas e crenças.

Uma das festividades mais conhecidas no Brasil é a Festa Junina. Estas festas são realizadas em vários locais do Brasil, no entanto, não são homogêneas em sua caracterização. Por exemplo: as festas juninas nordestinas não são iguais as festas juninas realizadas na região Sul. Isso porque os grupos populacionais foram inserindo elementos próprios de outras culturas na comemoração junina, inclusive no que diz respeito aos alimentos. Originalmente, a Festa Junina era uma comemoração que foi trazida pelos portugueses e espanhóis para o território brasileiro, e tinha relação com a religião católica, constituindo-se como uma homenagem a santos como São João, Santo Antônio e São Pedro. Em um primeiro momento, estas festas eram chamadas de “festas joaninas” em referência a São João, ou ainda na cultura pagã “Midsummer” (celebração do meio do verão) e tinham relação com o solstício de verão no Hemisfério Norte. No Brasil, como estamos em outro hemisfério terrestre (Sul), estas festas ocorrem no período de transição para o inverno, mais especificamente no mês de Junho, por isso ficaram conhecidas como “festas juninas”.
As festas que seguem a mesma lógica da Festa Junina são desenvolvidas no mundo todo, mas cada lugar possui uma manifestação diferente, segundo a cultura local. No Brasil, a Festa Junina é caracterizada como festividade do “interior” ou ainda “caipira”. As festas brasileiras são baseadas nas festas dos santos populares em Portugal, com uso de instrumentos musicais como sanfonas, cavaquinhos, reco-reco. Ainda, vestimentas no estilo caipira, em uma clara referência aos povos sertanejos que se instalaram na região Nordeste do Brasil. São comuns as comidas típicas como canjica, pamonha, o milho cozido, a pipoca e o bolo de milho, arroz-doce, broa de milho, cocada, a bebida chamada de “quentão”, o vinho quente, pé-de-moleque, a batata-doce, o bolo de amendoim, o pinhão e outros. A Festa Junina mais típica do Brasil é a da região Nordeste, no entanto, essa festividade ocorre em vários outros lugares do Brasil também. Na região Sul do Brasil são incorporadas vestimentas, músicas e danças, bem como a culinária mais apropriada aos aspectos culturais dos povos que colonizaram esta região. Assim, é comum que a roupa nas festas juninas da região Sul do Brasil seja ligada a cultura gaúcha, com as meninas vestidas de prenda e os meninos de peão. As músicas são o vaneirão, o chamamé e o xote gaúcho.

Além disso, há uma maior incorporação de pratos com pinhão, o espetinho de carne, a canjica de leite, doces de origem europeia, chimarrão. Apesar das diferenças na forma da comemoração nas diferentes regiões do país, a Festa Junina tem uma origem comum, tendo sido incorporados os demais elementos culturais posteriormente com o processo de miscigenação do povo brasileiro. A Festa Junina é um momento do ano esperado por muitas pessoas, seja pela alegria que esta festividade representa, pelas comidas típicas tão famosas, pelas músicas, danças e apresentações, ou pela possiblidade de conhecer pessoas e festejar a amizade. A Festa Junina é uma comemoração multicultural, aponta para o solstício de inverno (Hemisfério Sul) e solstício de verão (Hemisfério Norte) e homenageia os santos na crença católica. É uma festa bonita e que já está consolidada na cultura popular brasileira. É tempo de comemorar!

Referências
RIBEIRO, Darcy. O Povo Brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

Luana Caroline Kunast Polon é Mestra e Licenciada em Geografia, Especialista em Neuropedagogia e Educação Profissional e Tecnológica. E-mail: luanacaroline.geografia@gmail.com.

Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Colunistas

Cidades Inteligentes

Postado

em

Prof Jocelito André Salvador, Founder e CEO da Conducere Inteligência Corporativa. Mentor e assessor de Smart Business.

As necessidades de adaptação do que conhecemos hoje, do que precisamos aprender e do que necessitamos aprender e ainda não sabemos que vamos necessitar é algo que não tem volta na nossa era. A Era do Conhecimento.

Vamos pegar outro exemplo?

Como você se relacionava com o seu banco há 10 anos? Como se relaciona hoje? Com quantas pessoas, hoje, você efetivamente interage ao ir ao seu banco? Melhor, muitas vezes sequer você vai ao banco para fazer o que necessita, não é mesmo?

Ibirubá registra primeiro feminicídio do ano

A questão é que com o avanço da IA (Inteligência Artificial) e outras tecnologias, como a internet móvel de alta velocidade, a sua forma de trabalhar, de se relacionar com as pessoas, fazer suas compras e “ir ao banco” vai mudar MUITO ainda.

Assim, a decisão é simples, não necessariamente fácil: Ibirubá e região se adaptam às novas demandas mundiais ou será uma “região fantasma” em poucos anos.

Isto quer dizer que esta região tem que fazer o seu tema de casa, ou seja, o que cidades como Florianópolis e Bento Gonçalves já estão fazendo há algum tempo. Não é a toa que no mês de novembro deste ano Floripa sediou o 12º. KCWS (Knowledge Cities World Summit).

Este nome que parece um palavrão quer dizer apenas que foi uma conferência mundial para tratar das cidades inteligentemente sustentáveis, ou seja, baseadas no conhecimento das pessoas e no uso das tecnologias mais avançadas. Inclusive Bento Gonçalves ganhou um prêmio internacional nesta edição.

Ocorre que todo este discurso tem um objetivo claro: fazer com que você saiba que o futuro lhe apresentará inúmeras oportunidades. Porém, cada um necessita fazer o seu papel para que as pessoas e o meio ambiente não sejam simplesmente utilizados como “recursos” em nome de um tal de progresso, que já se demonstrou não ser sustentável. Ao menos da forma como viemos conduzindo nossas ações nas últimas décadas.

Vamos falar mais a respeito disto!

Até logo!

Continue Lendo

Colunistas

Educação Financeira: Conhecimento e informações para mudanças no comportamento das crianças

Postado

em

A escola e a família têm o dever de zelar, acompanhar e principalmente formar nas crianças competências e habilidades, para que estas se tornem adultos capazes de realizarem suas obrigações com responsabilidade. Segundo o autor do livro Desenvolver Competências ou Ensinar Saberes? Philippe Perrenoud, (sociólogo e Antropólogo suíço), em um dos capítulos deste livro, discorre sobre as disciplinas ausentes do ensino obrigatório. Uma delas seria Ciências Econômicas. O autor faz o seguinte questionamento: “O que faz a escola para ajudar as pessoas a compreenderem a economia que rege as suas vidas? ”. Queremos chamar atenção sobre a Educação Financeira. Ouvimos falar diariamente que as pessoas gastam em alguns casos mais do que deviam. Enquanto alunas do curso de Matemática do IFRS Campus Ibirubá, participamos de um projeto de Extensão, em 2018, chamado Educação Financeira: uma proposta de reflexão, organização e ação para alunos do Ensino Fundamental. Neste projeto desenvolvemos atividades com as crianças de 3º e 5º anos na Escola Estadual de Ensino Fundamental Edson Quintana, do município de Ibirubá. Algumas famílias não conseguem auxiliar satisfatoriamente seus filhos, com relação a esse assunto, pois as vezes não possuem o controle de suas contas. É dever da escola proporcionar esta formação.

As crianças precisam receber orientações no sentido de que: não podemos comprar tudo o que queremos ou desejamos, que é necessário ter um planejamento quando se quer comprar determinadas coisas, pois gastar demais pode vir a comprometer nosso orçamento. Esse projeto tem por objetivo levar sugestões sobre organização financeira através de atividades como: leitura de textos, fábulas infantis, jogos, vídeos, questionamentos orais, entrevistas realizadas na comunidade, sugestão de uma planilha de controle dos gastos do mês, encaminhada para as famílias, pesquisa de preço no comércio, foram algumas das ações propostas. Outra atividade apresentada foi lembra-las de que existem brincadeiras que podem ser realizadas, sem precisar de dinheiro, pois entendemos que momentos de lazer e diversão, são extremamente saudáveis e contribuem para termos qualidade de vida, neste momento elas puderam também questionar membros da sua família e trazer sugestões. Levamos as crianças a uma agência bancária, onde puderam receber informações sobre produtos que um banco oferece, e o significado e utilidade destes produtos. Os alunos demonstraram grande interesse em realizar as atividades propostas, tirando dúvidas e colaborando com exemplos que trazem de casa. Aprender a administrar tanto o dinheiro quanto suas escolhas, pelo conhecimento, desenvolve virtudes e valores para a vida adulta. Gastar impulsivamente, sem necessidade, é uma consequência de comprar movido por desejos.

Quando evitamos comprar algo desnecessário, podemos economizar para investir em projetos maiores, como por exemplo, fazer uma viagem, realizar um curso, investir em um negócio, comprar uma casa, ter uma condição de vida melhor. Dessa maneira, a criança descobre que pensar e verificar se realmente aquilo que comprar é necessário ou desejável. A comunidade escolar considerou este trabalho muito positivo na formação dos alunos.

Alunas: Ilda Graziela Vogel, Cristiane Rebouças de Lara, Isadora Fredrich. Coordenadora : Professora Me.Marsoé Cristina Dahlke / IFRS-Campus Ibirubá

Continue Lendo

Colunistas

Empresas inteligentes são uma realidade ou apenas utopia?

Postado

em

Autor: Jocelito André Salvador, Founder e CEO da Conducere Inteligência Corporativa. Mentor e assessor de Smart Business. Professor universitário, com ênfase em controladoria, educação corporativa, gestão do conhecimento e inovação. Coautor do livro Inovação e Cidades Inteligentes: desafios e oportunidades para as cidades do século XXI.

Autora: Valeska Schwanke Fontana Salvador é CPO e CO-Founder da Conducere Inteligência Corporativa. Mentora, professora universitária e Advisor de Smart Business. Possui especialização em Inovação em Tecnologia Educacional e Design Instrucional/Educacional.

Nós estamos trabalhando, nas últimas edições, os temas inovação, empresas e cidades inteligentes. O intuito é demonstrar a sua conexão, ou não, e como isto pode impactar a sua vida, enquanto cidadão, empreendedor, empresário e/ou profissional de carreira.

Para que a gente possa relembrar os principais tópicos, que já foram tratados anteriormente, vale citar o seguinte:

  1. As cidades, ditas inteligentes, não somente aquelas que adotam alta tecnologia e tudo se resolve como num passe de mágica. Faz-se necessário, além do uso da tecnologia, focar na inovação, no empreendedorismo e, em especial, na criatividade das pessoas. Desta forma serão cidades inteligentemente sustentáveis.
  2. A inovação é, muito além de um conceito abstrato e distante, algo que impacta ou afeta todas as empresas e pessoas, mesmo as mais resistentes à mudança. Inovação não é a “onda da vez”. Ela é um processo que sempre esteve e estará presente nas ações humanas. Ela é qualquer processo, produto ou serviço que seja realizado de maneira diferente da habitual e que a partir disto resulte em algo melhor para as pessoas.

Então, quem podemos considerar como empresas inteligentes?

Ah, antes de responder diretamente a questão, vale este parêntesis. Este não é um conceito amplamente aceito nos meios acadêmicos e profissionais, pois é algo relativamente novo. Porém, é algo em que acreditamos e temos trabalhado nos últimos anos.

Em linhas gerais, as empresas inteligentes são as que se utilizam dos talentos das pessoas e suas competências desenvolvidas para gerar inovação constante e contribuir para que haja cidades (com suas áreas urbanas, rurais, de campo) mais inteligentes.

Assim como falamos das cidades, as empresas inteligentes são aquelas que compreendem que as pessoas são as verdadeiras responsáveis por criar e recriar o conhecimento. Atacando assim a complexidade e dinâmica do século XXI.

Isto quer dizer que necessitamos de empresas inteligentes para “sobreviver” ao século XXI?

Sim, vivemos uma era sem precedentes na história da humanidade. Onde a velocidade e a complexidade das mudanças é algo muito relevante. Não podemos ignorar tal fator e certamente você já se deu conta disto.

Assim, para que a sua organização consiga minimamente sobreviver a esta era, faz-se necessário que tenha a capacidade de adaptação. Tem tal capacidade quem tem uma empresa inteligente.

Ocorre que há uma pedra no caminho: para se ter uma empresa inteligente, de verdade, precisamos investir nas pessoas.

De fato, querendo nós ou não, dependemos de pessoas. Seja para nos ajudar a planejar, tocar o dia a dia da empresa, vender ou mesmo comprar nossos produtos ou serviços.

Mas qual é o problema nisso?

Ao dependermos das pessoas, temos que admitir as suas falhas, limitações, desvios de foco e objetivos, dentre outras coisas.

Eis o grande problema. Investir em pessoas é algo incerto e duvidoso. Não temos absoluta convicção de que podemos confiar nas pessoas nas quais estamos investindo.

Não é à toa que muitas organizações, independentemente do seu porte ou área de atuação, preferem investir em tecnologia em detrimento das pessoas.

Devo concordar com você que parece um absurdo falarmos em uma empresa inteligente sem contar com as pessoas.

Contudo, você nunca pensou que seria muito mais fácil trabalhar com robôs exclusivamente do que com as pessoas do seu time?

Não sejamos hipócritas. Devemos admitir que a porta larga, o caminho muito mais fácil, para todos parece ser o de prescindir das pessoas e focar somente na tecnologia.

Contudo, vem o primeiro problema: somos seres sociais por natureza. Nosso íntimo humano pede a socialização, o contato com outras pessoas.

Depois disso, vem o segundo problema: a criação do conhecimento organizacional só acontece com a participação humana.

Esta, ao menos por enquanto, é a teoria que dominante na ciência da Administração. Ela foi cunhada pelos japoneses Nonaka e Takeuchi, em meados dos anos 1990. 

Por fim, vem o terceiro problema. Segundo os estudos de Peter Senge, autor da famosa obra A Quinta Disciplina, para termos organizações que aprendem (Learning Organizations), necessitamos de pessoas.

Isto quer dizer que, gostando-se ou não, as pessoas não são recursos à disposição das empresas e muito menos descartáveis.

Vamos falar mais sobre isto na próxima edição.

Até breve!

Continue Lendo

Colunistas

Exercícios desnecessários, por Laira Guedes

Postado

em

Os exercícios abaixo não são inúteis, mas tornam-se desnecessários a partir do momento em que há substitutos mais eficientes e seguros.

  • A Puxada pulley costa: Além de deixar o ombro em uma posição vulnerável, devido a rotação externa exagerada.É um movimento com menos amplitude que o puxada pulley frente. Menos amplitude significa menos estímulo hipertrófico.
  • Desenvolvimento nuca: É o mesmo caso do exemplo acima, maior risco de lesão, menos eficiência pela diminuição de amplitude.
  • Tríceps pulley pegada supinada: O tendão do tríceps se insere na ulna e quando realizamos pronação ou supinação de punho o que gira é o rádio, ou seja, é indiferente em relação ao recrutamento do tríceps, só faz com que seja necessário diminuir a carga devido a dificuldade de segurar a barra.

Texto em parceria com Cirio Weber

Continue Lendo

Colunistas

Quanto tempo para ter resultados na musculação?

Postado

em

Os resultados na musculação estão diretamente relacionados com 3 fatores primordiais: descanso, treino e dieta.

Caso um deles não esteja correto ou muito bem alinhado, os resultados podem demorar muito mais, ou pior, nem aparecer.

Por isso, é preciso entender que de acordo com sua dieta, o treino e o descanso, os resultados irão aparecer.

Quanto melhor e mais específico for seu treino, com as doses certas de intensidade e volume, mais rapidamente os resultados aparecem.

Da mesma forma, se sua dieta oferecer todos os nutrientes necessários para que o corpo se recupere dos estímulos, os resultados também serão mais rápidos.

E o descanso é responsável por toda a regeneração celular, liberação de hormônios anabólicos e tudo mais que vai potencializar tudo isso.

Um tempo plausível é de 4 meses, levando em conta os fatores acima.

Para um iniciante os primeiros 2 meses apresentam um aumento demasiado de força, mas a melhora nessa aptidão é causada principalmente por adaptações neurais. O ganho em hipertrofia são mais crônicos e levam um tempo maior para aparecerem.

Quando se fala em perda de gordura, 2 meses é um tempo suficiente para se notar diferenças consideráveis.

Bom fim de semana e bons treinos 

Laira Guedes
Personal Trainer – CREF 021342-G/RS
Empresária e Proprietária do Studio Laira Guedes

Texto em parceria com Cirio Weber 

Continue Lendo

Colunistas

Consumismo e o mês da criança

Postado

em

É no mês de outubro em que a publicidade direciona ainda mais esforços para cativar as crianças e vender produtos. Juntamente com os produtos são vendidas as ideias e concepções que pautam o objeto consumido. Há vários problemas em relação às formas pelas quais a abordagem publicitária induz ao consumismo infantil. As crianças são um alvo privilegiado em uma sociedade cujos ideais são pautados no consumo, já que no mundo atual elas ocupam uma posição de relevância no âmbito familiar, inclusive com influência sobre as decisões acerca de compra, viagens, atividades e rotina. As pessoas não nascem consumistas, mas vivem em sociedades onde os hábitos de consumo podem ser nocivos, especialmente quando motivados por estratégias que visam o rápido descarte dos bens consumidos. As coisas hoje não são feitas para que durem, porque isso retardaria a compra de novos produtos. Os bens hoje são criados visando a obsolescência, ou já nascem com prazo de validade, ou são bastante frágeis ou se tornam defasados muito rapidamente. E é isso que movimenta o consumismo na sociedade. As crianças são sujeitos em permanente processo de formação de suas preferências, modos de ver o mundo, concepções, gostos, vontades.

Quando estão expostas ao conjunto de informações que a publicidade associa a um dado produto, elas assimilam não apenas o consumo do objeto em si, mas também das informações que são vendidas com o produto. A questão envolve múltiplas perspectivas, como o tipo de brinquedo que é vendido para meninos e meninas, e como estes objetos designam as formas pelas quais a menina deve se comportar socialmente e o que se espera dos meninos. Ainda, os objetos são cada vez mais tecnológicos, e isso não é ruim, o problema é que demandam de um espaço físico cada vez menor para serem utilizados. Desta forma, ao contrário da bicicleta, patins ou patinete, alguns brinquedos prendem ainda mais as crianças dentro do espaço da casa durante horas do dia. Isso limita a sociabilidade, formação de laços de amizade e vivência em outros espaços como parques, praças e na própria rua. A questão do consumismo infantil pode aparecer como um problema no próprio orçamento doméstico, de modo que alguns pais não medem esforços para presentear os filhos com aquilo que desejam, mesmo que isso custe um valor financeiro elevado. Em décadas passadas apenas os programas televisivos tinham influência sobre o consumismo infantil, tanto que havia programas diários voltados para as crianças. Havia marcas bem consolidadas no mercado de brinquedos, os quais atuavam conjuntamente com os programas televisivos impulsionando o consumo. No momento histórico atual, a televisão ocupa um plano secundário, enquanto a internet ocupa um amplo espaço no cotidiano das crianças.

Os ídolos de hoje são principalmente os “youtubers”, os quais além de entretenimento, vendem também objetos como brinquedos, material escolar, livros, etc. Há toda uma investida publicitária envolvida na criação e venda desses objetos voltados ao consumo infantil e as crianças estão expostas de forma bastante intensa aos recursos de convencimento. Isso especialmente porque a propaganda não aparece mais apenas entre um episódio ou outro, mas dentro do conjunto de informações e dinâmicas que constituem um vídeo dos “youtubers” de público infantil. Se antes a criança não dava atenção ao intervalo televisivo, hoje ela não tem como escapar dos estímulos consumistas, já que estes estão dentro da própria programação, aparecendo de forma mais ou menos evidente nos vídeos que esta criança assiste na internet. Embora existam regulamentações para as ações publicitárias voltadas ao consumo infantil, é papel também das famílias, escolas e da sociedade como um todo os cuidados para evitar que a criança se torne vítima do consumismo. Especialmente no mês das crianças estes cuidados devem ser redobrados, e um bom começo para isso é ressignificar o presente, criar um sentido para o ato de presentear, para que a criança perceba que esta ação não é apenas um ato mecânico impulsionado pelo consumismo. 

Alguns sites que tratam com maior profundidade do assunto são:

Luana Caroline Kunast Polon

Mestre em Geografia e Graduada em Geografia pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), Especialista em Neuropedagogia pela Faculdade Alfa de Umuarama (FAU) e em Educação Profissional e Tecnológica (São Braz).

Continue Lendo

Colunistas

O suicídio sob a ótica dos conhecimentos sociológicos

Postado

em

Escrito em coautoria com Paulo Henrique Heitor Polon, Sociólogo e Professor do IFRS-Ibirubá

Para encerrar o Setembro Amarelo – mês de prevenção ao suicídio no Brasil –, embora sem finalizar um assunto tão relevante, este artigo apresenta a visão sociológica do suicídio. Hoje quase todas as pessoas conhecem alguém que tenha cometido suicídio. No Brasil, as taxas de suicídio crescem todos os anos, e os idosos lideram o triste ranking. Estima-se que a cada 40 segundos uma pessoa cometa suicídio no mundo. O suicídio é a segunda causa de morte entre jovens (15 a 29 anos), ficando apenas atrás do trânsito. O tema é estudado por pesquisadores de diversas áreas, e é assunto também no campo da Sociologia, especialmente por conta da obra “O Suicídio” de Émile Durkheim. O sociólogo, que publicou a obra no ano de 1897 como resultado de uma intensa pesquisa, levantou dados de casos e afirmou que o suicídio é um FATO SOCIAL. Para este autor, o suicídio “é todo caso de morte que resulta, direta ou indiretamente, de um ato, positivo ou negativo, executado pela própria vítima, e que ela sabia que deveria produzir esse resultado” (DURKHEIM, 2000, p. 14). Suicídio direto é entendido como um ato resultante de uma ação individual consciente e muitas vezes planejada.

Já o suicídio indireto é compreendido como aquele por meio do qual a pessoa abrevia sua própria vida por conta de hábitos nocivos e que lesam sua saúde física ou mental. Para este pensador, nem todo suicídio está pautado nas questões internas do indivíduo, no sentido de um problema orgânico. Ele entende que situações externas ao indivíduo são potenciais causadoras de suicídio. Por isso, ele definiu três formas de suicídio na sociedade: suicídio egoísta, suicídio altruísta e suicídio anômico. O modo egoísta de suicídio seria aquele no qual a pessoa possui um intenso individualismo, uma sensação de não-pertencimento e identificação social. Esta desconexão com o ambiente social leva à problemas como depressão, melancolia, apatia e isolamento. Já o modo altruísta de suicídio é aquele no qual o ato é praticado em favor de uma causa externa ao indivíduo, onde são absorvidos os objetivos de um grupo. A vida individual perde sentido e as crenças do grupo a sobrepõem. O modo anômico de suicídio é aquele no qual os indivíduos reproduzem um estado de anomia da sociedade. Crises econômicas, políticas, morais, o desregramento da sociedade seriam potenciais causas para este ato. Durkheim coloca a anomia social como uma das principais causas para o suicídio. Para ele, esta anomia representa um estado patológico da sociedade motivada pela falta de regras ou pela existência de regras que não condizem com o estado de desenvolvimento de uma dada sociedade. A sociedade é um poder que regula as ações individuais, logo, quando ela está doente, seus membros também adoecem. A forma como a regulação social é exercida está intimamente ligada com a taxa de suicídios. Turbulências econômicas e políticas fazem parte da perda do ponto fixo de referência para as normas e desejos sociais.

Nestes cenários de crise é comum que haja uma intensificação nos índices de suicídio na sociedade. Na sociedade moderna, as manifestações da anomia surgem evidenciadas através da extrema competitividade, individualismo exacerbado, fluidez das relações sociais, opressão social, falta de perspectiva futura, perda dos referenciais morais, desintegração da ordem produtiva vigente, dentre outros. O suicídio como fato social continua sendo elemento que gera muitos questionamentos. Ficam mais dúvidas do que respostas naqueles que aqui permanecem. Não entendemos os motivos pelos quais uma pessoa decide tirar sua própria vida, nem de onde derivam as pressões que esta pessoa sente. O suicídio ainda é um assunto mal compreendido na sociedade, uma espécie de tabu. Falar sobre a questão não aumenta os índices, mas descortina as causas sociais e permite a reflexão sobre o comportamento do potencial suicida e sua relação com a sociedade. A explicação sociológica é mais uma via para se compreender este fenômeno social e propiciar possíveis respostas.

Referências DURKHEIM, Émile. O Suicídio: estudo de Sociologia. São Paulo: Martins Fontes, 2000. GIDDENS, Anthony. Sociologia. 6 ed. Porto Alegre: Penso, 2012.

Luana Caroline Kunast Polon é Mestra e Licenciada em Geografia, Especialista em Neuropedagogia e Educação Profissional e Tecnológica. E-mail: luanacaroline.geografia@gmail.com

Continue Lendo

Colunistas

Tenho qualidade, mas vendo pouco! (leituras de 2 minutos que podem elevar o nível do seu negócio)

Postado

em

A cada período de tempo o mercado se renova, as práticas mudam, os produtos se atualizam, provavelmente a qualidade do seu produto acompanha essas transições, produtos alimentícios passam a ser fabricados com ingredientes atuais, respeitam as características do público, produtos esportivos seguem a tendência do mundo dos esportes, as tendências de moda passam a ditar o segmento de roupas, as influências de grandes eventos que também criam tendência passam a guiar os processos arquitetônicos, as demandas pelos serviços passam a implementar as mídias, mas até aí, falamos muito em produto/serviço, porém o que muitos empreendedores esquecem, é de implementar aquilo que faz deles uma referência, o que torna eles um diferencial, o que faz com que eles sejam lembrados, O MARKETING, isso mesmo, o alinhamento entre tudo que envolve a conexão do cliente com esse produto de qualidade, lembrem-se, produto é apenas um dos p’s, ainda precisamos alinhar nossas Propagandas, nossa Praça (espaço) e justificar nossos Preços. Muitos empreendedores chegam até nós com estas dúvidas cruéis, atendem os quesitos que dizem respeito à qualidade, mas seu faturamento se mantém o mesmo com o passar dos meses, existe muito foco em qualidade e foco nenhum em OFERECER este produto, em AGREGAR VALOR àquilo que se está oferecendo. A qualidade de seu produto, raramente vai ser aquilo pelo que ele será lembrado da porta pra fora, um produto bom vende bem, saber vender este produto VENDE MAIS. Quando falamos em saber vender estamos nos referindo à processos que vão de atendimento até o pós venda, estamos falando de espaços que gerem alguma experiência e que tenham aspectos que gerem também a PERMANÊNCIA do público, que aumentem o consumo pelo seu produto, que garantam o retorno deste público e também possam garantir a boa e velha propaganda “boca a boca”.

Analisando o seu negócio como um todo, você tem um produto de qualidade? (caso a resposta pra essa pergunta seja negativa, é melhor reiniciar seu processo ou desistir de empreender). Subentendendo que a resposta seja SIM (afinal qualidade é obrigação), agora o próximo passo é saber se você tem as vendas que desejaria estar tendo, (provavelmente NÃO, afinal estar contente é bom, estar acomodado jamais), é hora de passar aquele “pente fino” em todos os setores e encontra onde existem características que podem ser elevadas ao próximo nível, OFEREÇA o diferencial que combina com a essência do seu negócio, não do seu concorrente, um atendimento bom pode até cativar, mas um atendimento único é INESQUECÍVEL. Venda experiências além de produtos, venda DESEJO além de qualidade. E finalize fazendo uma pergunta, por que meu cliente deveria comprar de mim e não de meu concorrente? (lembrando sempre que produto com DIFERENCIAL e VALOR PERCEBIDO não concorre com ninguém). Seu negócio tem tudo que precisa pra dar certo, uma essência, é preciso apenas conectar esses valores com seu público alvo.

Rafael dos Santos Rodrigues.

Assessor de Marketing e Estratégias publicitárias

Continue Lendo

Colunistas

Hotspot de Biodiversidade Você sabe o que é?, por Luana Polon

Postado

em

O conceito, embora mais conhecido na área científica, tem se disseminado quando o assunto envolve as questões ambientais. Um Hotspot (pontos quentes) pode ser considerado como uma área de grande biodiversidade, onde estão presentes várias espécies endêmicas – que só existem naquela biorregião específica – e que possuem um alto grau de ameaça. Normalmente considera-se um Hotspot de Biodiversidade um ambiente que contenha ao menos 1.500 espécies de plantas não encontradas em qualquer outra parte do planeta Terra, bem como, que tenha perdido pelo menos 70% de sua vegetação original. Este conceito de Hotspot foi definido pelo ambientalista britânico Norman Myers (1996), o qual tinha como objetivo a identificação das regiões do globo que concentravam os maiores índices de biodiversidade mundiais, bem como as áreas com maior risco ambiental, ou seja, as que possuíam as maiores possibilidades de extinção de espécies naturais locais. Mesmo antes disso, o conceito já vinha sendo referenciado desde pelo menos o ano de 1989. Os Hotspots são áreas prioritárias de conservação, as quais demandam maior cuidado diante da criação de políticas públicas.

A perda de espécies impacta ecossistemas inteiros, e isso faz com que sejam necessários maiores cuidados nestes ambientes. O conceito de Hotspot vem sendo permanentemente revisitado por duas razões principais: a primeira é que novos conhecimentos são construídos constantemente, especialmente quanto as noções de biodiversidade e a existência de novas espécies; em segundo lugar porque alguns locais do globo podem se tornar mais ameaçados do que outros ao longo do tempo. Comumente são definidos 34 Hotspots no planeta Terra, os quais cobrem menos de 3% da superfície total do globo, no entanto, possuem uma ampla diversidade de espécies. No caso do Brasil, são reconhecidos dois Hotspots de Biodiversidade no território nacional, sendo eles a Mata Atlântica e o Cerrado. Estes dois biomas brasileiros são riquíssimos em biodiversidade, mas estão amplamente devastados. As ações humanas que mais impactaram ao longo do tempo o bioma da Mata Atlântica são a urbanização, a industrialização e a expansão agrícola. São urgentes as estratégias de preservação do que resta da Mata Atlântica no Brasil, já que este bioma cobria originalmente as terras de 17 estados brasileiros. Já o Cerrado brasileiro é um bioma com vasta diversidade de espécies endêmicas, sendo ele o segundo maior bioma da América do Sul, e cobrindo cerca de 22% do território brasileiro. O Cerrado sofre muito com as ações humanas na região de sua ocorrência, especialmente a expansão da fronteira agrícola no país. Ambos os biomas – Mata Atlântica e Cerrado – possuem não apenas importância natural, mas também social. São locais habitados pela população, e deles são retirados recursos para sobrevivência de povos tradicionais, como indígenas, quilombolas, ribeirinhos, babaçueiras (no caso do Cerrado).

Boa parte da produção de grãos brasileira advém de áreas do Cerrado, o que faz com que o ritmo de devastação do Cerrado esteja ocorrendo de forma acelerada. No caso da Mata Atlântica, a devastação já vem se estabelecendo desde o período colonial, com a extração do Pau-Brasil, as atividades açucareiras, passando pela fase da mineração, adensamento urbano e atividades industriais. O Cerrado brasileiro é uma espécie de Savana, um bioma marcado pela presença de árvores retorcidas, arbustos e gramíneas, comum em regiões tropicais do globo. Já a Mata Atlântica é caracterizada pela presença de áreas florestais, as quais se diversificam em função da localização (Mata de Araucárias, Vegetação Litorânea). Ambos os biomas são importantes para preservação de espécies da flora e da fauna. A grande questão que fica é como possibilitar o crescimento econômico do país aliado a conservação destes biomas, já que normalmente os fatores econômicos acabam sendo predominantes em relação as preocupações ambientais. A população sabe da importância destes ambientes chamados de Hotspots de Biodiversidade? O que é preciso fazer?

Referências

HOTSPOTS REVISITADOS – as regiões biologicamente mais ricas e ameaçadas do planeta. Cartilha. Disponível em: < https://web.conservation.org/global/brasil/publicacoes/Documents/HotspotsRevisitados.pdf>.

Acesso em 09 set. 2019. Luana Caroline Kunast Polon é Mestra e Licenciada em Geografia, Especialista em Neuropedagogia e Educação Profissional e Tecnológica. Desenvolveu pesquisa e tem publicações sobre o tema “sociedade de consumo”. E-mail: luanacaroline.geografia@gmail.com.

Continue Lendo

Colunistas

[OAJ Entrevista] Setembro Amarelo, com Maria Eduarda Facco

Postado

em

Esse semana no OAJ ENTREVISTA, o tema abordado é o Setembro Amarelo, e para quem ainda não conhece o assunto, nossa equipe conversou com a Maria Eduarda Rossato Facco que é Psicóloga e explica um pouco mais sobre depressão, suicídio, já que o mês de setembro visa alertar as pessoas sobre isso. E o porquê da escolha do mês de setembro e sua cor amarela? Bom, essa é uma campanha brasileira de prevenção ao suicídio, iniciada em 2015. E tem uma iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). O mês de setembro foi escolhido para a campanha porque, desde 2003, o dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.A ideia é promover eventos que abram espaço para debates sobre suicídio e divulgar o tema alertando a população sobre a importância de sua discussão. No Brasil, o suicídio é considerado um problema de saúde pública e sua ocorrência tem aumentado muito entre jovens. De acordo com números oficiais, 32 brasileiros se matam por dia em média, sendo essa uma taxa maior do que a de vítimas de AIDS e da maioria dos tipos de câncer. De acordo com um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2014, o Brasil está em oitavo dentre os países com maior número de suicídios, atrás de Índia, China, Estados Unidos, Rússia, Japão, Coreia do Sul e Paquistão. O Rio Grande do Sul tem a maior taxa, com 10,2 suicídios por cem mil habitantes, seguido de Roraima, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, conforme levantamento do Ministério da Saúde abarcando o período de 2006 a 2010. No mundo, o suicídio é a terceira causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos e a sétima causa de morte de crianças entre 10 e 14 anos de idade. A OMS também afirma que o suicídio tem prevenção em 90 porcento dos casos. Entretanto, um estudo brasileiro de Bertolote et al (2002) afirma que 96,8% dos casos de suicídio estão relacionados a transtornos mentais, diagnosticados ou não, tratados incorretamente ou não tratados de maneira alguma. Origem da cor amarela: Segundo a Associação Catarinense de Psiquiatria, a cor da campanha foi adotada por causa da história que a inspirou: Em 1994, um jovem americano de apenas 17 anos, chamado Mike Emme, tirou a própria vida dirigindo seu carro amarelo. Seus amigos e familiares distribuíram no funeral cartões com fitas amarelas e mensagens de apoio para pessoas que estivessem enfrentando o mesmo desespero de Mike, e a mensagem foi se espalhando mundo afora. O carro era um Mustang 68, restaurado e pintado pelo próprio Mike. Os pais de Mike, Dale Emme e Darlene Emme, iniciaram a campanha do programa de prevenção do suicídio “fita amarela”, ou “yellow ribbon”, em inglês. A seguir uma entrevista que vai esclarecer ainda mais sobre este assunto:

1) Como podemos caracterizar um quadro depressivo? É necessário em todos os casos a medicação?

O Transtorno Depressivo Maior trata-se de um adoecimento psíquico que tem, por sua essência, uma série de sintomas físicos e psicológicos invalidantes para o indivíduo que os apresenta. Pode ser caracterizado pela manifestação de sintomas que ocorrem, na maior parte do tempo, durante um período de pelo menos duas semanas. Este tipo de depressão pode se manifestar em um caso único (chamado EPISÓDIO ou QUADRO), em que algum trauma desencadeia o desenvolvimento da depressão maior. Entretanto, há também outra especificidade no que diz respeito à demonstração da doença: ela pode ser intermitente, ou seja, os sintomas apresentam-se em alguns períodos da vida (caracterizando o Transtorno). Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, dentre os seguintes sintomas da depressão, o paciente deve apresentar cinco, por pelo menos duas semanas, para ser qualificado dentro do tipo de depressão grave: sentir-se deprimido na maior parte do tempo e quase todos os dias; Prazer diminuído em atividades que antes eram interessantes para ele; Perda ou ganho de peso não intencional; Falta de sono ou excesso de sonolência; Problemas psicomotores, sendo estes agitação ou lentidão nos movimentos; Fadiga anormal e frequente; Falta de concentração; Sentimento de culpa e inutilidade frequentes; Pensamentos de suicídio ou morte.

É importante ressaltar que nem todos os sintomas, de forma isolada, caracterizam um episódio depressivo. Além disso, nem todos os graus de depressão precisam, necessariamente, de intervenção medicamentosa, embora seja imprescindível o acompanhamento de um psiquiatra que decida a primordialidade ou não do medicamento. Concomitante a isso, é fundamental a supervisão de um psicólogo que acompanhe o grau de danos psíquicos que o sujeito apresenta. Para um resultado mais eficaz e com maior chance de uma possível cura, o mais indicado seria o acompanhamento de ambos os profissionais.

2) Como a psicoterapia auxilia nesses quadros?  

A Depressão, em níveis orgânicos, está ligada a um distúrbio de neurotransmissores, como a serotonina e a noradrenalina (compostos químicos produzidos pelo corpo humano que desempenham funções importantes, como a regulação do sono, da dor, das emoções e do humor). Uma vez que estejam em desequilíbrio, o uso de antidepressivos irá restabelecer os níveis normais no cérebro e, desta forma, propiciar ao paciente uma sensação de bem estar físico. Já a psicoterapia pode auxiliar ao indivíduo a entender a origem desta desorganização, ou seja, ajudá-lo a adentrar em sua história de vida a fim de descobrir as raízes de seu sofrimento, que está manifestando-se em forma de sintomas. Geralmente, estes processos ocorrem a partir de traumas, perdas, angústias, mudanças e estão estritamente ligadas à história do sujeito em questão – questões estas, que só serão possíveis através da psicoterapia.

3) Como se caracterizam as ideações suicidas?

A ideação suicida nada mais é do que a tentativa ou intenção que o sujeito tem de tirar a própria vida. Diferentemente do que é difundido, a ideação suicida não é “falta de vontade de viver”, mas sim uma urgência de que a dor psíquica deixe de existir a qualquer custo.

4) Em que casos há risco de suicídio? Temos como identificar quando uma pessoa está precisando de ajuda?

Grande parte das tentativas de suicídio são comunicadas. É preciso ficar atento aos sinais verbalizados e, principalmente, aos não-verbais como colocar-se em situações de risco, automutilações, desenhos, entre outros. Existe um senso comum de que “quem vai se matar não avisa”, que precisa ser desmistificado. Não necessariamente quem avisa vai tirar a própria vida, mas definitivamente, quem tira a sua vida, tentou avisar de alguma forma ou de outra. 

5) Como podemos prevenir quadros depressivos?

Através de acompanhamento psicológico. Não existe forma de prevenir futuros traumas ou danos que o sujeito pode vir a passar, mas o autoconhecimento que é adquirido através da psicoterapia pode ser de grande auxílio no modo como o sujeito enfrenta suas frustrações, perdas, lutos e desprazeres.

6) Em que momentos a psicoterapia é indicada?

Em todos. A psicoterapia, principalmente nos dias de hoje em que a tecnologia nos dificulta os encontros “olho no olho”, surge para auxiliar no processo de autoconhecimento, contribuindo nos recursos de identificar, reconhecer e aceitar certas dores que o ato de existir traz. Não é indicado apenas para o sujeito que está em Depressão, pois a psicoterapia é um facilitador para que o sujeito vivencie de forma adequada sua história, em busca de um bem-estar psíquico, físico e mental.

7) Em casos extremos, como a pessoa pode pedir ajuda?

Embora, por vezes, a tecnologia nos afaste da realidade, paradoxalmente a mesma vem com o intuito de ajudar muitos pacientes em potencial. Hoje existem muitas comunidades online que buscam uma maior compreensão através do compartilhamento de suas vivências e histórias. Além disso, o Centro de Valorização à Vida (CVV) busca suprir as demandas emocionais de sujeitos dentro desses contextos. Em caso de sentimento de solidão, desamparo, culpa, dor, é possível discar o número 188 e falar com um dos atendentes do centro. A ligação ocorre com pessoas do Brasil todo, então não há risco de acabar falando com algum “conhecido” – um dos grandes medos que surgem através dentro desse meio. Também é importante a comunicação com as pessoas de seu convívio. Sempre há alguém disposto a ajudar!

8) Na nossa região há altos casos de suicídios, tem alguma explicação cultural para isso?

Pode ser que sim. As culturas germânicas, italianas e polonesas descendentes, em maior parte da nossa região, trazem heranças europeias e são carregadas por histórias difíceis de muita luta, dor, guerras e sofrimento. Este fato traz uma ideia de que nossos ancestrais não sofriam e de que conseguiam superar suas angústias de forma indolor, o que não é verdade. A verdade é que todos nós sentimos dor: a da perda, de traumas, frustrações, aflições e solidão. A grande diferença era que, antigamente, falar que estava se sentindo dessa forma era considerado sinal de fraqueza. Ideia errônea, já que é através do conhecimento e compartilhamento da dor que a mesma é aliviada. 

9) Qual a importância das campanhas de conscientização sobre depressão e prevenção do suicídio?

Principalmente para que o sujeito perceba que TODA VIDA IMPORTA! Precisamos desmistificar a ideia de que sofrer é errado! De que a dor é algo que só acontece com o indivíduo que a sente. Ao passo que as campanhas ocorrem, é possível conscientizar-se de que o suicídio pode ser evitado, de que a vida vale a pena e de que não estamos sozinhos!

10) Algo que não foi complementado e gostaria de ampliar?

Apenas gostaria de salientar que depressão NÃO É frescura. E fazer um pedido para que observemos os nossos entes, conversemos mais um com o outro, no intuito de que seja compreendido que cada um vivencia suas dores de uma forma, de que colocar-se no lugar do outro nunca sai de moda, e pode prevenir tragédias, sejam elas anunciadas ou não.

Maria Eduarda Rossato Facco

Psicóloga (CRP 07/25102)

Especialista em Criança e Adolescente (UNISINOS)

Atende em Ibirubá (quartas-feiras) e Passo Fundo.

F.: (55) 99131-6036

Continue Lendo

Veja Isso